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Considerações a história de Carmo da Cachoeira.


No excelente "Anuário Eclesiástico da Diocese de Campanha", para 1959, o ilustre historiador, Mons. José do Patrocínio Lefort, no intuito, aliás muito louvável, de determinar as origens de Carmo da Cachoeira, assim se expressa: "Afeito ao trabalho e possuidor de alguns escravos, (o Capitão Valentim José da Fonseca) adquiriu determinada sorte de terras ao sudoeste de Lavras e procurou fazê-la produzir e ganhar nome. Sua disposição para tudo foi-lhe documento de vitória. Aquela sorte de terras a cavaleiro de um riacho, foi apelidada de fazenda do Maranhão. Realmente era bem um caudal que simulava um mar a correr, na tradução de Teodoro Sampaio. Foi dali que proveio, pouco depois a atual localidade, não obstante outros quererem época mais distante, conceito que desfaremos no capítulo seguinte". Pouco mais adiante, diz ainda Mons. Lefort: "O arraial e capela de N. S. do Carmo do Maranhão, como vimos pelas muitas famílias que a habitavam em 1911, fabricou a atual Carmo da Cachoeira".

Em que pese a indiscutível autoridade de historiados de Mons. Lefort, somos forçados a discordar de tais afirmativas, não só porque o ribeirão que corre nos fundos da cidade - muito pequeno e de modo nenhum se assemelha a um mar a correr, senão também porque os velhos cachoeirenses que conhecemos inclusive nossos antepassados, descendentes de fazendeiros radicados nesta região desde tempos muito antigos, jamais fizeram qualquer referência à tal Capela de N. S. do Carmo do Maranhão ou ao Capitão Valentim José da Fonseca.

A realidade sobre os princípios de Carmo da Cachoeira será esclarecida nas próximas matérias.

Também o esforçado historiador de Três Corações, Benefredo de Souza, em seu interessante trabalho ´"estórias ... ou História do Sete Orelhas?!" comete um pequeno engano quando diz que o Capitão-Mor Manoel dos Reis e Silva tenha sido, talvez um terceiro proprietário da fazenda da Boa Vista. Não. O capitão Manoel dos Reis e Silva foi o proprietário da fazenda do Retiro (I), nome primitivo da fazenda Couro do Cervo, hoje pertencente a herdeiros do Dr. João Otaviano Veiga Lima, que foi casado em primeiras núpcias com D. Elisa Reis, bisneta do capitão Manoel dos Reis e Silva. A fazenda da Boa Vista foi fundada e pertenceu ao capitão José Joaquim Branquinho, que era casado com D. Maria Vitória dos Reis, irmã do capitão Manoel dos Reis e Silva.

Prof Wanderley Ferreira de Rezende

trecho do Livro: Carmo da Cachoeira: Origem e Desenvolvimento.

Próxima matéria: Professor Wanderley fala da 2ª edição do seu livro.
Matéria Anterior: Mito e história de Carmo da Cachoeira.

Comentários

Anônimo disse…
Projeto Partilha: Prof. Wanderley, fale um pouco sobre seus ancestrais.
Wandico: Em gaveta velha, p.22, digo: Jacinta, filha de José Joaquim Gomes Branquinho, da Fazenda Boa Vista, distrito de Lavras do Funil "gostava era do tropeiro que morava com sua família lá para as bandas da Lagoa Dourada e se chamava Joaquim Fernandes. Este passava sempre pela BOA VISTA e, embora não fosse tão íntimo dos donos da fazenda, era o preferido da moça que, por intermédio de uma mucana de confiança, com ele trocava bilhetinhos amorosos". Foi uma parte da conversa que tive com Venâncio que nos contava uma história que me era desconhecida e pela qual estava ansioso para conhecer o desfecho do romance "caso acontecido em nossa terra, com antepassados meus e que, no entanto, desconhecia".
O Venâncio admirou-se:
- Então o senhor é descendente dos Branquinhos da Boa Vista?
- Sou, sim, e vou explicar-lhe uma coisa que o senhor talvez desconheça. Aquele Joaquim Fernandes, preferido da Jacinta, era nada menos que o Capitão Joaquim Fernandes Ribeiro de Rezende, neto da ilhoa Helena Maria, casada com João Rezende Costa e filho de dona Josefa Maria de Rezende, casada com o Coronel Severino Ribeiro. O Capitão Joaquim Fernandes e dona Jacinta eram nossos trisavós. Foram fundadores das Abelhas, onde residiram e moraram".

