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A história de Carmo da Cachoeira segundo Maciel.


No meado do século 17, em 1753, mais ou menos, o famoso bandeirante Fernão Dias Paes Leme, vindo de São Paulo, com destino a Itacolomy, segundo a lenda dos índios, chamava-se Serra Resplandecente, ao pé da qual ficava a lagoa chamada Vupabuçu, onde se encontrava em abundância as chamadas esmeraldas, pedras verdes. Fernão Dias transpôs a Serra da Mantiqueira, fundou o arraial do Sítio, hoje Baependy. De lá, margeando o Rio Verde, depois em direção ao Norte de Minas, chegou a um lugar saudável, de verdejantes matas e campinas onduladas. Como de costume, depois de percorrer durante a época da seca, ao entrar o tempo das chuvas, o bandeirante aí descansou, fabricou umas cabanas e passou o tempo das chuvas. Seguiu viagem rumo ao norte, deixando no lugar que ficou chamado Boa Vista, nome que se conserva até hoje, ficando no acampamento alguns dos companheiros bandeirantes, segundo a tradição, eram Reis, Rezende, Vilela e Garcia1.

Mais tarde em 1780, Boa Vista pertencia ao Capitão-mor, Manoel dos Reis Silva. Falecido, devia ser sepultado em Lavras do Funil, mas como os rios estavam cheios e o sepultamento deveria ser dentro do prazo para evitar a putrefação, foi sepultado na propriedade de uma família italiana ou espanhola chamada Ratis ou Rates. Construindo aí um cemitério2 que continuou servindo de jazigo a todos que falecessem, em redor do qual foram construindo casas e mais tarde uma capelinha.

Em 3 de Julho 1857, pela Lei Provincial nº. 805 foi criada a Freguesia de Carmo da Cachoeira e seu distrito que pela lei nº. 2 de 14 de Setembro de 1891 confirmou sua criação, tendo como padroeira N. S. do Carmo, uma gleba de terras no meio da qual se encontrava e encontra até hoje o cemitério. Como a gleba de terra doada confrontava aos fundos por um Ribeirão no qual existe uma cachoeira, a única no referido Ribeirão, que pertencia à Família Ratis. Ao se mudar para Varginha, fez a doação das terras à Paróquia recém criada. O nome Carmo da Cachoeira foi dado em homenagem a tão linda e única Cachoeira do Ribeirão, hoje tão desprezada pelos Cachoeirenses!

Ao ser criada a Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, o Arraial possuía 94 casas; a igreja pequena foi reconstruída sob a direção do prestimoso fazendeiro Severino Ribeiro de Rezende. A freguesia passou nos últimos meses de 1873, por uma deplorável epidemia de bexiga que matou mais de 200 pessoas, durante a epidemia foi assistida a população pelo filantrópico medico Dr. Augusto José da Silva, médico que veio de Lavras para prestar as visitas da Bexiga ou varíola, todo o auxílio de sua ciência medica; e o benemérito fazendeiro João Alves de Gouvêa que muito auxiliou a população com sua generosidade. A Paróquia pelo Tenente José Fernandes, cuja fazenda se localizava no lugar onde se encontra a casa de dona Felicidade de Figueiredo Reis; doação esta que abrangeu desde o córrego que hoje se chama da cadeia, até o Ribeirão da Cachoeira, confrontando já com a Paróquia mais ou menos onde hoje é a Rua Antônio Justiniano dos Reis; até o Vale do chamado pasto do Zé Santana, fechando dentro deste perímetro a Igreja Matriz.

O distrito de Carmo da Cachoeira era um dos distritos do município de Varginha até o Decreto Lei nº. 148, de 17 de Dezembro de 1938, quando foi criado o Município de Carmo da Cachoeira.

Município de Carmo da Cachoeira confronta com os municípios de Varginha, Três Pontas, Nepomuceno, Lavras, Luminárias e parte de Três Corações. Suas altitudes variam de 800 a 1.500 metros de altitude; possui um clima saudável e água cristalina; cultiva-se no Município: café, milho, arroz, feijão; sendo bem desenvolvida a pecuária; a avicultura, apicultura, etc.

A sede do município conta com mais de mil casas de residências, com uma população urbana para mais de 5.000 pessoas. Possui dois grupos escolares, um Ginásio e uma Escola Normal; dois Clubes Recreativos, um cinema, Matriz, Sede, Correios e telégrafos, médicos assistentes, um Posto de Saúde, advogados, cartório de sete casas de comercio, uma padaria, posto de gasolina, fabricas de leite diária vai alem dos 20.000 litros.

Dentro do Município de Carmo da Cachoeira, ficava a Capela do São Bento do Campo Belo, do Padre Bento Ferreira, dono de uma sesmaria de 3 léguas que começava no Córrego do Palmital, até o Rio do Peixe. Padre Bento construiu a atual Capela de São Bento, dando-lhe como patrimônio parte de suas terras, o restante da Sesmaria ficou constituindo a Fazenda do Campo Belo que até hoje conserva o nome. Por a morte do Padre Bento, em 1784, ficou a capela ao zelo dos moradores da fazenda. Dez anos depois, do falecimento do pio religioso, Manoel Francisco Ferreira, construiu o primeiro prédio no patrimônio, hoje cidade de São Bento Abade.

Carmo da Cachoeira, 8 de agosto de 1971.

Antonio Bonifácio Maciel


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1 – Santos, 1937, pg 21: “Nesse tempo, na província de Minas Gerais, próximo a freguesia de Carmo da Cachoeira, hoje pertencente ao município de Varginha, residia, Antônio Garcia Duarte...”
2 – Em pesquisa nos arquivo do Professor Wanderley Ferreira de Rezende, no ano de 2006, pudemos ler o seguinte, em suas anotações: “o senhor José Mariano diz que tinha 12 anos quando foi batizado. O acontecimento ocorreu em 1855, quando foi bento o cemitério”.

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