O vaso partido, um poema de Sully Prudhomme.

O vaso azul destas verbenas,
Partiu-o um leque que o tocou:
Golpe sutil, roçou-o apenas,
Pois nem um ruído o revelou.


Mas a ferida persistente,
Mordendo-o sempre e sem sinal,
Fez, firme e imperceptivelmente,
A volta toda do cristal.

A água fugiu calada e fria,
A seiva toda se esgotou;
Ninguém de nada desconfia.
Não toquem, não, que se quebrou.

Assim, a mão de alguém, roçando
Num coração, enche-o de dor;
E ele se vai, calmo, quebrando,
E morre a flor do seu amor;

Embora intacto ao olhar do mundo;
Sente, na sua solidão,
Crescer seu mal fino e profundo.
Já se quebrou: não toquem, não.

Trecho da obra:
Encontros e desencontros
de Maria Antonietta de Rezende
Tradução deste texto: Guilherme de Almeida

Projeto Partilha - Leonor Rizzi

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