Registro do Livro de Provisões de 1770-1771.

Documentos encomendado pelo Projeto Partilha.
Pesquisas feitas por José Geraldo Begname.

Mariana, 27 de abril de 2006.

Trata-se de um registro para Ermida registrada no Livro de Provisões 1770-1771 (fl.24v.) custodiado pelo Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana, em nome de Luis Lourenço Correa.

Antes de se passar a referida Transcrição, um pouco de história:

Os Povoadores¹

A partir da segunda metade do Século XVIII, com a decadência da exploração aurífera, iniciou-se o povoamento da região entre a Serra das Três Pontas, Rios Grande, Sapucaí e Verde. Dentre os primeiros sesmeiros, destacamos, entre outros:

0l-AGO-l777 - Maria Teresa do Carmo, na paragem do Ribeirão das Três Pontes, do outro lado do rio Grande;
22-AGO-l777 - João da Mota Coelho, no Ribeirão das Três Pontes;
30-JAN-1764 - Luiz Corrêa Lourenço (Luis Correa Lourenço) (...);
17-DEZ-1768 - João da Sylva Teixeira (Silva) , entre as sesmarias de Alexandre S. Sobra e a de Luiz Correa Lourenço;
17-FEV-1770 - Manoel Ferreira Guimarães, nas Duas Barras, confrontando com Luiz Corrêa Lourenço.

Agora, a referida Transcrição:

..." [à margem esquerda Ermida]. Em 23 do dito (mês de março de 1770) se registrou hua Provisam para Ermida do theor seguinte. Vicente Gongalvez Jorge de Almeida Conego Prebendado na Santa Igreja Cathedral de Mariana nela, e em todo este Bispado Vigário Capitular pelo Ilustríssimo e Reverendíssimo Cabido sede vacante etc. Atendendo aos que por sua petiçam retro nos enviou a dizer Luis Correa Lourenço, desta Vila de São João de El Rey havemos por bem conceder-lhe licença pela prezente nossa provisam para poder eregir em sua fazenda do certão das Três Pontes, freguesia de Santa Anna das Lavras, hua Ermida com a invocação de Santo Antonio que sera edificada com formalidade de capella, tendo, tendo porta franca para a rua sendo totalmente separada de cazas de vivenda, livre de comunicaçoens profanas, e usos domesticos, com seu Altar proporcionado, para nelle se poder decentemente celebrar o Santo Sacrifício da Missa tendo Pedra de Arasagrada de sufuciente grandeza, todos os paramentos necessarios e ornamentos das cores de que uza a Igreja e determinão os cerimoniaes. E depois de assim edificada a dita ermida, o seu Reverendo Paroco a vizitara, e achando-a perfeitamente acabada, e decentemente paramentada, a aprovorá por hum termo feito nas costas desta pelo qual se obrigue taobem o dito Luis Correa Lourenço a asestir com todo o guizamento necessario para a celebração dos Santos Sacrifícios, em firmeza do que assinará com o Reverendo Paroco ao pe dele. Depois de tudo concedemos licença para que por tempo de 3 anos se possa nella celebrar o Santo Sacrifício da Missa, sem prejuizo porem dos Direitos Parochiaes, e da Fabrica da Matriz findos os que ficara esta de nenhum vigor, e sera registrada aonde pertencer. Dada nesta Cidade de Mariana sob nosso sinal, e sello da Meza Captular aos 23 de Março de 1770. E eu João Soares de Araujo Presbitero Secular, escrivam da Camara Ecleziastica a escrevi - Chancela 2$400".

Nada mais continha o referido registro de Provisão.

Como já temos estudado em outros artigos de carmodacachoeira.blogspot.com , o "Certão das Três Pontes", citado no documento eclesiástico acima, e presente, também, na Carta Sertanista de 1793, onde estava situada as referidas "Três Pontes", em um caminho que, a partir de Carrancas, dava acesso as terras por nós estudadas. Possivelmente, foi atravessando este "Certão das Três Pontes", junto ao Ribeirão Parapetinga, que os "Ferreira Avelino", ancestrais do Neca - Manoel Ferreira Dias, chegaram até a Cachoeira dos Rates, via Encruzilhada.

Segundo as sesmarias arroladas pelo historiador e genealogista Paulo Costa Campos, há uma confrontante de Manoel Ferreira Guimarães (1770) das Duas Barras².

Projeto Partilha - Leonor Rizzi

Próxima matéria: A sesmaria e provisões de Luís Correa Lourenço.
Artigo Anterior: Documentos analisados pelo Projeto Partilha.

1. Campos, Paulo Costa, Dicionário Histórico e Geográfico de Três Pontas, 2OO4, p.l08/l09.
2. Wanderley Ferreira de Rezende, em sua obra, "Carmo da Cachoeira - Origem e Desenvolvimento". Ano - 1975, afirma: "DUAS BARRAS - João Ferreira Guimarães, José Ferreira da Silva, Joaquim Ferreira da Silva, Francisco Joaquim de Souza, João José de Carvalho, etc.".

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