Inventários de Antônio Dias de Gouveia e esposa

Antônio Dias de Gouveia, falecido em 27 de junho de 1789, teve seu inventário aberto na paragem da Ponte Falsa da Freguesia de Santa Ana de Lavras do Funil, do termo de São João Del Rey, Minas e Comarca do Rio das Mortes, tendo como inventariante sua esposa Ana Teresa de Jesus. Nos chama a atenção os limites e os bens que ficaram de herança. “(...) que de uma banda parte com fazenda de João Francisco Carvalho e com a fazenda chamada a dos Barreiros”.
Já o inventário de Ana Teresa de Jesus, Ana Teresa de Jesus, filha de Maria da Assunção Franca e Manoel Alves Pedrosa, cita como seu genro Manoel Pereira de Carvalho; Gabriel Antônio de Carvalho e Joaquim Antônio de Carvalho e os filhos João Dias de Gouveia e irmãos. E aponta como bens: fazenda Chamusca – 14:090$000; fazenda Rio Grande – 3.000$000; fazenda Palmital – 200$000; terreiro fazenda Chamusca – 1.000$000; terreiro da fazenda Rio Grande – 400$000; terreiro da fazenda Caxambu – 270$000. A fazenda Chamusca ficou em comum, 8 herdeiros. Outro dado relevante é a quantidade de escravos e cabeças de gado. São 63 escravos e 1.500 cabeças de gado.


ANTONIO DIAS DE GOUVEIA
Inventário
Museu Regional de São João del Rei
Tipo de Documento: Inventário
Ano: 1790
Caixa: 100
Nº de Páginas: 78
Inventariado: Antonio Dias de Gouveia
Inventariante: Ana Teresa de Jesus
Local: São João del Rei
Transcrito por: <>Edriana Aparecida Nolasco a pedido de Regina Junqueira
Inventário dos bens que ficaram por falecimento de Antonio Dias de Gouveia de quem foi Inventariante a viúva sua mulher Ana Teresa de Jesus.
Data: 04-06-1790
Local: Paragem chamada a Ponte Falsa da Freguesia de Santa Ana das Lavras do Funil do Termo da Vila de São João del Rei, Minas e Comarca do Rio das Mortes em casas de morada de Ana Theresa de Jesus, viúva do inventariado.
Declaração
(...) declarou a Inventariante que o seu marido havia falecido no dia vinte e sete de Junho do ano de mil setecentos e oitenta e nove e que faleceu com o seu solene testamento (...)
Filhos:
01- Maria, de vinte e dois anos.
02- João, de vinte e um anos.
03- Ana, de dezoito anos.
04- Francisco, de dezesseis anos.
05- Manoel, de quatorze anos.
06- Theresa, de doze anos.
07- José, de dez anos
08- Francisca, de oito anos.
09- Martinho de quatro anos.
10- Antonio, de dois anos.
Bens de Raiz:- uma fazenda de cultura sita nesta Paragem chamada a Ponte Falsa da Freguesia de Santa Ana das Lavras do Funil do Termo da Vila de São João del Rei, Minas e Comarca do Rio das Mortes, a qual se compõem de casas de vivenda em que vive e mora a viúva cabeça do casal com os herdeiros seus filhos, cobertas de telha, com seu paiol coberto do mesmo, com seu monjolo e algumas senzalas cobertas de capim, com seu pomar o qual tem algumas árvores de espinhos, matos virgens, capoeiras, campos e seus logradouros, que de uma banda parte com fazenda de João Francisco de Carvalho e com a fazenda chamada a dos Barreiros 1:900$000
Testamento
Em nome da Santíssima Trindade Padre, Filho e Espírito Santo Amém.
Eu Antonio Dias de Gouveia estando enfermo de doença crônica mas em meu perfeito juízo e entendimento que Nosso Senhor Jesus Cristo foi servido dar-me, temendo-me a morte e a conta que hei de dar no Tribunal divino faço este meu Testamento na forma seguinte:
Nomeio por meus Testamenteiros em primeiro lugar a minha mulher Ana Theresa de Jesus, em segundo a meu filho João Dias de Gouveia e em terceiro a Manoel Dias de Gouveia meu filho (...).
Declaro que sou natural da Freguesia de São Pedro de Roriz do Lugar de Lamana Arcebispado de Braga, filho legítimo de João Dias de Gouveia e de Maria Álvares Barbosa já defuntos, e sou casado em legítimo matrimônio com Ana Theresa de Jesus de quem ao presente temos dez filhos.
Declaro que é minha vontade ser amortalhado no Hábito de meu Seráfico Padre São Francisco de quem sou filho terceiro (...).
(..............)
(...) do que ficar de meus bens se repartirão em duas partes, uma é de minha mulher e a que me pertence duas partes são de meus filhos que vivos forem, e a minha terça a deixo a minha mulher (...).
(..............)
(...) pedi a Francisco Ignacio Botelho que este por mim fizesse (...).
Arraial das Lavras do Funil, 24 de Março de 1789
Antonio Dias de Gouveia
Abertura
Certifico que abri este Testamento aos vinte e sete do mês de Junho de mil setecentos e oitenta e nove (...) com que faleceu o Testador Antonio Dias de Gouveia (...).
Monte Mor 5:321$400
Auto de Contas
Data: 06 de Setembro de 1797
Local: Vila de São João del Rei
Tutor: João Dias de Gouveia (irmão dos órfãos)
Dos Órfãos:
- a órfã Ana havia se casado com José Ferreira há quatro anos, pessoa de igual condição e haveres (...) cujo José Pereira falecera há poucos meses de uma facada que lhe dera um escravo do casal, chamado Pedro, deixando dois filhos que estão vivendo em companhia da viúva sua mãe na fazenda do casal.
- (...) a órfã Maria se acha com vinte e oito anos.
- (...) o Tutor João Dias de Gouveia se acha com vinte e sete anos de idade.
- (...) Francisco com vinte e dois.
- (...) Manoel com vinte.
- (...) Theresa com dezoito.
- (...) José com dezesseis.
- (...) Francisca com quatorze
- (...) Martinho com dez
- (...) Antonio com seis.
Todos se acham vivendo na Fazenda deste casal na companhia da viúva sua mãe, os machos com muita obediência a dita viúva sua mãe e Tutor, trabalhando na lavoura e as fêmeas da mesma forma com muita virtude, honestidade e recolhimento (...).


