Pular para o conteúdo principal

Fazenda das Abelhas - 1ª parte

O artigo "Fazenda das Abelhas" foi originalmente escrito para ser publicado na versão impressa do Projeto Partilha, no entanto visto estarmos tratando neste período do distrito da Boa Vista, nada mais adequado que este interessante artigo de nosso importante colaborador. Para adequar sua publicação ao formato deste blog, dividimos em três partes.


Fazenda das Abelhas - 1ª parte


Foi em meados do século XVIII, que grandes fazendas se instalaram no interior de Minas Gerais. O interessado em explorar e dominar novas áreas fazia um pedido ao Governador da Capitania de Minas Gerais dizendo de seu interesse de exploração e cultivo. Em resposta, o governo concedia o pedido através de uma carta chamada de Carta de Sesmaria, mas com a condição de Sesmeiro ocupá-la e faze-la produzir.


Abaixo, encontramos um trecho de uma dessas cartas:

"[...] porem que sera obrigado dentro em hú anno que se contará da data desta ademarcala judicialmente sendo para esse efeito notificados os vezinhos com quem partir para allegarem que for a bem da sua justiça e elle o será tão bem a povoar cultivar a dita meya legoa de terra ou parte della dentro em dous annos, e qual não comprehenderá ambas as margens de algum Rio Navegável porque neste cazo ficará d ehua, e outra banda delle a terra que baste para o uso publico dos passageiros, e de huma das bandas junto a margem do mesmo Rio se deixará livre meya legoa de terras para comodidade, publica e de quem arrendar a dita passajem como determina a nova ordem do dito Senhor [...]” (AHU – cx.100 – doc.37 – A771 – fl3).

Para acatar este pedido, as grandes fazendas fundavam novas sedes nas periferias da sesmaria a fim de demarcar território e manter divisas. Assim aconteceu com a Fazenda Boa Vista e deste modo, seus herdeiros herdaram e fundaram:

Fazenda Taquaral (Alexandre Gomes Branquinho);
Fazenda do Ribeirão e do Prata – (José Justiniano Branquinho);
Fazenda Serrinha (Luiz Gonzaga Branquinho);
Fazenda Boa Vista (João Damasceno Branquinho) após divisão;
Fazenda das Abelhas (Jacinta Ponciana Branquinho).

Wanderley Ferreira de Resende em seu livro Carmo da Cachoeira - Origem e Desenvolvimento narra à história de Joaquim Fernandes Ribeiro de Rezende. Tropeiro vindo de imediações de São João Del Rei, mais precisamente Lagoa Dourada, que passando por esta região em terras de José Joaquim Gomes Branquinho, antigo dono da Fazenda Boa Vista conheceu Jacinta Ponciana Branquinho, uma das filhas do fazendeiro e que posteriormente veio a se casar.
Joaquim Fernandes vem de família tradicional, tronco importante da história de nosso país. Era irmão de Estevão Ribeiro de Rezende, (Marquês de Valença e posteriormente Juiz de Fora em São Paulo). Era tio de Estevão Ribeiro de Souza Rezende, (Barão de Rezende). Sobrinho de José de Rezende Costa (Capitão de Auxiliares na Inconfidência Mineira em 1792) Primo de José de Rezende Costa Filho (Administrador da Fábrica de lapidação de Diamantes, Contador Geral do Erário e Escrivão da Mesa do Tesouro).
Em 27 de Abril de 1801 na capela de João Francisco do Onça, filial de São João Del - Rei Jacinta Ponciana Branquinho e Joaquim Fernandes Ribeiro de Rezende casaram-se e fundaram assim a Fazenda das Abelhas. Tiveram oito filhos: José Celestino, Geraldo Saturnino, Candido, Antônio Abdenago, Maria Francisca, Ana Esmênia, Severino e João.



