Ronaldo Urgel Nogueira e a evolução laborial sul-mineira.


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Próxima imagem: As imediações do prédio do antigo Educandário.
Imagem anterior: Antiga igreja barroca de Nossa Senhora do Carmo.

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A Associação Comercial de Três Corações, Minas Gerais foi fundada no ano de 1940, pelos comerciantes agricultores e industriais. Marisa Procópio Sarrapio, ao prefaciar a obra diz: "Ronaldo Urgel Nogueira conta a trajetória de homens e mulheres que construíram os dias do passado, constroem o presente e construirão o futuro". Na terra onde ecoa os sons de passado, ficaram impregnados na memória popular o ir e vir constantes do carro dos bois, do apito da Maria Fumaça, das aventuras e desventuras dos mascastes. Cachoeira e Três Corações se interligavam, não apenas através das patas dos bois, mas também, através de homens ligados a cultura e tradições. Foi nas páginas deste livro que encontramos referência a família Archanjo Athaide, cujo nome está ligado a antiga Banda Cachoeirense. Seu Rubens Rezende Vilela, instrumentista na Banda Cachoeirense e nela presente desde seus primórdios, lembra com muito carinho do Maestro Álvaro Arcanjo Athaíde. Aqui deixou a marca de uma de suas composições que aparece no CD comemorativo do Sesquicentenário da Freguesia do Carmo da Cachoeira, no ano de 2007. O autor Urgel Nogueira conta que, Álvaro Archanjo Athaide era campanhense de nascimento e morador em Três Corações. Regia as Bandas União Rioverdense e a Cachoeirense. Diz, "sob a batuta firme do Maestro Álvaro Archanjo a Banda abrilhantava festividades. Gozava de grande conceito em toda a região. Por ocasião da morte do Maestro , em 1976, o Maestro Tenente Luiz Alberto Ferreira de Brito, amigo particular da família, veio especialmente de Três Pontas, reger a Banda no cortejo fúnebre do Maestro Álvaro, prestando-lhe assim, sua última homenagem". Continua dizendo: Eram comuns em noites enluaradas as seretas, que faziam a população sonhar deliciando-se com as melodiosas valsas e as composições de Álvaro Archanjo Athaíde, cujo arquivo era imenso. Seu centenário foi comemorado em 1980.
O Projeto Partilha homenageia este cidadão, cujo nome ainda é lembrando por muitos em Carmo da Cachoeira.
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Lá, no Ribeirão do Paraizo, local com boas aguadas. A Fazenda do Sagrado Coração de Jesus, de Gabriel Penha de Paiva, genro de Matheus Tavares da Silva, descrito por José Roberto Sales como sendo "rico proprietário de terras, casas, gado, cafezais e fazendas, cuja extensão territorial correspondia a aproximadamente têm mil alqueires distribuídos pelos municípios de Varginha Três Pontas e Carmo da Cachoeira. Casou-se com dona Mariana Tavares da Silva, com quem teve 4 filhos: Manoel Tavares da Silva; Matheus Tavares da Silva Filho; Filomena Silva Paiva e Maria Balbina Silva Paiva. Filomena casou-se com Antônio Justiniano de Paiva, e, Maria Balbina, com Gabriel Penha de Paiva.
Diz Sales: "Para melhor compreender os fatos a seguir, é necessário tecer alguns comentários sobre a personalidade de Matheus Tavares. Ele era um homem com espírito de bandeirante, dinâmico, enérgico e, às vezes, castigava seus escravos. Talvez fosse um tanto rude e impulsivo, mas muito pragmático, parecia ter o perfil que hoje chamamos de homem de resultados. Preferia que os netos o chamassem de padrinho Matheus. Gostava de festas na roça, onde as promovia para os camponeses. Na época da colheita do café, levantava-se às duas horas da manhã. Autodenominava-se progressista. Consta, segundo relato oral de alguns, constestado por outros, que Joaquim Eloy Mendes, o Barão de Varginha, impediu que a via férrea passasse por onde hoje é a cidade de Elói Mendes. Matheus Tavares da Silva teve atitude contrária, ele não só quis que a ferrovia passasse por Varginha mas arrumou com recursos financeiros próprios a efetivação desse projeto. Quando foi abolida a escravatura, trouxe imigrantes italianos para trabalhar em suas fazendas".
