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Pamplona e os membros de sua expedição.

Em 1769 Pamplona fez sua segunda expedição ao Sertão de Minas sob as ordens do Conde de Valadares, e já com o título de Mestre de Campo e Regente dos distritos de Pium-í, Bambuí, Campo Grande e Picada de Goiás. Seu objetivo era principalmente dar combate a índios e negros quilombolas¹ e povoar a região. Para isso distribuiu mais de cem sesmarias na área e deixou inúmeros documentos relatando toda a rota da expedição além de uma série de mapas feitos durante a viagem dando detalhes da área e dos quilombos encontrados.

Durante esta expedição Pamplona estabeleceu várias capelas: a de São Francisco de Sales, a de N. Senhora da Conceição, a de Santa Margarida de Cortona, a dos Santos Mártires, e outras.² Este tipo de edificação era vantajoso porque a partir dele o bispado de Mariana podia tomar posse espiritual da região e conseqüentemente, cobrar os dízimos³.

Entremos na expedição. Era o dia 8 de agosto de 1769. A Fazenda do Capote estava repleta de homens tão aventureiros quanto seu próprio proprietário, Ignácio Correia de Pamplona. Quase todos tinham um único objetivo em mente: enriquecer. Por isso aceitaram participar de uma empreitada bastante arriscada – a conquista do Campo Grande, área de moradia de índios e de quilombolas. Entretanto, ainda que fosse perigosa, a expedição valia a pena. Era uma maneira de se conseguir muita terra, três léguas em média para cada sesmeiro, além de ter acesso, se a sorte ajudasse, a grupos de índios capturados e tornados cativos. Desta forma, as despesas com a mão-de-obra já seriam menores e os lucros, naturalmente, maiores.

Se os homens poderosos e ricos queriam obter mais terras para ampliar seu poder e prestígio, os que nada tinham - a maioria - viam a expedição como a solução para seus problemas e o abandono da miséria.

Era a única maneira de obterem terras de graça ou quase, já que este acesso tinha um preço. Muitos só conseguiriam encontrar no caminho a própria morte, atacados por doenças, animais ferozes, índios ou quilombolas.

Para os escravos que acompanhavam seus senhores era mais uma empreitada da difícil vida no cativeiro. Teriam que seguí-los, arriscando suas vidas para torná-los ainda mais poderosos. Além do que, em caso de ataques seriam os primeiros a serem colocados na linha de frente da batalha. Mas, talvez o pior da jornada fossem os ataques aos quilombos, locais de moradia de homens que um dia foram como eles, cativos.

Era necessário destruir o que eles provavelmente desejavam para suas vidas. Entretanto, no meio de todas estas constatações havia uma chance de liberdade. No interior do Sertão, embrenhados em matas, quem sabe, poderia ser possível uma fuga? Seria sempre uma esperança...

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

Próximo Texto: O dia-a-dia da expedição de Pamplona.
Texto Anterior: A primeira expedição de Pamplona.

1. Sobre esta expedição, ver o Arquivo Conde de Valadares. Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional. Códice 18,3,1-7
2. VASCONCELOS, D. Op. Cit. p. 215
3. Esta região pertencia anteriormente ao Bispado de Pernambuco

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