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ABUSO E EXPLORAÇÃO INFANTIL

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Escravos, por sexo e raça nos séculos XVIII e XIX.



(A visão do colono branco oitocentista que via os negros como a seres inferiores e disformes....)

... não é muito diferente da encontrada por Luna1, ainda que em épocas diferentes. Ao analisar a estrutura de posse de escravos para o período de 1718 a 1804, chegou a números expressivos quanto à diferenciação dos sexos dos escravos nas Vilas de Pitangui, Serro do Frio, Sabará, São Caetano e Vila Rica. O citado autor encontrou nas fontes por ele utilizadas2, um total de 11.986 homens e apenas 3.508 mulheres.

A esmagadora maioria de homens entre os fugitivos nos anúncios e na estrutura de posse analisada por Luna, não deve ser explicada somente pelo fato de que eram predominantes no conjunto da escravaria. A presença pouco marcante de mulheres, sejam elas crioulas ou africanas, no contingente de fugitivos, deve ser também questionada a partir das suas relações familiares. O motivo principal para tão baixo resultado, se comparado com os homens, é provavelmente o estabelecimento de laços familiares fortes o bastante para evitar as fugas e, principalmente, a existência de crianças que dependeriam delas. No caso mineiro há ainda a grande possibilidade de alforrias conseguidas pelas mulheres, desencorajando-as a partir para uma atitude tão radical como a fuga. Segundo Luna e Cano3 a grande diferença entre homens e mulheres, mesmo para a população livre, favorecia as relações entre senhores e escravas, “...conferindo a elas e às suas crias, maiores chances de serem alforriadas”.4

Os anúncios do Jornal “O Universaldemonstraram que mesmo em um conjunto tão pequeno de cativos, a proporção de escravos africanos era maior que a de crioulos. Novamente estes dados estão em consonância com pesquisas demográficas feitas para Minas Gerais.

Com relação à procedência dos escravos, Luna identificou que a imensa maioria era formada por
africanos, (12.046) enquanto que os crioulos perfaziam um total de 3.275 cativos. Contudo, salienta que entre os anos de 1718 a 1738, o percentual de africanos dentre a massa escrava flutuou em torno de 82,2 %, em Pitangui, a 94,9% em Serro do Frio, mas que estes índices sofreram um processo de declínio a partir de 1771, ocasionado pela diminuição da mineração e aumento dos nascimentos de escravos na colônia.

Os anúncios do Jornal aqui analisado mostram uma realidade bastante próxima à encontrada por Luna no que se refere à divisão étnica dos cativos. Este autor percebeu que a diferença entre africanos e crioulos tendeu a uma progressiva diminuição no decorrer dos anos. Esta mesma diferença foi identificada por Almeida5, ao analisar os inventários post mortem da Vila de Mariana entre os anos de 1750 a 1850. A autora percebeu que a razão de africanidade entre os cativos também tendeu a um declínio. Assim, em 1750 esta razão era de 157,8 africanos e em 1850, a taxa já havia caído para 37,9. O que significam estes dados? Almeida acredita que eles podem ser explicados principalmente pelo crescimento vegetativo dos escravos crioulos.


Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.
Próximo Texto:
Texto Anterior: 106 escravos procurados no jornal "O Universal".


1 LUNA, Francisco Vidal. Estrutura da posse de escravos . In: Minas Colonial: Economia e sociedade. São Paulo: FIPE e Pioneira Ed. 1982
2 Livros de arrecadação dos quintos e censos populacionais.
3 LUNA, Francisco V. e CANO, Wilson. Economia escravista em Minas Gerais. In: Cadernos do IFCH-UNICAMP. Campinas, n. 10, out. 1983
4 ALMEIDA,Carla Maria Carvalho de. Alterações nas unidades produtivas mineiras: Mariana,1750-1850. Niterói, 1994. Dissertação (Mestrado em História) - UFF.
5 ibidem

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