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Na obra Espírito Santo da Vaginha, José Roberto Sales relata o seguinte fato, ocorrido no ano de 1890. O projeto inicial da Rede Mineira de Viação, responsável pela construção da ferrovia, não previa a passagem por Varginha. A estrada de ferro, margeando o RIO VERDE, ligaria a cidade de Cruzeiro, Estado de São Paulo, até Gaspar Lopes, cidade mineira, próxima a Muzambinho. A maior parte do trabalho foi braçal pois não havia equipamentos suficientes e a topografia da região dificultava o uso dos maquinários disponíveis na época. As pontes foram construídas usando-se cimento importado da Alemanha.
No dossiê "Estação Ferroviária" (1999), o texto "Informe histórico da Estação Ferroviária", o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Varginha - CODEPAC, apresenta a seguinte versão: "(...) Possivelmente, Matheus Tavares da Silva, Domingos Teixeira de Carvalho, João Gonzaga Branquinho, Pedro Rocha Braga, Dr. Antonio Pinto de Oliveira, Major Venâncio Franco de Carvalho, Gabriel Severo da Costa, foram os que negociaram a mudança do traçado da Ferrovia, trazendo os engenheiros para Varginha, para que fossem feitos estudos das condições do terreno e elaboração dos cálculos necessários".
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José Roberto Sales, p.82 de Espírito Santo da Varginha relata:
Matheus Tavares morava na Fazenda da Figueira, nas proximidades do Bairro da Vargem. numa das tardes daquele ano de 1890, Matheus Tavares veio à cavalo para a cidade. Apeou em frente à pensão de D. Ambrozina.
- D. Ambrozina, boa noite!
- Boa noite, coronel. Em que posso servi-lo?
- Soube que o engenheiro responsável pelas obras da ferrovia pernoita aqui. Ele já chegou?
- Sim - responde D. Ambrosina, mostrando-lhe o homem que lia um jornal na sala.
- A senhora me dá licença de dirigir-lhe algumas palavras?
- À vontade.
Matheus Tavares entrou na sala iluminada pela insuficiente luz do gasômetro mas que ainda assim permitia ao homem ler o jornal.
- Senhor engenheiro?
- Sim?
- O senhor pode dar-me atenção por um momento?
- Pois não, coronel - responde ele deixando o jornal de lado.
- Eu quero que a estrada de ferro passe aqui em Varginha - diz Matheus Tavares, de sopetão, sem preâmbulos, o que causou espanto no engenheiro.
- Como??
- Isso mesmo.
O engenheiro se recupera aos poucos da surpresa.
- Não será possível, coronel. Os terrenos aqui são mais elevados que o nível do rio e os custos subirão muito.
- Não quero saber se sobe ou desce ou quanto custa. Eu quero que passe aqui de qualquer jeito, fique o preço que ficar.
O engenheiro assustou-se. Depois de pensar um pouco, perguntou-lhe:
O senhor me assina um documento garantindo nossa conversa, o compromisso da mudança do traçado da ferrovia?
Matheus Tavares garantiu-lhe o compromisso, e após assinado o documento, levantou-se:
- Minha conversa é só esta.
Quando amanheceu, o engenheiro pegou seu cavalo, foi até a Jurití.
Pegou o trole para Cruzeiro e, chegando lá, comunicou à direção da Rede que um fazendeiro de Varginha queria que o trajeto da ferrovia fosse alterado. A diretoria da Rede encomendou estudo de novo traçado que demorou três meses para ficar pronto. Muitos duvidaram que a ferrovia pudesse chegar até a cidade e criticaram Matheus Tavares, Decorridos três meses, o mesmo engenheiro mandou chamar Matheus Tavares na Fazenda da Figueira. Encontraram-se novamente na Pensão de D. Ambrozina. O engenheiro mostro-lhe os estudos, o projeto e o valor da obra:
- São cem contos de réis! - disso o engenheiro.
- O senhor quer o dinheiro hoje ou amanhã?
O pagamento foi feito em moeda corrente. Emitiu-se dois recibos, cada um no valor de cinquenta contos de réis, um em nome de Antônio Justiniano de Paiva, e outro em nome de Gabriel Penha de Paiva, genros de Matheus Tavares.
O pequeno vilarejo que Varginha era em 1890 tomou um fantástico impulso com a passagem da via férrea. Foi a partir desta data que a cidade recebeu a alcunha de Princesa do Sul, segundo versão dos descendentes de Matheus Tavares da Silva.
Atualmente (2003), olhando o mapa da cidade de Varginha, percebe-se que a linha ondulante da via férrea a atravessa em toda sua extensão, dividindo-a em duas metades quase iguais. A expansão urbana seguiu o curso da ferrovia. Fato semelhante ocorreu com a inauguração da rodovia BR-381, conhecida como Fernão Dias, na década de 1960 e duplicada na década de 1990. A rodovia passa a poucos quilômetros da cidade e impulsionou o crescimento urbano naquela direção.
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O Barão de Alfenas foi casado na Família MORAES.