Projeto Partilha: Lemos em José Guimarães, p.87 de sua obra póstuma, 1998, o seguinte:
"O Cel. Severino Ribeiro prestou relevantes serviços no regimento de cavalaria de milícias de São João del-Rei, marchando em 1776 para o Rio de Janeiro, fardando à sua custa muitos soldados e fazendo na marcha avultada despesa, merecendo por isso os maiores elogios do governo de Minas e do Vice-Rei do Rio de Janeiro. O Cel. Severino veio falecer em 21-12-1800 em Prados com testamento. Josefa Maria de Rezende faleceu em 29-5-1825 em São João del-Rei, sendo sepultada na Capela-Mor da Matriz de Prados no dia 1 de junho, e com testamento datado de 8-7-1813, redigido em São João del-Rei. Filhos: *Severino, falecido na infância;
*Pe. Antônio Ribeiro de Rezende;
*João Ribeiro de Rezende;
*Geraldo Ribeiro de Rezende;
*Helena Maria de Santa Ana;
*José, falecido na infância;
*Leonarda Maria de Rezende, nascida em 6-4-1776, e batizada na Capela de Lagoa Dourada, foi casada duas vezes. A primeira em 15-11-1792 em Prados com o tenente Antônio Ribeiro da Cruz, filho de José Rodrigues da Cruz e de sua primeira mulher FRANCISCA SIQUEIRA DE MORAES ou Francisca Siqueira de Morais, n.p. de João Rodrigues e de Paula da Cruz, família que residia no Pau Grande, Bispado do Rio de Janeiro. Segunda vez, com João Ribeiro de Avelar, residente no rio dos Mirandas;
*Estevão Ribeiro de Rezende;
*Manoel de Jesus;
*Joaquim Fernandes Ribeiro de Rezende, Capitão, nasceu em 27-12-1778, batizado 26-2-1779 na Ermida do Cel. Severino, inventariado em Lavras. Casou-se em 27-4-1801 na Capela de São Francisco do Onça, filial de São João del-Rei (reg. em Prados) com JACINTA PONCIANA BRANQUINHO, filha do Capitão José Joaquim Gomes Branquinho, segundo Arthur Rezende,´proprietários da Fazenda BOA VISTA, entre CARMO DA CACHOEIRA e TRÊS CORAÇÕES, n. p. do Capitão José Gomes e ÂNGELA RIBEIRO DE MORAIS, citadas em outros documentos como ÂNGELA RIBEIRA DE MORAES, casados em Cajuru, hoje Arcângelo, filial de São João del-Rei;
*Maria Clara Ribeiro de Rezende, casada com Antonio dos Reis e Silva (Pouso Real);
*Ana Feliciana, casada com Antonio Pereira Machado;
*Francisca de Paula Galdina de Rezende, nascida na Fazenda de Pouso Real, batizada em 18-4-1784, casou-se duas vezes. A primeira com o alferes Domingos dos Reis e Silva, filho de outro do mesmo nome. Passou para Três Corações do Rio Verde, onde fundaram a Fazenda do Bom Jardim, com culturas de cereais e cana, e mineração de ouro nas margens do rio Verde. Em segundas núpcias com o Comendador Antônio Justiniano Monteiro de Queiróz (só lembrando da Fazenda Pedra Negra de Três Pontas);
*Severino Eulógio Ribeiro de Rezende, batizado em 11-3-1786 na Ermida de N. Sra. da Conceição do Cel. Severino. Foi casado com Luíza de Ávila Lobo Leite, nascida cerca de 1773, filha do Capitão Luís Lobo Leite Pereira, nascido em Cachoeira do Campo e de Maria Josefa de Ávila e Silva. Mudaram-se para CAMPANHA, estabelecendo-se na fazenda São Bernardo. Faleceu em 8-10-1842, com 50 anos;
*Vitória, citada por Arthur Rezende, na "Genealogia dos Fundadores de Cataguazes", sem prova documental (1996).
Anônimo disse…
Quando o Projeto Partilha este no local, onde foi a residência de JOAQUIM FERNANDES RIBEIRO DE REZENDE e de dona JACINTA PONCIANA BRANQUINHO, acompanhado da tradicional FAMÍLIA NAVES, ainda residente nas imediações, ouviu deles, ao apontar para uma ex-estradinha, coberta pela vegetação: vejam, aqui era a única entrada da Fazenda. Pelo que se percebeu, era um recanto incrustado na mata. Hoje com os dados genealógicos auxiliando, consegue-se se reescrever a história e perceber detalhes, que na ocasião se passava despercebido. O próprio professor WANDERLEY FERREIRA DE RESENDE desconhecia os detalhes da ligação de sua família com o movimento da Inconfidência Mineira. Foi através de Venâncio, descendente de antigos trabalhadores de seus ancestrais que se inteirou, reescreveu e registrou a história.
O Projeto Partilha refazendo a caminhada do prof. WANDICO, e com auxilio da FAMÍLIA NAVES, percebeu o quanto escondido vivia o JOAQUIM FERNANDES RIBEIRO DE REZENDE. Hoje não existe mais o antigo casarão colonial onde morou com dona Jacinta e criou sua família - FAZENDA DAS ABELHAS.

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