Pular para o conteúdo principal

Getúlio Vargas passa por Carmo da Cachoeira.

Dia 11 de outubro foi um dia lutuoso para o arraial, porque foi sepultado o Álvaro Dias de Oliveira, de tradicional família cachoeirense e durante perto de trinta anos agente postal local. Apesar deste triste acontecimento, aquela data ficou também marcada em nossa história, porque, pela primeira vez os cachoeirenses viram um avião cruzar os céus do arraial. Era um teco-teco a serviço da revolução e que vinha fazer reconhecimento sobre o quartel do Quarto Regimento de Cavalaria Divisionária sediado em Três Corações e que se mantinha fiel ao Governo Federal. Embora estivesse voando a grande altura, o piloto deve ter observado como o povo saía para as ruas, acenando para ele com panos vermelhos.

Ao sobrevoar Carmo da Cachoeira, o piloto atirou um pacote que, tocado pelo vento, foi cair bem longe, lá para os campos de São Marcos. Alguns meninos que saíram correndo, acompanhando o rumo que tomava o pacote, chegaram no momento exato em que ele tocava o solo. Pegaram-no e trouxera-no para o arraial, onde todos esperavam com ansiedade a volta dos garotos. Eram jornais da Capital Mineira e nos quais se encontravam notícias detalhadas da situação nacional.

Isto aconteceu no arraial, onde ninguém manifestou o menor temor; mas nas roças, correu por aqui que muita gente se escondeu até debaixo das camas à passagem do avião, enquanto lá na Fazenda da Boa Vista o preto velho Belisário dizia profeticamente ao seu patrão João Vilela Fialho:

-É sô cumpadre. Desta veis o guverno tá mesmo perdido. Passarinho do Getúlio Varga já tá voando aí ...

Não tornamos a ver o avião, nem dele tivemos qualquer notícia. Também poucos dias mais depois terminava a luta com a vitória da revolução e decorrido algum tempo, passava pela Estação Ferroviária do Couro do Cervo às dez horas da noite, um Especial da Rede Mineira de Viação, conduzindo o Chefe do Governo Provisório da República. O povo para lá se deslocou com banda de música e foguetes, improvisando grande manifestação àquele que era, naqueles tempos, o ídolo do povo brasileiro: o Dr. Getúlio Dorneles Vargas.

Prof Wanderley Ferreira de Rezende

trecho do Livro: Carmo da Cachoeira: Origem e Desenvolvimento

Próxima matéria: O patrimônio inicial da capela de N. Sra. do Carmo.
Matéria Anterior: O prof. Wandico e o pessimismo do prof. Alvarenga.

Comentários

projeto partilha disse…
O devoto, historiador e escritor ribeirense, Márcio Salviano Vilela, por Pedro Coimbra. "Um dia cinzento (...) leio o livro Sobre trilhos - Subsídios para a história de Ribeirão Vermelho, de Márcio Salviano Vilela, editada em 1998, na Indi Gráfica Editora, de Antônio Massahud. O livro entusiasmou, pela precisão de dados e forma simples como são colocados no papel, ainda mais que meu conhecimento de navegação fluvial e de ferrovias (...). Cf.: Varginha Online - Notícias, Entretenimento e Guia Comercial do Sul de Minas - Windows Internet Explorer. Texto: Domingo pé de cachimbo. Coluna - Novas Fronteiras. ppadua@navinet.com.br
Em 07-08-2009, Márcio diz: Olá Pe. Joãozinho (...) programa direção espiritual. Quero parabenizá-lo pela sua inteligência. Peço sua benção para mim e toda minha família.
projeto partilha disse…
Ana Inácia Xavier tem seu estudo atualizado em 15-Novembro-2008, pelo Projeto Compartilhar. Casada que com o capitão Roque de Souza Magalhães são sogros de Marianna de Almeida e Silva. Ana Inácia foi moradora em Pedra Branca de Santa Catarina, Freguesia de Campanha do Rio Verde vindo a falecer em Baependi, Minas Gerais, onde foi sepultada em 14-09-1800. Confira no Projeto Compartilhar.
projeto partilha disse…
Em fragmento: José Pinto Mesquita e sua mulher (permuta) com Antonio Oliveira Valada, terreno situado à Rua Domingos Ribeiro de Rezende que houveram de Francisco Guilherme Júnior e sua mulher - Registro de Imóveis de Varginha Livro N.3-A, fls.75, sob N.10.341 (4,84 hectares e oito dividindo (...) Na Rua Domingos Ribeiro de Rezende, desce por cerca de arame, dividindo com Antonio Raimundo de Sousa e Mário Garcia Reis até o Ribeirão de Carmo da Cachoeira, daí à direita descendo o Ribeirão divisando com José Bressane de Santana e Jorge Tomás da Silva, até encontrar uma cerca de arame, à direita deixando o Ribeirão, sobe pela cerca de arame divisando com Benjamim Tomás da Silva até encontrar o corredor, segue pelo corredor, até encontrar um valo, na divisa de Francelina de Tal, daí, segue a direita, pelo valo e cerca de arame, divisando com Francelina de Tal, Zulmira de Tal, herdeiros de Lino Augusto da Costa, Olimpio Virgolino de Souza, Jarbas de Sousa até sair na Rua Domingos Ribeiro de Rezende e seguindo à direita com a referida Rua Domingos Ribeiro, até às divisas de Antonio Rainuncio de Sousa, onde teve inicio esta demarcação. (...) casa de morada, de construção suas, situado nesta cidade, a Rua Barão de Lavras (12,5 por 35m) dividindo por um lado, com José Batista Nogueira, pelos fundos com Martinha de Tal, por outro com Antonio Junqueira Gouvêa. A dita casa de morada e terrenos (...) pertencentes aos primeiros outorgantes permutantes José Pinto Mesquita e sua mulher (...) ficam pertencendo, de hoje para sempre, aos segundos. Ass. Antonio Oliveira Valada e sua mulher.

