Pular para o conteúdo principal

Carmo da Cachoeira e o Vale do Sapucahy.

O Vale do Sapucahy tem, para nós cachoeirenses, significado muito, muito especial. Aí esteve, no mínimo, uma filha de Manoel Antônio Rates. Pode ter estado pelas imediações (Pouso do Mandu), Miguel Antônio Rates (1816), irmão de José da Costa Moraes, casado com Maria da Penha de Jesus (Pena ou Penna), e tutor dos filhos do casal (1811).

Ao falar destas paragens não há como não se lembrar de Ignácio José de Alvarenga Peixoto, ouvidor da Comarca do Rio das Mortes, nomeado em 11-03-1775 como coronel Comandante da Companhia do Rio Verde, comarca do Rio das Mortes. Alvarenga Peixoto foi casado com Bárbara Heliadora, filha de Maria Josefa Bueno Cunha, falecida em São João Del Rei, após 24 de dezembro de 1802 e que, deixando testamento que, segundo Aureliano Leite, estaria arquivado na Biblioteca Nacional. O pai de Bárbara e marido de Maria Josefa foi o advogado português José Silveira e Sousa. Conforme a Árvore de costado de Antônio Lopes Esteves, sogro de Pedro Wilson Carrano Albuquerque.

Vale de São Gonçalo do Sapucaí, também chamado da Campanha do Rio Verde, do descoberto do Ouro Fala da freguesia de Santo Antônio do Vale da Piedade da Campanha do Rio Verde, de Domingos Fonseca, de Bento Ferreira de Mello¹.

Vale deslumbrante, e esplendorosamente emoldurado pela Mantiqueira. Vale de um país indígena, vigorosamente defendido por eles e um verdadeiro Paraíso da Mãe Natureza. Índio e paulistas estão interligados, na dor, e no amor. A lembrança aqui vem para a tradicional família de bandeirantes paulistas que se interligou com os nativos da terra - a índia Bartira, ou seja a Isabel Dias, casada com João Ramalho. Descendentes deste casal temos, bem próximo, Bernarda Luís Camacho, casada com Amador Bueno da Ribeira. Seguindo a genealogia chegamos a Bartolomeu Bueno do Prado, a quem a família Garcia era ligada por laços de afinidade², segundo Carvalho Franco era paulista, filho do Capitão-Mor Domingos Rodrigues do Prado e de sua mulher Leonor Bueno da Silva e foi casado com Isabel Bueno da Fonseca, filha de Francisco Bueno Feio e Maria Jorge Velho.

Por volta de 1755, Bartolomeu passou para a região do Palmital no sertão do Rio Grande, onde residia seu sogro. Naquele local foi buscado pelo governo mineiro para que chefiasse bandeiras contra calhambolas, pois granjeara grande fama nesse gênero de guerrilhas. Nessas imediações estava também Manoel Antônio Rates e sua família. Ele, "de Rates". Ela, sua mulher, paulistana, "Moraes". Moraes tem fortes ligações aos Buenos.

Onde está o registro de batizado de Manoel Antônio? Quem foram seus pais?

Teria Manoel Antônio Rates nascido de outro Rattes ou Rates, que foi morador em Sabará? Jorge Fernando Vilela aposta nessa hipótese.

Onde está o registro de casamento de Manoel Antônio e Maria da Costa Moraes? Quem foi o celebrante? Quem foram seus padrinhos?

"... Nas Minas Gerais, o exemplo da Independência dos Estados Unidos da América foi o modelo, e as idéias que conduziram à Revolução Francesa o estopim incendiário do coração e da mente dos idealistas da Província, que se preparavam para a realização dos sonhos de libertação, e invejavam a marcha vitoriosa em outras pátrias "³.

"Contemplo encantada a serra da Mantiqueira, o imponente maciço do Itatiaia e a majestosa Agulhas Negras, cenário dos mais belos já vistos (...). Sabemos que a Serra da Mantiqueira e o Vale do Paraíba foram primitivamente cobertas de densas matas ocupadas por índios, que deram ao maciço o nome e ITA-TI-AIA - "Pedra cheia de Pontas"4.

