Padre José Procópio Júnior em Carmo da Cachoeira

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Paróquia Nossa Senhora do Carmo sob nova guiança Editorial Sai Pe. Daniel Menezes, e assume como administrador paroquial da acolhedora cidade de Carmo da Cachoeira, em fevereiro de 2019, o Pe. José  Procópio Júnior. "Não cabe à pedra escolher o lugar que deve ocupar no edifício. Assim também não cabe à nós criaturas ditar ao Criador o que deve acontecer em nossa vida, pois Deus é quem sabe e dispõe com sabedoria própria." − Dom Servílio Conti, IMC Como página que observa os acontecimentos neste pedaço de chão mineiro, limitado por montanhas e que, segundo o cachoeirense Padre Godinho, “todas são azuis”, registramos o remanejamento ocorrido entre padres ligados a Diocese da Campanha no ano de 2019. Entre as mudanças encontra-se a Paróquia Nossa Senhora do Carmo/Carmo da Cachoeira – MG. Sai nosso querido Padre Daniel Menezes. Por ele continuamos a rezar e o devolvemos, entre lágrimas e a esperança de um dia tê-lo entre nós. Somos eternamente gratos e devedores. Entr

Jesus Cristo e a Revolução Não-Violenta.

De uma parte, a proliferação da raça humana torna cada dia mais difícil a solução pacífica do problema da fome, da independência nacional, da educação das massas e da justiça social, enquanto que a ameaça de uma destruição total pela bomba nuclear paira sobre o futuro da humanidade. É necessário reler a Bíblia nesta nova perspectiva.

Doutra parte, Gandhi demonstrou que a prática do Sermão da Montanha, longamente considerada como utópica pelos próprios cristãos, pode às vezes resolver o problema das relações entre grupos humanos. É necessário igualmente reler a Bíblia nesta nova perspectiva.

Ora, uma defasagem sempre mais grave se revela, entre a mentalidade de nossos contemporâneos, modelada por nossa civilização industrial, em que o homem comanda a natureza, e nossa teologia tradicional, elaborada numa época rural, em que o homem se curva sob o peso da natureza. Enquanto a máquina transtorna as condições da existência humana, o pensamento cristão, amedrontado pelas responsabilidades que ele deveria assumir, empaca e recusa-se a ver no Evangelho outra coisa que não uma mensagem de salvação individual.

Muito mais, certas tendências teológicas condenam, como presunçosa e farisaica, toda a tentativa de ação boa em favor da salvação física da raça humana e todo esforço de obediência cristã autêntica, num século votado ao poder da técnica e das armas! Uma tal reviravolta nos ensinamentos de Jesus Cristo exige nova orientação. Sem esta orientação, as Igrejas cristãs correm o risco de desqualificarem-se como condutoras da raça humana, que chegou à beira do suicídio.

Não sendo professor nem de história, nem de teologia, o autor apenas tocará de leve os domínios reservados aos especialistas.

Diga-se que o autor, depois de ter flertado, com todos os de sua geração, com as teologias e filosofias do desespero, rejeita, hoje, o veneno delas. Não quer mais deixar-se levar pelas dialéticas do relativo e do absoluto, do horizontal e do vertical, do diabo e de Deus. Está farto de lúcidas análises, que colocam os problemas sem jamais propor uma obediência viril capaz de resolvê-los.

Considera que tais formas de pensamentos são as sutis desculpas que o intelectual (é pela propensão atual dos cristãos a intelectualizar todos os problemas morais que se mede o seu aburguesamento) dá a si próprio para não assumir responsabilidade para com seus semelhantes, e que esta forma de evasão é a marca dos períodos de decadência moral e religiosa.
Com efeito, o discípulo de Jesus é responsável, como o não-cristão, pela fome, a injustiça, o egoísmo, a exploração e a guerra que assolam sua época.

(...)

É verdade que, na época de Jesus, a angelologia, a demonologia e a literatura apocalíptica estavam se desabrochando (...). Não se liam os apocalípses populares judeus nas sinagogas, mas a Lei, os Salmos e os Profetas, isto é, uma palavra singularmente sóbria e despojada, pois os autores do Antigo Testamento eram pouco capazes de fabricar mitos.

Ora, procurando descobrir se Jesus era, ou não, um não-violento, o autor viu aparecer nos Evangelhos o retrato de um vigoroso revolucionário, capaz de salvar o mundo sem usar de violência. O autor quer partilhar com o leitor o entusiasmo de sua descoberta.

Trecho da obra de André Trocmé¹

1. JESUS CRISTO E A REVOLUÇÃO NÃO- VIOLENTA, André Trocmé. Tradução de José Alamiro de Andrade, O.F.M. Editora Vozes Ltda. Petrópolis. 1973, da tradução portuguesa.

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