Postagens mais visitadas deste blog

Tabela Cronológica 10 - Carmo da Cachoeira

Tabela 10 - de 1800 até o Reino Unido - 1815 - Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - 1815 ü 30/Jan – capitão Manuel de Jesus Pereira foi nomeado comandante da Cia. de Ordenanças da ermida de Campo Lindo; e ü instalada a vila de Jacuí . 1816 1816-1826 – Reinado de Dom João VI – após a Independência em 1822, D. João VI assumiu a qualidade e dignidade de imperador titular do Brasil de jure , abdicando simultaneamente dessa coroa para seu filho Dom Pedro I . ü Miguel Antônio Rates disse que pretendia se mudar para a paragem do Mandu . 1817 17/Dez – Antônio Dias de Gouveia deixou viúva Ana Teresa de Jesus . A família foi convocada por peritos para a divisão dos bens, feita e assinada na paragem da Ponte Falsa . 1818 ü Fazendeiros sul-mineiros requereram a licença para implementação da “ Estrada do Picu ”, atravessando a serra da Mantiqueira e encontrando-se com a que vinha da Província de São Paulo pelo vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, na alt

As três ilhoas de José Guimarães

Fazenda do Paraíso de Francisco Garcia de Figueiredo Francisco Garcia de Figueiredo é citado como um dos condôminos / herdeiros da tradicional família formada por Manuel Gonçalves Corrêa (o Burgão) e Maria Nunes. Linhagistas conspícuos, como Ary Florenzano, Mons. José Patrocínio Lefort, José Guimarães, Amélio Garcia de Miranda afirmam que as Famílias Figueiredo, Vilela, Andrade Reis, Junqueira existentes nesta região tem a sua ascendência mais remota neste casal, naturais da Freguesia de Nossa Senhora das Angústias, Vila de Horta, Ilha do Fayal, Arquipélago dos Açores, Bispado de Angra. Deixaram três filhos que, para o Brasil, por volta de 1723, imigraram. Eram as três célebres ILHOAS. Júlia Maria da Caridade era uma delas, nascida em 8.2.1707 e que foi casada com Diogo Garcia. Diogo Garcia deixou solene testamento assinado em 23.3.1762. Diz ele, entre tantas outras ordenações: E para darem empreendimento a tudo aqui declarado, torno a pedir a minha mulher Julia Maria da Caridade e mai

A Família Campos no Sul de Minas Gerais.

P edro Romeiro de Campos é o ancestral da família Campos do Sul de Minas , especialmente de Três Pontas . Não consegui estabelecer ligação com os Campos de Pitangui , descendentes de Joaquina do Pompéu . P edro Romeiro de Campos foi Sesmeiro nas Cabeceiras do Córrego Quebra - Canoas ¹ . Residia em Barra Longa e casou-se com Luiza de Souza Castro ² que era bisneta de Salvador Fernandes Furtado de Mendonça . Filhos do casal: - Ana Pulqueria da Siqueira casado com José Dias de Souza; - Cônego Francisco da Silva Campos , ordenado em São Paulo , a 18.12. 1778 , foi um catequizador dos índios da Zona da Mata ; - Pe. José da Silva Campos, batatizado em Barra Longa a 04.09. 1759 ; - João Romeiro Furtado de Mendonça; - Joaquim da Silva Campos , Cirurgião-Mor casado com Rosa Maria de Jesus, filha de Francisco Gonçalves Landim e Paula dos Anjos Filhos, segundo informações de familiares: - Ana Rosa Silveria de Jesus e Campos , primeira esposa de Antônio José Rabelo Silva Pereira , este nascido

A família do Pe. Manoel Francisco Maciel em Minas.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. Próxima imagem: Sete de Setembro em Carmo da Cachoeira em 1977. Imagem anterior: Uma antiga família de Carmo da Cachoeira.

Um poema à Imaculada Conceição Aparecida.