No século XVI, com a descoberta do ouro das Gerais, o Vale do Paraíba e a Serra da Mantiqueira, foram intensamente percorridos por aventureiros e faiscadores. No século XVII, suas terras serviam de passagem ou de pouso de viajantes que, provenientes do Sul de Minas, demandavam os portos sul-fluminenses de Angra dos Reis em especial. A colonização só se deu nas primeiras décadas do século XIX, com a chegada de algumas famílias mineiras, procedentes de Aiuruoca, Minas Gerais, com o esgotamento das minas de ouro das Gerais. Surgiu o povoado de Campo Belo e atual Itatiaia, com a instalação do Distrito de Paz e Tabelionato, em 13 de maio de 1832. Em 1839 foi instalado o curato de São José do Campo Belo e subordinado à matriz Nossa Senhora da Conceição de Resende. Esta capela deu origem a Matriz de São José, em Itatiaia.

Onde estará a provisão para ereção da capela do sítio Cachoeira de Manoel Antônio Rater? Onde? ... Onde? ... Onde? ...

Aqui termina o caminho5

Os sinos cantando, as sombras todas se diluindo.
dentro da tarde. Dentro da tarde, o teu grave pensamento de exílio.
Por que ainda espera? Aqui termina o caminho,
aqui morre a voz, e não há mais eco, nem nada.

Projeto Partilha - Leonor Rizzi

Próxima matéria: O tabelião Joaquim Carneiro de Rezende.
Artigo Anterior: O carpinteiro Manoel Pereira dos Santos Roque.

1. José Geraldo Begname: Livro de Provisão 1752-1756, fls.32.
2. Jurisdição dos Capitães, p.30/31.
3. Conferência proferida no dia 13 de setembro de 1999. O lirismo dos rebeldes da Inconfidência. Ainda nesse imenso maciço da Serra da Mantiqueira, Itatiaia. Itatiaia viu nascer ALDA BERNARDES DE FARIA E SILVA (presidente da ACIDHIS Académica - cadeira n.4 - Cel José Mendes Bernardes).
4. Alda Bernardes de Faria e Silva.
5. 50 poemas, p.8-9

Comentários

Arquivo

Mostrar mais

Postagens mais visitadas deste blog

Tabela Cronológica 10 - Carmo da Cachoeira

Tabela 10 - de 1800 até o Reino Unido - 1815 - Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - 1815 ü 30/Jan – capitão Manuel de Jesus Pereira foi nomeado comandante da Cia. de Ordenanças da ermida de Campo Lindo; e ü instalada a vila de Jacuí . 1816 1816-1826 – Reinado de Dom João VI – após a Independência em 1822, D. João VI assumiu a qualidade e dignidade de imperador titular do Brasil de jure , abdicando simultaneamente dessa coroa para seu filho Dom Pedro I . ü Miguel Antônio Rates disse que pretendia se mudar para a paragem do Mandu . 1817 17/Dez – Antônio Dias de Gouveia deixou viúva Ana Teresa de Jesus . A família foi convocada por peritos para a divisão dos bens, feita e assinada na paragem da Ponte Falsa . 1818 ü Fazendeiros sul-mineiros requereram a licença para implementação da “ Estrada do Picu ”, atravessando a serra da Mantiqueira e encontrando-se com a que vinha da Província de São Paulo pelo vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, na alt

A organização do quilombo.

O quilombo funcionava de maneira organizada, suas leis eram severas e os atos mais sérios eram julgados na Aldeia de Sant’Anna pelos religiosos. O trabalho era repartido com igualdade entre os membros do quilombo, e de acordo com as qualidades de que eram dotados, “... os habitantes eram divididos e subdivididos em classes... assim havia os excursionistas ou exploradores; os negociantes, exportadores e importadores; os caçadores e magarefes; os campeiro s ou criadores; os que cuidavam dos engenhos, o fabrico do açúcar, aguardente, azeite, farinha; e os agricultores ou trabalhadores de roça propriamente ditos...” T odos deviam obediência irrestrita a Ambrósio. O casamento era geral e obrigatório na idade apropriada. A religião era a católica e os quilombolas, “...Todas as manhãs, ao romper o dia, os quilombolas iam rezar, na igreja da frente, a de perto do portão, por que a outra, como sendo a matriz, era destinada ás grandes festas, e ninguém podia sair para o trabalho antes de cump

A família do Pe. Manoel Francisco Maciel em Minas.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. Próxima imagem: Sete de Setembro em Carmo da Cachoeira em 1977. Imagem anterior: Uma antiga família de Carmo da Cachoeira.