Comentários

Junior Caldeira disse…
Só para ajudar :
Uma correção - Dentre os filhos de Jacinta e Joaquim, existe uma Maria Francisca, onde acredito ser Maria Francelina de Rezende, casada com Rafael dos Reis e Silva, proprietários da fazenda Campo Limpo, conforme cópia de testamento do projeto compartilhar.
Anônimo disse…
Ei, Dudu. Contando história pra gente? Brigadão.
Anônimo disse…
Oi, Júnior Caldeira. Vamos contatar o Luiz Eduardo e solicitar revisão. Gratidão pela participação. Continuamos aguardando sua participação. Deve ter muito para nos contar sobre a tradicional Família Reis. A torcida está esperando.Até breve.
Luiz Otávio C. Faria disse…
Oi, sou de Boa esperança, e já escrevi no blog sobre os Vilelas e Figueiredos daqui, lendo este artigo sobre a fazenda das Abelhas e me lembrei, que conheço um senhor daqui, que é bisneto de Severino Ribeiro de Resende, que morava ai e veio para Boa Esperança.Este senhor tem uma antiga foto de Severino e sua segunda esposa,vou tentar conseguir esta foto e mandarei para vocês, já que Severino foi um cidadão de grande importância para Carmo da Cachoeira.Att
Luiz Otávio C. Faria
Anônimo disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse…
Luiz Otávio C. Faria, a foto de Severino Ribeiro de Resende foi achada?

Postagens mais visitadas deste blog

Tabela Cronológica 10 - Carmo da Cachoeira

Tabela 10 - de 1800 até o Reino Unido - 1815 - Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - 1815 ü 30/Jan – capitão Manuel de Jesus Pereira foi nomeado comandante da Cia. de Ordenanças da ermida de Campo Lindo; e ü instalada a vila de Jacuí . 1816 1816-1826 – Reinado de Dom João VI – após a Independência em 1822, D. João VI assumiu a qualidade e dignidade de imperador titular do Brasil de jure , abdicando simultaneamente dessa coroa para seu filho Dom Pedro I . ü Miguel Antônio Rates disse que pretendia se mudar para a paragem do Mandu . 1817 17/Dez – Antônio Dias de Gouveia deixou viúva Ana Teresa de Jesus . A família foi convocada por peritos para a divisão dos bens, feita e assinada na paragem da Ponte Falsa . 1818 ü Fazendeiros sul-mineiros requereram a licença para implementação da “ Estrada do Picu ”, atravessando a serra da Mantiqueira e encontrando-se com a que vinha da Província de São Paulo pelo vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, na alt

As três ilhoas de José Guimarães

Fazenda do Paraíso de Francisco Garcia de Figueiredo Francisco Garcia de Figueiredo é citado como um dos condôminos / herdeiros da tradicional família formada por Manuel Gonçalves Corrêa (o Burgão) e Maria Nunes. Linhagistas conspícuos, como Ary Florenzano, Mons. José Patrocínio Lefort, José Guimarães, Amélio Garcia de Miranda afirmam que as Famílias Figueiredo, Vilela, Andrade Reis, Junqueira existentes nesta região tem a sua ascendência mais remota neste casal, naturais da Freguesia de Nossa Senhora das Angústias, Vila de Horta, Ilha do Fayal, Arquipélago dos Açores, Bispado de Angra. Deixaram três filhos que, para o Brasil, por volta de 1723, imigraram. Eram as três célebres ILHOAS. Júlia Maria da Caridade era uma delas, nascida em 8.2.1707 e que foi casada com Diogo Garcia. Diogo Garcia deixou solene testamento assinado em 23.3.1762. Diz ele, entre tantas outras ordenações: E para darem empreendimento a tudo aqui declarado, torno a pedir a minha mulher Julia Maria da Caridade e mai

A Família Campos no Sul de Minas Gerais.

P edro Romeiro de Campos é o ancestral da família Campos do Sul de Minas , especialmente de Três Pontas . Não consegui estabelecer ligação com os Campos de Pitangui , descendentes de Joaquina do Pompéu . P edro Romeiro de Campos foi Sesmeiro nas Cabeceiras do Córrego Quebra - Canoas ¹ . Residia em Barra Longa e casou-se com Luiza de Souza Castro ² que era bisneta de Salvador Fernandes Furtado de Mendonça . Filhos do casal: - Ana Pulqueria da Siqueira casado com José Dias de Souza; - Cônego Francisco da Silva Campos , ordenado em São Paulo , a 18.12. 1778 , foi um catequizador dos índios da Zona da Mata ; - Pe. José da Silva Campos, batatizado em Barra Longa a 04.09. 1759 ; - João Romeiro Furtado de Mendonça; - Joaquim da Silva Campos , Cirurgião-Mor casado com Rosa Maria de Jesus, filha de Francisco Gonçalves Landim e Paula dos Anjos Filhos, segundo informações de familiares: - Ana Rosa Silveria de Jesus e Campos , primeira esposa de Antônio José Rabelo Silva Pereira , este nascido

