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O ataque ao quilombo de Ambrósio.


Quando a população de Ambrósio já não esperava mais o embate, repentinamente foi cercada, uma vez que os espias foram mortos silenciosamente pelas flechas. O ataque ocorreu de manhã bem cedo, no momento em que muitos quilombolas ainda estavam acordando e outros assistindo a missa diária. A batalha foi trágica e mostrou a ferocidade dos membros da expedição.

“...E os lamentos dos que caiam ceifados pelas balas, e os gemidos das mães varadas, quando ainda no leito, e os vagidos lancinantes das inocentes criancinhas pilhadas pelos estilhaços, pelos ricochetes dos projeteis, na última sucção do leite materno, e o vozear infrene dos sitiantes, o clangor dos clarins, e o alvorotos dos sitiados espavoridos, correndo ás armas, contrastavam-se com o ribombo sinistro da artilharia e o pipocar cerrado da fuzilaria, vomitando a morte contra o povo inerme, contra velhos trôpegos, mães fraquíssimas e presas no leito, criancinhas incapazes, contra a velhice, contra a fraqueza, contra a inocência!...”

O embate durou algumas horas. No início, os quilombolas usaram armas de fogo, mas a munição
acabou e passaram a lutar com flechas. “... Cerca de 9 horas da manhã, acabada a munição para as armas de fogo, os sitiados, o resto de bravos que sobreviviam, a peito descoberto, sobem as muralhas e despejam contra os sitiantes um chuveiro de flechas... Sobre as muralhas flechavam os sitiantes; mas caíam aos punhados pelas esfuziantes balas da fuzilaria, que não perdoava...”
Depois de horas de batalha, Ambrósio percebeu que não poderia fazer mais nada. Recolheu seu povo e iniciou um sacrifício coletivo, onde seus comandantes degolavam os quilombolas a fim de que não fossem presos e reconduzidos ao cativeiro.

Do alto do trono, vestido como um rei que era, assistia ao sacrifício de seu povo. “...Trajava sobrecasaca de pano finíssimo, com galões dourados e botões de ouro; calças da mesma fazenda com largas listras vermelhas, nas costuras, lado exterior; camisa de cambraia; chapéu de Braga com cinco bambolins de retrós, pendentes para as costas; botas pretas e justas, de bico fino e salto de prateleira, esporas de prata com correntes. Por armas prediletas tinha Ambrósio uma linda espada, um jogo de pistolas, rico punhal e uma espingarda inglesa, de dois canos, tudo bordado a prata e ouro. ..”

Uma mulher em desespero conseguiu fugir, e avisar à tropa o que estava acontecendo. Os soldados que ainda estavam recolhendo seus próprios mortos, entraram no quilombo e impediram a continuação da matança.

O comandante das tropas ao ver Ambrósio, percebeu que ali estava muito mais do que um simples negro:

“... Ambrósio ergueu-se, sereno e majestoso, e fitou os olhos do comandante, que, então, pôde reconhecer o homem que jamais venceria, o leão que nunca domaria, se aquela inteligência fosse aquecida pelo benefício do sol da civilização e não vítima do obscurantismo e das superstições próprias das pragas africanas...”

texto de Marcia Amantino.

Próximo texto: A paga da traição.

Algumas citações que aparecem neste trabalho a respeito do Rei Ambrósio são oriundas de um texto de Gama, conforme trecho deste blog de 25 de maio de 2008.
Obs do prof Tarcísio José Martins: Reitero, de novo. Isto não é história. É um conto, um romance, de um autor chamado Joaquim do Carmo Gama. O texto NÃO informa que se trata de um conto, copiado pela Sra. Márcia Amantino. Isto é danoso para o conhecimento de nossas crianças. Divulgue o conto, mas registre em todas as páginas que é só um CONTO.

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