Postagens mais visitadas deste blog

Tabela Cronológica 10 - Carmo da Cachoeira

Tabela 10 - de 1800 até o Reino Unido - 1815 - Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - 1815 ü 30/Jan – capitão Manuel de Jesus Pereira foi nomeado comandante da Cia. de Ordenanças da ermida de Campo Lindo; e ü instalada a vila de Jacuí . 1816 1816-1826 – Reinado de Dom João VI – após a Independência em 1822, D. João VI assumiu a qualidade e dignidade de imperador titular do Brasil de jure , abdicando simultaneamente dessa coroa para seu filho Dom Pedro I . ü Miguel Antônio Rates disse que pretendia se mudar para a paragem do Mandu . 1817 17/Dez – Antônio Dias de Gouveia deixou viúva Ana Teresa de Jesus . A família foi convocada por peritos para a divisão dos bens, feita e assinada na paragem da Ponte Falsa . 1818 ü Fazendeiros sul-mineiros requereram a licença para implementação da “ Estrada do Picu ”, atravessando a serra da Mantiqueira e encontrando-se com a que vinha da Província de São Paulo pelo vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, na alt

Carmo da Cachoeira — uma mistura de raças

Mulatos, negros africanos e criolos em finais do século XVII e meados do século XVIII Os idos anos de 1995 e o posterior 2008 nos presenteou com duas obras, resultadas de pesquisas históricas de autoria de Tarcísio José Martins : Quilombo do Campo Grande , a história de Minas, roubada do povo Quilombo do Campo Grande, a história de Minas que se devolve ao povo Na duas obras, vimo-nos inseridos como “Quilombo do Gondu com 80 casas” , e somos informados de que “não consta do mapa do capitão Antônio Francisco França a indicação (roteiro) de que este quilombo de Carmo da Cachoeira tenha sido atacado em 1760 ”.  A localização do referido quilombo, ou seja, à latitude 21° 27’ Sul e longitude 45° 23’ 25” Oeste era um espaço periférico. Diz o prof. Wanderley Ferreira de Rezende : “Sabemos que as terras localizadas mais ou menos a noroeste do DESERTO DOURADO e onde se encontra situado o município de Carmo da Cachoeira eram conhecidas pelo nome de DESERTO DESNUDO ”. No entanto, antecipando

As três ilhoas de José Guimarães

Fazenda do Paraíso de Francisco Garcia de Figueiredo Francisco Garcia de Figueiredo é citado como um dos condôminos / herdeiros da tradicional família formada por Manuel Gonçalves Corrêa (o Burgão) e Maria Nunes. Linhagistas conspícuos, como Ary Florenzano, Mons. José Patrocínio Lefort, José Guimarães, Amélio Garcia de Miranda afirmam que as Famílias Figueiredo, Vilela, Andrade Reis, Junqueira existentes nesta região tem a sua ascendência mais remota neste casal, naturais da Freguesia de Nossa Senhora das Angústias, Vila de Horta, Ilha do Fayal, Arquipélago dos Açores, Bispado de Angra. Deixaram três filhos que, para o Brasil, por volta de 1723, imigraram. Eram as três célebres ILHOAS. Júlia Maria da Caridade era uma delas, nascida em 8.2.1707 e que foi casada com Diogo Garcia. Diogo Garcia deixou solene testamento assinado em 23.3.1762. Diz ele, entre tantas outras ordenações: E para darem empreendimento a tudo aqui declarado, torno a pedir a minha mulher Julia Maria da Caridade e mai

Distrito do Palmital em Carmo da Cachoeira-MG.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. O importante Guia do Município de Carmo da Cachoeira , periódico de informações e instrumento de consulta de todos os cidadãos cachoeirenses, publicou um grupo de fotos onde mostra os principais pontos turísticos, culturais da cidade. Próxima imagem: O Porto dos Mendes de Nepomuceno e sua Capela. Imagem anterior: Prédio da Câmara Municipal de Varginha em 1920.

