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Marlene e sua amiga, junto ao portão de sua casa, na antiga Carmo da Cachoeira.

Ajude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço "comentários" para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região.

Comentários

Anônimo disse…
Essas duas jovens estão junto ao portão do antigo cemitério paroquial. O cemitério ficava onde hoje está a Estação Rodoviária da cidade, e este portão ficava exatamente, onde hoje é a rua Dom Inocêncio, esquina com Odilon Pereira. Em frente a este portão existia um espaço (onde hoje está a Credivar e o ponto comercial de nosso colaborador ROGÉRIO VILELA, com uma grande e frondosa mangueira, e logo a seguir a casa paroquial. Segundo documentos dentro do cemitério paroquial havia uma igrejinha. Assim, no mesmo conglomerado, a Casa Paroquial, a pequena igrejinha e ao seu redor o cemitério.
O professor Wanderley Ferreira de Resende diz, p. 27, primeira edição de Carmo da Cachoeira - Origem e Desenvolvimento: "Consta que o primeiro cemitério que existiu aqui era apenas um cercado feito de bambús. Mais tarde fizeram um muro de taipas, substituído depois pelo muro de pedras. O local, o mesmo onde se encontra o cemitério paroquial, ampliado entre 1922 e 1924 pelo então vigário da paróquia, Revmo. Padre Teófilo Saéz, atual vigário de Campos Gerais".(1975)
A irmã do Pe. Teófilo Saéz, morou na CASA NOVA DOS RATES onde existia oratório e localizada um pouco abaixo da Casa Paroquial, na mesma rua Odilon Pereira, esquina com rua Domingos Ribeiro de Rezende. Nesta casa a ainda bem pequena Dionísia, moradora ainda, neste ano de 2008, numa casa próxima, servia a irmã do Pe. Saéz, auxiliando-a em pequenos trabalhos, como acompanhar o cozimento dos alimentos e na padaria existente na casa.
Esta CASA NOVA DOS RATES, e enquanto lá morava a família do Pe. Teófilo Saéz, servia de abrigo aos fiéis que vinham da zona rural e necessitam pernoitar no povoado. Esses relatos vieram através de MARIA PEREIRA - in memorian, zeladora durante toda sua vida da Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Ela nos contava, que ouvia de seu pai - um dos que pernoitava na CASA NOVA DOS RATES o seguinte:" nas noites de calor e com grupo de amigos a conversar em frente a casa, olhavam para o início da rua (a noroeste) e viam fumacinha subindo". Comentavam então que eram gases vindos dos corpos ali enterrados e sendo desfeitos pelo tempo. Traziam como justificativa a grande quantidade de madeiras junto do local que serviam para transportar os corpos de seu lugar de origem até o de sepultamento. "Enterrados os corpos, as madeiras que serviram de transporte eram deixadas no próprio local". Neste local hoje, terreno vazio. Rua Domingos Ribeiro de Rezende, "acima da casa de MANOEL ANTONIO RATES ficava o cemitério com sua cerca de bambu, depois muro de pedras" As tábuas ficavam jogadas no pasto do Ambrósio ao lado", conforme palavras do Sr. Geraldo, in memoriam, irmão do Sr. José da Costa Avelar, in memoriam, durante conversa com o projeto partilha. Confirmava: "muitas tábuas eram encontradas no pasto. Todas que serviram para transportar os corpos, aí enterrados". Os "Alves Costa" confirmam o local, e dizem até ter foto deste muro de pedras, que um deles desmanchou para construir a casa, hoje existe na esquina deste ponto. Vasculhamos todas as caixas junto com a família, no entanto,não encontro-se o registro. A Gunti (apelidada por "cigana", e casada nas: "muita coisa foi perdida"). O Projeto Partilha tem em seus arquivos uma foto. É a casa mais singela que se tem nos arquivos. Muito pequena, com seu fogão a lenha e uma porta que, para entrar, é necessário abaixar-se. Fica junto a este local. Tida, in memoriam e parente do Pe. Godinho nos contava que, jovenzinha e junto de outras jovens, às tardes de domingo ia visitar seus amigos que moravam entre a Estação e o muro de pedras. Paravam para ver o Por do Sol, sentadas no muro de pedras. Dona Neusa Chagas, octogenária conta a mesma história. A arqueologia irá um dia confirmar ou desmentir aquilo que algumas mentes registam ou registraram. Histórias que o povo conta. Não podemos desconsiderar este precioso arquivo guardado nas mentes populares. Aí há grande sabedoria, desinteresse, respeito ao seu passado, a sua gente e a sua história. É tudo o que eles tem. É o seu tesouro. Nosso Tesouro.
Anônimo disse…
Ei, gente. Quer ver um portão bem parecido? Veja na casa dos Bressane Santana na praça. Té pensei que fosse lá que estavam as moças. Acho que era padrão na época. Aí está preservado e é onde mora a diretora da escola Pedro Mestre.
Anônimo disse…
De Breve História de Varginha - MG, p. 58, consta o seguinte:
"Em 1950, Lefort considerou, inicialmente, JOAQUIM VITORIANO DE ANDRADE como primeiro morador de Varginha (Livro n. 2 de Batizados de Campanha, p.7 verso). Em 1993, após realizações de novas pesquisas, passou a considerar outro nome: o do português Francisco Xavier da Cruz. A mudança se deve ao fato de Lefort ter encontrado na Carta de Sesmaria dada a Francisco Xavier da Cruz em 5 de julho de 1771, um trecho que diz:
'possuidor de humas terras citas na mesma freguezia na paragem Catanduba ...' (ARQUIVO Público Mineiro. Livro n.172 de Sesmarias Mineiras, p.97 e 97 verso)".
No entanto, o próprio Lefort afirma que Catanduvas ou Catandubas é nome genérico de diversas localidades brasileiras. Apenas esse topônimo seria, portanto, um dado insuficiente para identificá-lo como sendo Varginha.
A afirmativa de Lefort foi questionada por Jorge Fernando Vilela que diz: "FRANCISCO XAVIER DA CRUZ não foi morador de Varginha. A carta de sesmaria corresponde a Lavras, Livro n.172, p.97 e 97 verso". O pesquisador diz que Lefort cometeu equívocos e precipitações que comprometeram o resultado final de seu trabalho e apresenta vários argumentos para justificar seu questionamento. Não cabe discutir todos aqui. Vilela afirma que Francisco Xavier da Cruz viveu próximo a Lavras.

