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“Baba Yetu”: o Pai Nosso em Swahili

Simples escrever, o cabloco e alguns acadêmicos.


Carmo da Cachoeira, julho de 1981

Caros amigos,

Por que uma obra com o título de "Gaveta Velha"?

Todos os títulos de livros têm a sua razão de ser e este não escapa à regra portanto, realmente, tudo quanto neste livrinho se vai ler estava engavetado há muitos anos: - são trabalhos selecionados entre mais de uma centena, escritos e publicados em jornais entre os anos de 1930 e 1942 e que agora, com algumas modificações, reúno em volume.

Sobre a minha maneira de escrever. Já me disse alguém que eu sou muito sintético em tudo quanto falo ou escrevo e é uma verdade porque, de fato, a prolixidade não é o meu fraco e além disto o meu estilo é o mais simples possível; é estilo de quem escreve para o povo e por isto mesmo não vou buscar no vocabulário da língua palavras ou expressões que o povo não possa compreender. Para os que gostam de linguagem difícil, com palavras rebuscadas ou criadas sem nenhuma necessidade, aí estão nas livrarias as obras de Guimarães Rosa, de quem disse o acadêmico, cônego Bueno de Sequeira: "O que observo nele é que ele é um escritor obscuro, vale dizer confuso". Pouco mais adiante, continua o mesmo acadêmico: "Eu acho apenas que ele é um escritor esotérico. É um escritor que serve para intelectuais. E sobretudo intelectuais desocupados, que disponham de tempo para ler uma página, e se não compreenderem ainda, perguntar a outros, já que o autor não pode mais ser entrevistado".

Tem muita razão o cônego Bueno da Sequeira e também eu julgo que o badalado escritor mineiro pretendeu criar uma linguagem nova, pouco se importando que o leitor compreendesse ou não o que ele escrevia. Eu mesmo comprei "Sagarana", "Tutaméia" e "Primeiras Estórias". Li pouco, compreendi menos e não quis ler mais. Já temos na vida muitos outros problemas e não precisamos procurá-los na literatura. Pelo menos para que não nos aconteça como no caso desta piada:

No tempo em que o Integralismo estava no auge, um caboclo estava lendo o livrinho "Psicologia da Revolução", de Plínio Salgado; ia passando por ele um advogado, parou, olhou o título do livro e querendo zombar do caboclo, perguntou-lhe:
- Escute aqui, meu amigo. Você compreende o que está lendo nesse livro?
E o caboclo, calmamente respondeu:
- Não, sinhor. Não compreendo não. Mais livro do Prinio, pra nois, é como o evangelho de Nosso Sinhor Jesus Cristo; o padre prega lá na igreja, nois ouve, não compreende, mais acredita.

É por uma destas e outras que o escritor que escreve para o povo deve fazê-lo de modo que o leitor, acredite ou não, leia e compreenda o que leu.É o que eu sempre procuro fazer.

Prof Wanderley Ferreira de Rezende

trecho do Livro: Carmo da Cachoeira: Origem e Desenvolvimento.

Próxima matéria: O prof. Wandico e o pessimismo do prof. Alvarenga.
Matéria Anterior: Professor Wanderley fala da 2ª edição do seu livro.

Comentários

Anônimo disse…
Errata. Tipo de erro: denominação.
Gaveta velha e uma terceira obra do prof. Wanderley Ferreira de Resende. As duas primeiras tratam da cidade. Uma primeira, e depois editada ampliada. GAVETA VELHA foi editada em abril de 1982. Imprensa Oficial.
Anônimo disse…
Ancestrais do Professor WANDERLEY FERREIRA DE RESENDE:
Alexandre Gomes Branquinho. Ano de 1862.
Local: Carmo da Cachoeira, Termo de Lavras. Comarca do Rio Verde. Viúva, dona Ana Emidia de Resende.

Cf. Projeto Compartilhar.

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