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Uma só humanidade, um grito pela liberdade.

Percebemos, com muita frequência, dentro de nós, aquele sentimento de que a humanidade é uma só, independente de raça ou nação, que todos os homens são iguais.
Sempre ouvimos, desde a infância, que devemos ser autênticos, não podemos ser fingidos, ter uma atitude dentro do lar e outra, diferente, lá fora.
É, talvez, um importante princípio cristão.

Se observarmos o mundo, vamos concluir que esta autenticidade não existe ao nível das nações.
Os países que estabeleceram uma hegemonia no mundo sempre têm um discurso para o seu uso interno e atitudes, às vezes, até agressivas, para o exterior.
Eles querem os países periféricos - ainda com grandes parcelas da sua população em dificuldades - com suas fronteiras inteiramente abertas para a entrada dos seus produtos, mas estabelecem todos os obstáculos possíveis, com taxas e barreiras, para dificultar a chegada dos produtos externos. Protegem, de todos os modos, a sua produção interna. Querem seu povo com emprego, vivendo decentemente. Que se danem os outros!

Os "danados", somos nós!
Segurando toda a tecnologia
e usando-a como poder e força para impor vantagens próprias, não permitem que haja sequer uma norma, no direito internacional, que proteja os países periféricos do sistema de dependência. Há uma terrível exploração, como resultado de suas riquezas naturais. Os que produzem, colhem, ou retiram os produtos naturais têm uma paga aviltada que mal lhes permite sobreviver.
O sentimento de uma só humanidade implicaria, obrigatoriamente, no atendimento das necessidades básicas de todos e traria, como atitude fundamental, a condenação de todas as estratégias de dominação, colonização e escravização de boa parcela da humanidade.

Sob a desculpa de "proteção ambiental" os países dominantes (exploradores) bloqueiam projetos que trariam melhoria de vida para regiões e até países. Eles não assinem tratados para diminuir a poluição ou limitar a produção de gás carbônico internos. Os outros que se danem!
Apontam deslizes e violências em governos de países periféricos, mas lançam pesticidas em grandes quantidades ou bombas com ogivas radioativas que produzirão câncer por muitos anos, sem a menor preocupação ética, vangloriando-se da superioridade tecnológica e dizimando indefesos. Sob a capa de defender liberdade, impõe muito sofrimento a várias populações.
Temos de pensar com humanitarismo e agir localmente.

Rejeite, não aceite o "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço".
Contribua para proteger e valorizar as coisas da sua terra e construir uma comunidade e um país melhor.
Os dominantes valorizam o que é seu.
A busca da felicidade não pode ser isolada, abrange a família, o bairro, a comunidade, o país, para finalmente, ser mundial.

SABER FAZER.
FAZER AQUI.
ISTO É LIBERDADE, INDEPENDÊNCIA.

Contatos com o autor pelos endereços eletrônicos:
rui.sol@bol.com.br
rui.sol@ambr.com.br

Comentários

rui nogueira disse…
PALAVRAS QUE COMUNICAM

O maravilhoso dom de expressar idéias pelos sons articulados.
Perceba! Você diz a palavra e o outro brasileiro, à sua frente, a entende e pode criar na sua imaginação exatamente o que você pensou. Isto ocorre em qualquer lugar deste país!

Era um sonho dantesco ... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros ... estalar de açoite ...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar ...

"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar! ..."

Castro Alves, em seu Navio Negreiro, destacava: "fazei-os dançar" mas, na longa viagem, predominava o "fazei-os falar".
Se os escravos ditos ladinos - os que sabiam falar alguma coisa em português - tinham muito valor que os boçais - aqueles que não falavam nada em português -, é perfeitamente lógico que os feitores aproveitassem a longa viagem para obrigá-los a aprender, ao menos, palavras essenciais de nossa língua.
Nos navios negreiros sempre misturavam escravos de etnias diversas, falando diferentes dialetos, impedindo, desta forma, a comunicação entre eles e, assim, evitando revoltas durante a longa travessia.
Já no Brasil, vendidos e levados para o interior, tinham a língua portuguesa com único meio de comunicação.
Você não pode, com seu espírito humanista, enxugar as lágrimas que já foram derramadas, mas pode prestar atenção para não destruírem, com invasões culturais, a unidade linguística que nos legaram à custa de muito sofrimento.
As palavras duras, as ásperas, as doces, as belas, as que identificam os objetos, as que expressam os sentimentos, as que traduzem os pensamentos são as do nosso idioma e são importantes, pois é como a língua materna que as crianças aprendem a pensar.
Valorize, incentive o nosso idioma, impeça a confusão na mente em formação dos nossos filhos, bloqueando a invasão cultural e o uso desnecessário de palavras estranhas ao nosso idioma.
Assim, veremos nossas crianças com raciocínio mais límpido, pensamentos mais densos, reflexões mais profundas.
Colabore para a pureza da língua que colocará nossas comunidades no caminho da melhoria e da transformação da nossa terra num lugar harmônico, bom de se viver, neste século XXI.

DEFENDA A NOSSA LÍNGUA!

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Texto Anterior: Padre Vieira e a legítima sua organização dos quilombos.
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