Foto de família: os Vilela de Carmo da Cachoeira-MG.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. E sta foto foi nos enviada p or Rogério Vilela. Da esquerda para a direita: Custódio Vilela Palmeira, Ercília Dias de Oliveira, Fernando de Oliviera Vilela, Adozina Costa (Dozica), Jafoino de Azevedo e José de Oliveira Vilela (Zé Custódio). Imagem anterior: Sinopse Estatística de Carmo da Cachoeira - 1948

Hino do Centenário de Carmo da Cachoeira

letra: Haroldo Ambrósio Caldeira música: Álvaro Arcanjo Athaíde interpretação: Glória Caldeira teclado: Teresa Maciel do Nascimento estúdio de som: João Paulo Alves Costa - DjeCia edição de vídeo: Rícard Wagner Rizzi Letra do Hino do Centenário Cem anos de existência bem vivido Cantemos este hino de alegria Saudando essa data memorável do nosso centenário nesse dia. Cachoeira, Carmo da Cachoeira, Berço de um povo acolhedor Ergue hoje um pavilhão Rendendo Graças ao Senhor.

Antiga foto da cidade de Carmo da Cachoeira.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. Foto: Paulo Naves dos Reis Próxima imagem: Imagem da mata da fazenda Caxambu em Minas. Imagem anterior: Um pouco sobre a região do distrito de Palmital.

Biografia de Maria Antonietta de Rezende

Tendo como berço Carmo da Cachoeira, Maria Antonietta Rezende , nasceu a 9 de outubro de 1934 no seio de uma das mais tradicionais famílias do município – a Família Rezende . A professora Maria Antonietta deixou seu legado, o “modelo de compromisso e envolvimento com a terra em que nasceu” . Trabalhou consciências, procurando desenvolvê-las, elevá-las. Fazia isto com seus alunos, com os componentes dos grupos musicais que coordenava, com as crianças ligadas à Igreja, enfim, com toda população. Foi um exemplo vivo de “compromisso com a tradição” e um elo da longa corrente que chegou até nós neste ano comemorativo. Fez sua parte. Nós fazemos a nossa – manter a tradição. No dia-a-dia deixou o exemplo de vida e através de publicações, sua visão de mundo. Editou “Evocações daqui e de além” , “Encontro e desencontros” e “Coletânea de hinos litúrgicos” . Dedicou sua vida ao estudo, à educação e à sua Igreja, como catequista, cantora e liturgista. Patrick A. Carvalho, ao prefaciar sua obra “

A família do Pe. Manoel Francisco Maciel em Minas.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. Próxima imagem: Sete de Setembro em Carmo da Cachoeira em 1977. Imagem anterior: Uma antiga família de Carmo da Cachoeira.

Corpus Christi em Carmo da Cachoeira 2022

 A Comunidade São Pedro de Rates na Solenidade de Corpus Chisti Celebrando Corpus Christi a Comunidade São Pedro de Rates participou da confecção dos tapetes coloridos nas ruas de Carmo da Cachoeira para a passagem de Jesus Eucarístico pela procissão de Corpus Christi juntamente com toda a Paróquia Nossa Senhora do Carmo. Figuras da Sagrada Eucaristia, Divino Espírito Santo, do Cálice da Ceia e demais motivos eucarísticos embelezam as vias graças aos voluntários das diversas comunidades urbanas e rurais da Paróquia Nossa Senhora do Carmo na Diocese da Campanha em Minas Gerais. Celebrando a festa de Jesus presente na Eucaristia, sobretudo fazendo memória à Quinta-Feira Santa e o início da Eucaristia, no Pão e no Vinho, este dia nos remete uma verdadeira gratidão que nós cristãos devemos ter pelo grande mistério da morte e ressurreição de Cristo, Nosso Senhor. Ao desenhar símbolos religiosos nas ruas cachoeirenses, o povo se une em torno da arte e fé.  Simbolicamente retira a intermediaç

Rostos na multidão na antiga Carmo da Cachoeira

Se você deseja compreender completamente a história (...), analise cuidadosamente os retratos. Há sempre no rosto das pessoas alguma coisa de história da sua época a ser lida, se soubermos como ler. — Giovanni Morelli Cônego Manoel Francisco Maciel presente a cerimônia ao lado da Igreja da Matriz