ANA TERESA DE JESUS
Inventário – partilha amigável
Arquivado no CEMEC – CAMPANHA – MG – inventários de Lavras cx 8
Inventariados: Antonio Dias de Gouveia e Ana Teresa de Jesus
Inventariante: Martinho Dias de Gouveia e outros – filhos
Local: Freguesia das Lavras do Funil – Comarca do Rio das Mortes.
Data de inicio: 18/12/1820
Transcrito e disponibilizado por: Moacyr Villela.
Data da Transcrição: 2006
Martinho Dias de Gouveia e outros, todos filhos herdeiros do casal Antonio Dias de Gouveia e sua mulher Ana Teresa de Jesus, maiores de 25 anos, nesta Vila de São João Del Rei a 18 de dezembro de 1820, decidem de comum acordo fazer partilha amigável dos bens do casal extrajudicialmente.
Aos 17 dias de Dezembro de 1817, nesta Fazenda denominada...(?)..., Freguesia de Lavras do Funil,Termo da Vila de São João del Rei. Aonde fomos chamados nós, Manoel Pereira de Carvalho, Tenente Gabriel Antonio de Carvalho e Joaquim Antonio de Carvalho, por João Dias de Gouveia e seus irmãos, ai nos rogarão todos que como estavam dispostos e justos, muito de suas livres vontades, em dividir amigavelmente e extrajudicialmente e entre si os bens que existiam em causa e haviam ficado por falecimento de sua mãe Ana Teresa de Jesus, viúva de Antonio Dias de Gouveia....indicam os mesmos para louvados.
Avaliação de BENS :
Escravos – 63
1.500 cabeças de gado vacum – 6:000$000
90 bois de carro – 540$000
Um alambique – 259$000
BENS DE RAIZ-
Fazenda denominada Chamusca – 14:090$000;
Fazenda Rio Grande – 3:000$000;
Terreiro Fazenda Palmital – 200$000;
Terreiro Fazenda Chamusca – 1:000$000;
Terreiro Fazenda Rio Grande – 400$000;
Terreiro Fazenda Caxambu – 270$000
MONTE : 34:670$400
Foi feita a divisão dos bens móveis; Cada um marcou seu gado. A Fazenda da Chamusca ficou em comum
Entre 8 herdeiros interessados, ficando a herdeira Dona Ana Teresa de Gouveia aquinhoada com a Fazenda do Rio Grande por trato que fez com seus irmãos.
Assinam (alem dos louvados citados antes):
Manoel Dias de Gouveia, solteiro;
João Dias de Gouveia;
Jose Dias de Gouveia; depois falecido com filhos;
Ana Teresa de Gouveia;
Teresa Alves de Gouveia;
Maria Alves de Gouveia;
Francisca Alves de Gouveia;
Martinho Dias de Gouveia,
Antonio Dias de Gouveia – padre
1820 - Padre Antonio Dias de Gouveia em 1820 pede que a partilha seja legalizada em juízo. Como testamenteiro de seu irmão Manoel Dias de Gouveia.
Jose Dias de Gouveia casado que foi com Maria Ferreira de Assunção, falecido deixou herdeiros dos quais é tutor o tio Martinho Dias de Gouveia.
Testamento de Manoel Dias de Gouveia aberto dia 29 de junho de 1818, Testamenteiro seu irmão padre Antonio Dias de Gouveia. Herdeiros seus 8 irmãos em iguais partes.
Testamento de Francisca Alves de Gouveia aberto em 27 de outubro de 1820, Testamenteira sua irmã Ana Teresa de Gouveia. Herdeiros , seus 7 irmãos em iguais partes a saber: João Dias de Gouveia, Martinho Dias de Gouveia, Antonio Dias de Gouveia, Maria Teresa de Gouveia, Ana Teresa de Gouveia, Teresa Alves de Gouveia e a parte dividida entre os filhos herdeiros de Jose Dias de Gouveia.

