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Catequizar ou eliminar os indígenas da colônia.

As expedições civilizadoras no decorrer do século XVIII assumiram características que podem ser percebidas em outras áreas Coloniais, demonstrando que este projeto não era próprio apenas para o território mineiro. Havia uma idéia maior de “civilizar” toda a Colônia, ou pelo menos, as áreas mais interessantes economicamente. O grande problema enfrentado pelas autoridades era os indígenas que as habitavam. Para elas, estes atrapalhavam o progresso ao impedirem a entrada da civilização naquelas regiões. Logo, deveriam ser convencidos ou então, exterminados em nome da civilidade e do progresso. Quanto aos quilombolas, parece não ter havido nenhum plano geral e sistemático de eliminação. Cada região cuidou dos seus quilombos da forma como pôde. Ou não.

Na região Norte destaca-se neste período a expedição feita em 1781, por Henrique João Wilckens, que percorreu o Rio Japurá com os objetivos de reconhecer a região e pacificar os índios Mura¹. Este rio servia como limite entre as terras pertencentes à Espanha e as de Portugal e era dominado por estes índios, envolvidos diretamente nas disputas metropolitanas. Wilckens, embora fosse um militar, tinha como formação os ensinamentos jesuíticos e durante toda a expedição tentou por diferentes maneiras sujeitar os Mura ao Cristianismo. Uma forma de convencer os índios de que o Cristianismo era o caminho verdadeiro para o homem ideal, foi o comportamento exigido a todos os participantes da expedição que deveriam ter boa conduta a fim de que dessem o exemplo aos indígenas. Apesar de tudo, as tentativas de catequização dos Mura fracassaram e rapidamente os indígenas que não aceitavam a civilização imposta pelas autoridades coloniais portuguesas, passaram a ser identificadas como Mura. Desta maneira, Mura assim como Botocudo passou a significar Índio bárbaro, incivilizado e que não aceitava a civilidade ofertada. Assim sendo, estes índios poderiam ser escravizados e exterminados, e o foram.

Na região mais ao Sul da Colônia, portanto oposta à percorrida por Wilckens, encontram-se registros de expedições com os mesmos objetivos e características. De 1768 a 1773, onze expedições partiram para os Sertões do Rio Tibagi. Hoje esta área pertence ao Paraná, mas na época fazia parte da Capitania de São Paulo. Os objetivos da expedição eram o reconhecimento do território, de seus recursos naturais e a conversão do gentio².

A maior de todas as expedições foi a décima, ocorrida em 1771. Além do relatório que foi posteriormente enviado à Metrópole, ela conta ainda com uma série de imagens retratando os acontecimentos envolvendo o seu cotidiano, e os contatos com os índios da região permitindo inferências sobre o que não foi dito no relatório³.

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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Texto Anterior: Os heróis do sertão e o projeto civilizatório.

1. Diário da viagem ao Japurá, de Henrique João Wilckens. 23 de fevereiro de 1781. Manuscrito Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, RJ, Arquivo do Conselho Ultramarino, 1.1.4.
2. Notícias da conquista e do descobrimento dos Sertões do Tibagi na Capitania de São Paulo, no governo do General D. Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão, conforme ordens de Sua Majestade. Por Afonso Botelho de S. Paio e Souza no ano de 1768 até o de 1774. Biblioteca Nacional . Manuscritos, 9,3,14
3. Notícias da conquista e do descobrimento dos Sertões do Tibagi na Capitania de São Paulo... Op. Cit. Ou. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. T. 18, 1896

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