Gabriel Francisco Junqueira nasceu em 1782. Seu casamento aconteceu em 11 de junho de 1808, com Ignácia Constança de Andrade( da Família MORAES), neta de Maria de MORAES Ribeiro, filha de André do Vale Ribeiro de Tereza de Moraes.
Maria de MORAES Ribeiro era irmã de Ângela de MORAES Ribeiro (Ribeira), mãe de JOSÉ JOAQUIM GOMES BRANQUINHO, da Fazenda da Boa Vista, sede do Distrito da Boa Vista, do município de Lavras do Funil, Minas Gerais.
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Em Carmo da Cachoeira tudo é "PARAIZO". Depois de passar pela casa de MANOEL ANTONIO RATES, e subindo o Morro do Cruzeiro, a primeira paragem que se vê, é a da FAZENDA DOS COQUEIROS, hoje propriedade de Jorge Fernando Vilela, autor de "O SERTÃO DO CAMPO VELHO". Não precisa ir longe. É perguntar aí mesmo, e para ele: "Jorge, tem algum ponto aqui chamado de PARAIZO?"

Ele irá responder: - "segue em frente companheiro, logo adiante, O BOM SUCESSO DO PARAIZO. É logo aí".
- "se seguir em direção ao poente, você chegará na Ermida das Dores do Paraizo, na Fazenda Paraíso"

- " se seguir em direção a Varginha, pela estrada de terra, você irá encontrar o Ribeirão PARAIZO". Aliás, "TUDO AQUI É PARAIZO".
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O Projeto Partilha vai buscar apoio em quem mais entende da Família JUNQUEIRA, a genealogista, Marta Amato. Ela diz:
"Gabriel Francisco Junqueira casou-se em 11 de junho de 1808, com Ignácia Constança de Andrade, filha de José de Andrade Peixoto e Mariana Vitória do Nascimento. Segundo Brotero (segunda edição p.745, era neta paterna do capitão Antônio de Brito Peixoto, nascido em Braga a 28 de fevereiro de 1758, e de Maria de MORAES Ribeiro, filha de André do Vale Ribeiro e Tereza de MORAES. Silva Leme (vol. VI e VIII). Ainda de acordo com Brotero, Ignácia era neta materna de um outro português casado com uma paulista descendente dos fundadores da Capitania de São Paulo. Com isso, fica estabelecida a ligação dos descendentes do Barão de Alfenas e de Ignácia Constança com a Genealogia Paulistana".

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