Comentários

Fonseca Duarte disse…
Jorge Vilela e prof. Wanderley, verdadeiros guardiães de nossa história. Obrigado meu Deus por pensar também nisso. Leva um para seu reino de deixa outro aqui na terra. Nossa história será preservada sempre, tendo o senhor como guia e conselheiro.
Goulart disse…
Arquivos preservados é história garantida. Parabéns TS Bovaris pelo pelo trabalho voluntário que vem desenvolvendo.
Yasmin disse…
Meus avós contam que seus pais tabalharam nesta fazenda. Fica pertinho da cidade. Neste final de semana vou passar lá, matar a saudade de meus antepassados e rezar por eles.
Gonçalves disse…
Paragem da Ponte Falsa. Quanta grandiosidade. Quanta opulência. Quanta força.
Flávio disse…
O que representa para nós uma informação como esta? Que temos que nos deter mais no estudo de nossa terra. Ela é grandiosa. Tem um passado grandioso. Os que aqui moraram tinham garra. Tinham ideal. Nossa geração irá resgatar o lado perdido - a busca de valores que o Jorge bem colocou CULTURA E LIBERDADE DE UM POVO. Só amor e ética. Um belo resgate. Faremos.
Antonio Carlos disse…
Jorge Vilela. Nunca poderíamos imaginar você ocupando suas horas de descanso e lazer levantando essa carrada de documentos. Somos gratos ao presente que você ofertou a paróquia pelo aniversário de 150 anos de N. Sra. do Carmo conosco. Você pensa que deu pra ela. Olha o que ela fez: distribuiu pra nós.
Roberto disse…
TS Bovaris. Você é genial, sabia? Não vejo você nas ruas de Cachoeira e sei porque. Está trabalhando para N. S. do Carmo. Você é MARIANO.
Abreu disse…
Grandioso trabalho. Resgate e partilha. Parabéns ao Jorge, parabéna ao TS Bovaris.
Jonas disse…
Que força tinha esta família. 63 escravos. 1500 cabeças de gado e ... a, deixa pra lá, está escrito no inventário.
leonor disse…
Um dado interessante para os preservacionista. Há quinze anos atrás conheci uma pessoa que estava reflorestando em Cachoeira. Encontrou na PARAGEM DA PONTE FALSA uma PAINEIRA COM FLORES BRANCAS, pouco comum na região. Ela está ao lado de outra, de flores cor-de rosa. Cirineu com sua força e habilidade pinçava as sementes do alta árvore e a pessoa atenta,as recolhia de sobre uma imensa lona estendida no chão. Cachoeira no futuro poderá ver muitas paineiras com flores brancas. O Sr. José Avelar até sua morte, todos os dias ia ter junto a árvore que representou esse resgate em que esteve envolvido. Obrigada Cirineu. Obrigada Sr. José Avelar.
Luanda disse…
Família imensa, difícil de ser rastreada. Srá que o Jorge fez isto?
Anônimo disse…
Olá só. Este inventário vai dar muito material de trabalho em nível universitário. Eu sou o primeiro deles. Estava querendo saber mais sobre o Barão de Lavras. Tá aí. Seu pai, sua mãe e seus irmãos. Jorge Vilela você facilitou pra gente. TS Bovaris obrigado pela divulgação. Agora é mãos a obra - BARÃO DE LAVRAS.
João disse…
Meu avô tinha um livro guardado desse prof. que o pessoal está falando tanto e que diz ser amigo do Jorge Vilela dos antigamente. Fui lá na casa do meu avô e li que o Martinho, da fazenda Rancho morreu em 1842. Nossa, nem consigo imaginar isso.
L. Edu disse…
