O negro passa a ser visto como indivíduo como forma de identificação.



Se para a população branca, os negros por si só já representavam perigos reais a suas vidas, o que não dizer quando estes mesmos negros organizavam-se em padrões sociais mantendo características africanas? Significava em última análise que mesmo sob o aparente controle, eles conseguiam burlar a vigilância. E isto era muito perigoso para os senhores.

Percebe-se nos documentos da época, que mesmo havendo uma grande preocupação por parte
das autoridades com a sujeição dos escravos, havia também uma falta de preocupação com o cativo enquanto indivíduo. Todavia, isto mudava radicalmente quando ele não aceitava passivamente sua condição e fugia.


Neste momento era necessário descrevê-lo de outra forma, com outras características que não aquelas gerais. Era necessário individualizá-lo, oferecer detalhes físicos ou mesmo psicológicos. Estas características individuais olhadas em conjunto graças aos anúncios que eram publicados nos diversos jornais da época, permitem traçar uma visão sobre o negro que conseguia fugir do sistema.


Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.
Próximo Texto: 106 escravos procurados no jornal "O Universal".
Texto Anterior: Como a africanidade era percebida pela população e pelas autoridades mineiras.


Figura: O UNIVERSAL. Ouro Preto. 25.5.1836. p. 4

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