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Os intelectuais e as fugas dos escravos mineiros.

As primeiras análises escritas feitas na Colônia por cronistas e escritores não se preocuparam em descrever a existência de quilombos e de escravos aquilombados. A exceção foi Palmares e mesmo assim, recebeu pouca atenção. Dentre os que de uma forma ou de outra trataram sobre este tema, pode-se destacar um escritor anônimo do século XVII1, Antônio Vieira, em um breve comentário feito em 16912, Rocha Pita3 e Domingos Loreto Couto4.

O que se identifica nas obras citadas, com exceção de Vieira que não se preocupou em analisar as causas das fugas e da formação do quilombo, é que existiam alguns motivos que levavam os escravos à fuga. Os principais seriam o ócio, a fome e o frio. Caberia aos senhores evitar todos esses problemas para que elas não ocorressem. Para estes autores, os cativos não seriam capazes de fugir visando uma alternativa de vida fora do cativeiro.

Os escravos fugiam porque não recebiam comida e vestimentas necessárias à sua manutenção. Com relação ao ócio, novamente ele é apontado como causador de problemas nas fazendas. O ócio levava aos vícios que levavam ao pecado que levava à perdição dos senhores e mesmo da colônia.

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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1 Relação das guerras feitas aos Palmares de Pernambuco no tempo do Governador D. Pedro de Almeida, de 1675-1678. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. 1859, vol 22. P. 305
2 Carta do Padre Antônio Vieira a certo fidalgo. Bahia, 2 de junho de 1691. Apud. J. L. de Azevedo. História de Antonio Vieira. Lisboa, vol. II. P. 372
3 PITA, Sebastião da Rocha. História da América portuguesa. Lisboa: Ed. Francisco Artur da Silva, 1880. p. 214 e ss
4 COUTO, Domingos Loureto. Desagravos do Brasil e glórias de Pernambuco. In: Anais da Biblioteca Nacional. Livro 8, vol. 25. Cap. IV, p. 540

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