O João me mostrou o livro. Daí fui ver outros Gouvêa. Tem tamvbém na Fazenda Caxambu um tal de Antônio Severiano de Gouvêa e para minha surpresa encontrei um com nome de rua da cidade Mizael Dias de Gouvêa. Que lindo.
Gomes disse…
Jorge. Na minha idade pouco posso fazer. Tudo tenho que pedir aos mais jovens da família. É a idade avançada. O senhor é grande conhecedor pelo estudo. Eu, pobre só ouvia as coversas dos mais velhos. Morei na PONTE FALSA e ouvia os mais antigos dizerem que lá em frente da casa era o caminho dos antigamente. O pessoal vinha de Lavras e iam pra baixo. Isso tudo antes do trem.
Marcela disse…
Se meu colega não errou no copiar a data o Martinho morreu em 1842. Ainda tinha escravidão. Vou no google ver "escravidão". Obrigado TS Bovaris por divulgar o artigo do Jorge Vilela. Sempre pensei em escravos longe. Agora vejo que não adiante saber só na cabeça e de coisas lá de lonjão. Não sei nem as daqui. Aliás, não sabia. Isso era antes da era Jorge/Bovaris.
descendente disse…
È mágico. Olha o que esta família devota coloca no inventário "hábito de meu Seráfico Padre São Francisco". Quer dizer que os de antigamente da minha família eram devotos de São Francisco. Que pena ninguém guardou nada disso. Só eu de minha casa é que fico com livros nas mãos. Aqui em Pouso Alegre tem muita livraria. Meus avós vieram de Cachoeira.
Correia Sobrinho disse…
Que garra desta turna. Seria bom se houvesse muitos 150 anos comemorar. Estou vendo que a equipe aí trabalhou duro. Apresentou a riqueza de dados como presente a sociedade cachoeirense. Parabéns a toda equipe, que deve ter sido muito grande. Falo daqueles que tenho acompanhado pelo blog Pe. André levando a bandeira, o TS Bovaris, o Jorge Vilela. Que a gratidão seja extensiva a todos anônimo desconhecidos que pegaram junto.
Riva disse…
O trabalho voluntário desenvolvido em Carmo da Cachoeira é de uma grandiosidade ímpar. A Igreja congrega uma massa humana despretenciosa e altruísta. Agrupam-se nos ministérios, pastorais, enfim onde puderem servir e, em servindo elevam-se e elevam sua seara. Cachoeira conseguiu não só engrandecê-la, mas torná-la Sagrada pelas benções do Criador.
Flavinho disse…
Pô gente rica, riquíssima.
Maria disse…
Gente, o fonseca duarte falou que o prof Wanderley é guardião da nossa história junto com o Jorge? Minha escola é a Wanderley.
Ferreira da Silva disse…
A equipe planejou, trabalhou se dedicou e mostrou. Persistêncoa e habolidade é o que não falta no grupo voluntário da Igreja. Pudera, fazem por que gostam e em harmonia, não dá outra, só resultados. Que ganhou fomos nós, a sociedade cachoeirense. Parabéns a TS Bovaris pelo dom que desce sobre ele. E, ao Jorge que é um verdadeiro Sherlok Homes. Vá em frente amigão.
Luciana Gouvea disse…
Boa noite pessoal,

vejo que tem um trabalho importante da historia de carmo da cachoeira, e isso certamente não pode parar..

para constar, sou neta de antonio severiano de gouvea... e gostaria de saber mais sobre esse nome, que parece ter feito parte da historia de carmo da cachoeira..

A Gouvea disse…
Boa noite, muito me espanta encontrar aqui as raízes que tanto tempo procuro. Sou neta de Derval Severiano de Gouvêa, e só tenho a agradecer pelo trabalho...espero poder contactar com alguém nele envolvido.

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