"nas terras que se estendem ao longo dos vales dos ribeirões do Maranhão e Água Limpa. A fazenda de Francisco Xavier era vizinha da 'Fazenda Três Barras' e da 'Fazenda do Maranhão', ambas no município de Lavras, onde existem com o mesmo nome até hoje".
Vilela apresenta as seguintes sesmarias relacionadas com a história de Varginha e seus respectivos proprietários:
Ponciano Ferreyra da Silva, em 7 de julho de 1780, no ribeirão do Tacho, barra do rio verde (ARQUIVO Público Mineiro. SC 206, p. 175),
Antonio Craveiro, em junho de 1782, na paragem do ribeirão do Tacho (ARQUIVO Público Mineiro. SC 234,p.1),
João Ferreira Alves, em 7 de setembro de 1793, na paragem da Pedra Negra ARQUIVO Público Mineiro. SC 256, p.197) e,
José dos Santos Andrade, 27 de junho de 1798, na paragem das cabeceiras do ribeirão do Tacho (ARQUIVO Público Mineiro. SC 285, p. 38)".
Anônimo disse…
Pergunta: Quem, entre os mais próximos da CACHOEIRA DOS RATES, falou sobre a população indígena?
Resposta: José Roberto Sales, em sua obra Breve História de Varginha - MG, p.46 a 53. Aqui, citação de alguns trechos de sua obra:

Nesta obra, a utilização dos termos "indígena" ou "aborígene para se referir ao conjunto da população nativa encontrada pelos descobridores portugueses no Brasil não implica qualquer juízo de valor, atitude pejorativa ou etnocentrismo.
Indígena é a população autóctone de um país ou que neste se estabeleceu anteriormente a um processo colonizador ou, mais precisamente, a população que habitava as Américas em período anterior à sua colonização por europeus. Por extensão, informalmente, pode-se usar o termo para se referir àquilo que é originário do país, região ou localidade em que se encontra. Esse uso encontra-se de acordo com a etimologia da palavras: do latim indígena,ae: indígena é o natural do lugar em que vive, gerado dentro da terra que lhe é própria (DICIONÁRIO HOUAISS, 2001, p.1605). Durante o século XIX, a palavra 'indígena' foi utilizada por Silva como sinônimo de brasileiro. Ao falar das árvores do Brasil, distinguia esse autor: 'árvores frutíferas, tanto indígenas como exóticas...' (SILVA, 1878/1997, p. 57). Desta forma, o exótico (estrangeiro) é contraposto ao indígena (brasileiro, nacional).
O termo 'aborígene' possui o mesmo significado: cada um dos povos autóctones que ocupavam regiões mais tarde denominadas por europeus (DICIONÁRIO HOUAISS, 2001, p.23).
Para a etnologia, índio é o indivíduo originário de um grupo indígena e é por este reconhecido como membro. De acordo com Antenor Nascente, a etimologia se liga ao topônimo Índia:

A denominação provém de um equívoco de [Cristóvão] Colombo, que, ao tocar a ilha de Guana(h)ni, pensou ter chegado às Índias,... apesar de se ter desfeito de seu engano, o nome ficou e foi preservado até hoje para designar os nativos do novo mundo (Nascentes apud DICIONÁRIO HOUAISS, 2001, p. 1605-1606).
A partir do descobrimento das Américas no século XV, os vocábulos latinos com o radical ind-(Índo/Índus, índio, indiano, índico, etc .) passam a designar nas línguas européias o novo continente e os naturais das terras americanas, as chamadas Índias Ocidentais. Como adjetivo e gentílico usado para os nativos da América, índio ocorre no idioma português entre os séculos XVII e XVIII, precedido por indígena (século XVI) e por gentio (século XIII?). As formas históricas são: indio (sem acento agudo no primeiro "i"): natural ou habitante da Índia (século XIV) e índio: o indígena das Américas (século XVII) (DICIONÁRIO HOUAISS, 2001, p. 1606).
Pode-se também usar o termo 'ameríndio': denominação dada ao índio americano, para distinguí-lo do asiático. A etimologia vem do inglês: Amerindian, contração de American Indian - 'índio americano'. Na linguística, o termo é usado para se referir a qualquer uma das línguas indígenas nativas do continente americano, que são classificadas em grandes grupos denominados filos. A palavra ingressou no idioma português em 1921. São sinônimos de ameríndio: ameraba, amerígena e ameríncola (DICIONÁRIO HOUAISS, 2001, p. 188).
O primeiro nome de Varginha foi Catandubas ou Catanduvas. Mesmo aí já se faz notar a influência do idioma tupi. A etimologia da palavra é 'kaatang tiwa', mato espinhoso e rasteiro, comum em terreno argiloso e pouco fértil. De acordo com o Vocabulário dos Termos Tupis de ' O Selvagem' de Couto de Magalhães (MAURO, 1957), o vocábulo caá quer dizer mato ou folha, sendo prefixo de vários outros cujo significado se refere a mato: caápé = no mato; cápira= limpador de mato; caapõm - capão = mato, e caatinga - catinga= mato, mato branco? Para muitos estudiosos a palavra 'caipira' usada para se referir àqueles que vive no campo ou na roça teria, portanto, origem no idioma tupi, origem essa controversa de acordo com o Dicionário Houaiss (2001).
O naturalista Pio Corrêa (1974, p. 496) afirma que o Pinheiro-do Paraná (araucaria angustifolia), é planta espontânea no Estado de Minas Gerais, 'não sendo desprezível a hipótese de que sua principal zona de dispersão situa-se no Estado de Minas Gerais, de onde partiu para o Sul levada pela bacia dos rios Grande e Paraná'. A partir dessa afirmativa, pode-se levantar a hipótese de que o matagal rasteiro e espinhento, referido pelos antigos, seria formado por árvores em crescimento da araucaria angustifolia (SALES, 2002 e 2003."
"O povoado das Catandubas ou Catanduvas, que viria a ser chamado de Varginha, começo a formar-se ainda no final do século XVIII, depois que a população indígena que habitava a região, principalmente os Catágua, palavra que significa 'gente boa', foram dizimados ou expulsos pelos bandeirantes. Por isso, dentre os diversos índios mineiros esse grupo foi o menos estudado, não podendo contar com as minuciosas descrições dos cientistas viajantes (PAULA, 1967 e 1989). Os portugueses chamavam os índios de gentios, isto é, pagãos, hereges, porque não professavam a fé católica. Pelo menos durante os cem primeiros anos da colonização portuguesa, os índios também eram designados por brasis. Essa palavra encontra-se na Carta do Padre Geral, 1/6/1550, escrita pelo padre José de Anchieta (ANCHIETA, 2006".
"\pesquisa arqueológica desenvolvida na Fazenda das Posses, no município de Varginha, revelou uma urna funerária inteira, em forma de pêra, com tampa, 75 cm de altura e 45 cm de diâmetro na boca. Segundo relatos dignos de crédito (de acordo com Paula, 1967), havia ossos em seu interior. Esse tipo de urna é denominada 'igaçaba' (do tupi:iga saba). O peíodo provavel da fabricação dessas igaçabas é o colonial. Esse material arqueológico foi devidamente fotografado, juntamente com abundante número de fragmentos cerâmicos (PAULA, 1967)".
"Na Fazenda dos Tachos foi encontrado um vaso inteiro, globóide, com 27 cm de altura. Na região de Varginha, a qual inclui os municípios de CARMO DA CACHOEIRA e Elói Mendes, seus antigos distritos, são frequentes os socadores de pilão feitos de pedra, pedra polida ou moleta, machados e soquetes de pedra polida. Isso indica que deve ter sido intenso o uso de alimentação vegetal. De acordo com anotação manuscrita de Paula, em 1968, nas imediações do Automóvel Clube de Varginha no bairro Jardim Andere, foram encontrados fragmentos de urnas funerárias fabricadas por esses indígenas. Pelos motivos expostos, Paula, pesquisador da história indígena de Varginha, considera o Catágua o nosso 'indígena histórico' (PAULA, 1967 e 1989). Ela também afirma se provável que a cultura indígena, estivesse em fase sedentária ou semi-sedentária, na época de sua destruição pelo colonizador branco.
O início do povoamento feito pelo homem branco marca a ruptura com a civilização indígena que ocupava a terra sul-mineira antes mesmo do descobrimento do Brasil em 1500 até o final do século XVII. Esse povoamento tem início com as Entradas e Bandeiras, fatos marcantes da história do período colonial (século XVI a XVIII) que contribuíram para alargar o território brasileiro e povoá-lo, além de descobrir riquezas minerais (pedras e metais)".
Anônimo disse…
Um pedido a TS Bovaris: daria para alterar o título da chamada para "Marlene e sua amiga, junto ao portão de sua casa"? Jorge Fernando Vilela fez o reconhecimento e nos informou. Conversei com a pessoa que passou a foto para o projeto partilha, e ela disse que o que sabia era o que havia informado, mas que não tinha certeza. Assim, confirma-se a informação de nosso colaborador de todas as horas, Jorge Fernando Vilela.
O texto deverá permanecer. Solicito, por favor, adequá-lo. Gratidão.

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