A origem do sobrenome da família Rattes

Fico inclinado a considerar duas possibilidades para a origem do sobrenome Rates ou Rattes : se toponímica, deriva da freguesia portuguesa de Rates, no concelho de Póvoa de Varzim; se antropomórfica, advém da palavra ratto (ou ratti , no plural), que em italiano e significa “rato”, designando agilidade e rapidez em heráldica. Parecendo certo que as referências mais remotas que se tem no Brasil apontam a Pedro de Rates Henequim e Manoel Antonio Rates . Na Europa antiga, de um modo geral, não existia o sobrenome (patronímico ou nome de família). Muitas pessoas eram conhecidas pelo seu nome associado à sua origem geográfica, seja o nome de sua cidade ou do seu feudo: Pedro de Rates, Juan de Toledo; Louis de Borgonha; John York, entre outros. No Brasil, imigrantes adotaram como patronímico o nome da região de origem. Por conta disso, concentrarei as pesquisas em Portugal, direção que me parece mais coerente com a história. Carmo da Cachoeira não é a única localidade cujo nome está vincul

Cemitério dos Escravos em Carmo da Cachoeira no Sul de Minas Gerais

Nosso passado quilombola Jorge Villela Não há como negar a origem quilombola do povoado do Gundú , nome primitivo do Sítio da Cachoeira dos Rates , atual município de Carmo da Cachoeira. O quilombo do Gundú aparece no mapa elaborado pelo Capitão Francisco França em 1760 , por ocasião da destruição do quilombo do Cascalho , na região de Paraguaçu . No mapa o povoado do Gundú está localizado nas proximidades do encontro do ribeirão do Carmo com o ribeirão do Salto , formadores do ribeirão Couro do Cervo , este também representado no mapa do Capitão França. Qual teria sido a origem do quilombo do Gundú? Quem teria sido seu chefe? Qual é o significado da expressão Gundú? Quando o quilombo teria sido destruído? Porque ele sobreviveu na forma de povoado com 80 casas? Para responder tais questões temos que recuar no tempo, reportando-nos a um documento mais antigo que o mapa do Capitão França. Trata-se de uma carta do Capitão Mor de Baependi, Thomé Rodrigues Nogueira do Ó , dirigida ao gove

O livro da família Reis, coragem e trabalho.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. Próxima imagem: 24º Anuário Eclesiástico - Diocese da Campanha Imagem anterior: A fuga dos colonizadores da Capitania de S. Paulo

A Paróquia Nª. Srª. do Carmo completa 155 anos.

O decreto de criação da Paróquia foi assinado pela Assembléia Legislativa Provincial no dia 3 de julho de 1857. Pela Lei nº 805 , a Capela foi elevada para Freguesia, pertencendo ao Município de Lavras do Funil e ficando suas atividades sob a responsabilidade dos Conselhos Paroquiais. O Primeiro prédio da Igreja foi construído em estilo barroco , em cujo altar celebraram 18 párocos . No ano de 1929, esse templo foi demolido, durante a administração do Cônego José Dias Machado . Padre Godinho , cachoeirense, nascido em 23 de janeiro de 1920, em sua obra " Todas as Montanhas são Azuis ", conta-nos: "Nasci em meio a montanhas e serras em uma aldeia que, ao tempo, levava o nome de arraial. (...) Nâo me sentia cidadão por não ser oriundo de cidade. A montanha é velha guardiã de mistérios. Os dias eram vazios de qualquer acontecimento." Ao se referir ao Templo físico dizia: "Minha mãe cuidava do jardim pensando em colher o melhor para os altares da Matriz

O distrito de São Pedro de Rates em Guaçuí-ES..

Localizado no Estado do Espírito Santo . A sede do distrito é Guaçuí e sua história diz: “ ... procedentes de Minas Gerais, os desbravadores da região comandados pelo capitão-mor Manoel José Esteves Lima, ultrapassaram os contrafortes da serra do Caparão , de norte para sul e promoveram a instalação de uma povoação, às margens do rio do Veado, início do século XIX ”.

Simpósio Filosófico-Teológico em Mariana

Aproxima-se a conclusão das obras de restauração na Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção, Igreja Mãe de nossa Arquidiocese. Trata-se de expressivo monumento religioso, histórico e artístico, tombado no âmbito federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A Arquidiocese de Mariana, a Faculdade Dom Luciano Mendes (FDLM) e o Instituto Teológico São José (ITSJ) organizam este Simpósio com o objetivo de refletir sobre os trabalhos de restauro que em breve serão entregues à comunidade, bem como debater o significado deste templo, em relação aos aspectos teológicos e sua importância artística e arquitetônica em mais de três séculos de existência. Programação : de 25 à 27 DE MAIO DE 2022 25/05/2022 – Quarta-feira Local: Seminário Maior São José-Instituto de Teologia 19h - SAUDAÇÃO INICIAL - Côn. Nédson Pereira de Assis Pároco da Catedral - Mons. Celso Murilo Sousa Reis Reitor do Seminário de Mariana - Pe. José Carlos dos Santos Diretor da Faculdade Dom