Padre José Procópio Júnior em Carmo da Cachoeira

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Paróquia Nossa Senhora do Carmo sob nova guiança Editorial Sai Pe. Daniel Menezes, e assume como administrador paroquial da acolhedora cidade de Carmo da Cachoeira, em fevereiro de 2019, o Pe. José  Procópio Júnior.
"Não cabe à pedra escolher o lugar que deve ocupar no edifício. Assim também não cabe à nós criaturas ditar ao Criador o que deve acontecer em nossa vida, pois Deus é quem sabe e dispõe com sabedoria própria." − Dom Servílio Conti, IMC Como página que observa os acontecimentos neste pedaço de chão mineiro, limitado por montanhas e que, segundo o cachoeirense Padre Godinho, “todas são azuis”, registramos o remanejamento ocorrido entre padres ligados a Diocese da Campanha no ano de 2019. Entre as mudanças encontra-se a Paróquia Nossa Senhora do Carmo/Carmo da Cachoeira – MG.

Sai nosso querido Padre Daniel Menezes. Por ele continuamos a rezar e o devolvemos, entre lágrimas e a esperança de um dia tê-lo entre nós. Somos eternamente gratos e devedores. Entra, aureola…

A hierarquia e a estrutura dos quilombos.

Analisando os documentos onde aparecem elementos ligados a qualquer tipo de liderança, percebe-se que estas estão associadas aos quilombos que possuíam uma população razoável. Na Comarca do Rio das Velhas em 1730, foi localizado um quilombo relativamente pequeno, se comparado aos demais, mas que ainda assim, apresentava lideranças:

“...fazendo-se poderosos em quilombos que há quarenta, cinqüenta e mais negros com rei levantados que os governa, outros com capitão...”1

E um outro localizado na Freguesia de Pitangui, em 1767:

“... deram sobre os ditos negros que passaram ao número de trinta de que se fez presa de seis, e como estes resistiram no conflito mataram o chamado rei e capitão destruindo catorze ranchos de capim e plantas de roças...”2

Neste último quilombo, além da presença de lideranças, há uma evidente menção a estruturas de moradia e de alimentação e de forma implícita, declara que os quilombolas possuíam algum tipo de armamento capaz de oferecer resistência no momento do ataque.

Mesmo que estes relatos sejam pobres em explicações sobre o tipo de liderança que havia nos quilombos, a simples presença destes elementos é suficiente para a percepção de que existia uma certa hierarquia social no interior de alguns.

Uma outra maneira de identificar estas lideranças é a análise dos mapas3 referentes aos quilombos onde havia a presença das Casas de Audiência com assentos (Samambaia), da Casa do Conselho (Rio da Perdição) e da Casa do Rei (Braços da Perdição). Todos estes exemplos remetem claramente a um sistema político. Contudo, não há como saber que tipo de organização política havia no interior destas comunidades. As denominações para estas estruturas foram dadas pelas expedições de ataques, portanto, com concepções e valores da sociedade européia. Entretanto, a própria localização destas casas no interior do espaço ocupado pelos quilombolas, já é um indício interessante. Nos três casos, estas casas estão situadas no centro do quilombo ou então em uma área destacada, não fazendo parte do espaço destinado a circulação, ao serviço ou a moradia dos quilombolas.

Normalmente, estas lideranças, no caso de prisão, eram punidas exemplarmente com a morte ou enviadas para fora da Capitania, pois havia um medo enorme de que se permanecessem na região, poderiam fugir novamente e aliciar um número grande de outros escravos.

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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1. APM SG Cod 29 doc 129.
2. APM SG Cod 60 fl. 118
3. Anais da Biblioteca Nacional. Op. Cit. e Biblioteca Nacional, Manuscritos. 18,2,5

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