Por esse dogma que tanto te enaltece, Por tua Santa e Imaculada Conceição, Nós te louvamos, ó Maria, nesta prece, Mulher bendita, as nações te chamarão! Salve, Rainha, ó Mãe da Misericórdia! Nossa esperança, nosso alento e vigor, A nossa Pátria, vem, liberta da discórdia, Da ignomínia, da injustiça e desamor! Tu família, aqui, hoje reunida, Encontra forças no seu lento caminhar. A ti recorre, Virgem Santa Aparecida, Nosso caminho vem, ó Mãe, iluminar! Somente tu foste escolhida e preparada Por Deus, o Pai, que com carinho te ornou, Para fazer do Filho Seu, digna morada! Pelo teu sim, a humanidade se salvou. Novo Milênio, com Maria festejamos, Agradecendo tantas graças ao Senhor. Com passos firmes, nova etapa iniciamos, Com muita fé, muita esperança e muito amor. Trecho da obra: Encontros e desencontros de Maria Antonietta de Rezende Projeto Partilha - Leonor Rizzi Próximo Texto: A túnica Inconsútil, um poema de fé. Texto Anterior: A prece da poeta e professora Maria Antonie

A família Faria no Sul de Minas Gerais.

Trecho da obra de Otávio J. Alvarenga : - TERRA DOS COQUEIROS (Reminiscências) - A família Faria tem aqui raiz mais afastada na pessoa do capitão Bento de Faria Neves , o velho. Era natural da Freguesia de São Miguel, termo de Bastos, do Arcebispado de Braga (Portugal). Filho de Antônio de Faria e de Maria da Mota. Casou-se com Ana Maria de Oliveira que era natural de São João del-Rei, e filha de Antônio Rodrigues do Prado e de Francisca Cordeiro de Lima. Levou esse casal à pia batismal, em Lavras , os seguintes filhos: - Maria Theresa de Faria, casada com José Ferreira de Brito; - Francisco José de Faria, a 21-9-1765; - Ana Jacinta de Faria, casada com Francisco Afonso da Rosa; - João de Faria, a 24-8-1767; - Amaro de Faria, a 24-6-1771; - Bento de Faria de Neves Júnior, a 27-3-1769; - Thereza Maria, casada com Francisco Pereira da Silva; e - Brígida, a 8-4-1776 (ou Brizida de Faria) (ou Brizida Angélica) , casada com Simão Martins Ferreira. B ento de Faria Neves Júnior , casou-se

Foto de família: os Vilela de Carmo da Cachoeira-MG.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. E sta foto foi nos enviada p or Rogério Vilela. Da esquerda para a direita: Custódio Vilela Palmeira, Ercília Dias de Oliveira, Fernando de Oliviera Vilela, Adozina Costa (Dozica), Jafoino de Azevedo e José de Oliveira Vilela (Zé Custódio). Imagem anterior: Sinopse Estatística de Carmo da Cachoeira - 1948

Antiga foto da cidade de Carmo da Cachoeira.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. Foto: Paulo Naves dos Reis Próxima imagem: Imagem da mata da fazenda Caxambu em Minas. Imagem anterior: Um pouco sobre a região do distrito de Palmital.

Biografia de Maria Antonietta de Rezende.

O prefeito municipal e a secretária de Educação, Cultura e Lazer, ao assinarem a apresentação da obra: “Atlas Escolar. Histórico e Geográfico do Município de Carmo da Cachoeira – MG. Edição 2007” declararam: “ Este Atlas permite às crianças descobrirem protagonistas de sua história. Conhecendo, passam contribuir para potencializar o que ela tem de bom, preservar seu patrimônio e símbolos do passado .” D entre os símbolos , o Hino da cidade. Escrito pela Professora Maria Antonietta , encontra-se em fase de oficialização. A tradição garante a manutenção desta criação. O povo canta , reconhece o hino de sua cidade, e atento acompanha o processo de sua oficialização. A administração pública e Câmara municipal apoiam a manutenção daquilo que foi consagrado pela tradição. Dois pontos fortes na letra do hino bastam para garantir sua oficialização. O primeiro é o que diz da religiosidade presente na população e que a cada dia se torna mais revelador da identidade e vocação de Carmo da

Eis o amor caridade, eis a Irmã Míriam Kolling.

À Irmã Míria T. Kolling: Não esqueçam o amor Eis o amor caridade , dom da eternidade Que na entrega da vida, na paz repartida se faz comunhão ! Deus é tudo em meu nada: sede e fome de amar! Por Jesus e Maria, Mãe Imaculada todo mundo a salvar! " Não esqueçam o amor ", Dom maior, muito além dos limites humanos do ser, Deus em nós, entrega total! Não se nasce sem dor, por amor assumida: Nada resta ao final do caminho da vida a não ser o amor . Próximo artigo: Até breve, Maria Leopoldina Fiorentini. Artigo anterior: Os Juqueiras, Evando Pazini e a fazenda da Lage