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Criança - Um poema sul-mineiro.

Criança

Ah! Como eu queria
Colher o teu sorriso
E, num cofre de ouro
Eu guardariaEste tesouro,
E dele faria
Meu paraíso!

Ah! Vendo-te assim,
Despreocupada e leda,
Considero o mistério da vida
E minha alma perscruta e se queda
Na escuta, embevecida.

Criança! Com que véu de inocência
Teceu-te um dia o Criador!
Por que hás de perder, um dia, o fulgor?

Silêncio! A criança brinca!
Não lhe negue o direito
De ser criança!

Silêncio! A criança sonha!
Que nesse sonho
Nada se interponha!

Cuidado! A criança é pura!
Cuida, pois dela
Com muita ternura!

Cuidado! A criança é um ser eleito!
Cuida dela,
Com amor e respeito!

Cuidado! A criança é indefesa!
Protege-lhe a vida,
Guarda-lhe a pureza!

Trecho da obra:
Encontros e desencontros
de Maria Antonietta de Rezende

Projeto Partilha - Leonor Rizzi

Próximo Texto: Torres de Babel - uma mensagem pela paz.
Texto Anterior: Poema - Repouso

Comentários

Anônimo disse…
Da obra, "encontros e desencontros", Maria Antonietta de Rezende, p.90.

A Razão da Rima

Se eu dissesse, VERBI GRATIA, assim:
Era uma vez, um mestre de Latim,
Que lecionava, apenas para mim,
Que parecia mais um querubim,
Com seu perfume doce de jasmim,
Você iria acreditar em mim?

Era uma vez, um grande Mandarim,
Que percorria as ruas de Pequim,
E apaixonou-se por uma gueixa chim,
E uma guerra começou enfim.

Agora conto, tintim por tintim,
A razão de tanta rima ruim:
É que sou um poeta chinfrim
E que não passo de um arlequim.

Que vivo sempre presa nesse SPLEEN.
E vou mandar um ramo de alecrim,
A esse amor que já chegou ao fim.
Anônimo disse…
PRUDÊNCIA

Uma sorridente criança de três anos se alegra com a aproximação de uma senhora.
Quer coca? Pergunta à criança.

"Coca" é oferecida como a delícia das delícias, prêmio e cortesia para agradar à criança.
Ali, há uma evidente simpatia e, é lógico, as emoções que envolvem a criança são agradáveis, prazerosas. Será reforçada por várias situações de felicidade, alegria e brincadeira - coca nos aniversários, coca nas festinhas dos amigos, coca nos almoços de família aos domingos.
No ouvido interior "memória" de todos nós estão gravadas as vibrações que representam a palavra, envolvidas pelas auréolas de prazer ou desprazer dos momentos em que se fixaram.
As vibrações que representam a palavra "pancada" em geral trazem conotações de dor, as de "limão" se associam à azedo, "abraço" à ternura e amizade. "Coca" está na memória da criança como sinônimo de coisa boa. Assim, a palavra vai estimulando o uso crescente da coca.
Hoje, criança, amanhã será adolescente.
Que reações serão criadas no subconsciente, do agora adolescente, ao chegar em sua memória do ouvido interior uma oferta "coca" que não é o refrigerante?
Por que, para agradar às crianças, não oferecem leite ou uma fruta? Há tantas e deliciosas! Manga, pitanga, abio, jabuticaba, goiaba, ameixa. Há uma distorção nos valores das coisas. Uma mistura de água, gás e um xarope misterioso pode ser um "prêmio" para uma criança e não uma fruta, por exemplo. Seria mais natural, mais saudável e não teríamos nenhum distúrbio com a memória do ouvido interior, na adolescência.
Prudência é saber antecipar consequências.

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