Padre Izidoro Guilmin, um instrumento de Deus.

De um autor anônimo, basedo na obra de Otávio J. Alvarenga:

O Pe. Izidoro Guilmin era, exímio musicólogo. Compositor, educador, dramaturgo, severo. Excessivamente franco, porém generoso e amigo devotado de seus paroquianos, máxime das crianças. A estas distribuía quase todas as espórtulas que ganhava. Com elas, passava a maior parte de seu tempo disponível. Ensinava-lhes a música com a mesma apostolar devoção com que lhes ministrava o catecismo. Conservava muitos meninos pobres em sua casa (paroquial), sobre cujo amplo forro lhes dava dormida.

Como São João Crisóstomo, encontrava, nesse infantil convívio, "o mais alto grau de filosofia": Philosophiae culmen, lembrou D. Aquino Corrêa. E ainda, "vida angélica": Simplicem esse cum prudentia, hace est vida angelica.

O seu espírito altamente caritativo, e seu total despreendimento às coisas temporais deste mundo formaram o binômio que lhe perpetuo o núnus sacerdota, como o grande apóstolo dos gentio, da caridade lhe sabia a excelsitude e o relego entre as outras virtudes teologais. Particava-a na íntegra renúnica às coisas do contigente, de tal como manda o evangelho do amor

Sistemático, nervoso, extremamente positivo e franco, repetimos. Entretanto, seja, igualmente, repetido, multimilionário de espírito e de coração. Cumpridor indesviável de seus árduos deveres missionários. O buscar o Infinito lhe estava na meta primacial.Promoveu em Coqueiral (Espírito Santo dos Coqueiros), Minas Gerais, várias festas religiosas e algumas de cunho eminentemente, educativo e social, destacando-se uma de Natal, em benefício dos pobres. Fez, então, representar na própria Igreja Matriz, um drama sacro de sua autoria e todo musicado.A sua exaltada devoção à divina música era-lhe, também, uma religião. Sabia, sem que lho dissesse o dicionarista Cândido de Figueiredo, que musicalidade pura é religiosidade. Tem o dom miraculoso de transmudar até o cético. Significativa essa confissão de Musset: "Foi a música que me fez crer em Deus".

Desde os princípios proclamados na velha Escola de Alexandria, um meio de chegar a uma perfeita união com o Absoluto. O Pe. Izidoro, como musicólogo de tomo, melhor do que nós, sabia que a música, na constelação estelar das Artes, tem lugar de primeira grandeza. As chamadas artes plásticas têm o seu campo de ação no espaço. A música e a poesia, no tempo. Naquela representa veículo de beleza a forma e a cor. Na poesia, a palavra, que tem corpo e alma, é esse veículo, quando, acima de tudo, sai da alma. Mas, na música, que é incorpórea, não há intermediário. Através do som, que é beleza pura, a alma se transporta ao Infinito. Lacrimejava o sacerdote maestro, quando, de batuta em punho, quer estivesse regendo a execução da "Missa Solene", de Beethoven, quer ouvindo e sentindo os "Noturnos", de Chopin, ou ainda o "Allegro Vivace", da Sinfonia da Primavera, de Schumann.

Sabia erigir um altar criselefantino para o seu mais ardente culto à Arte Sublime. Daqui, em 1914, deixando pesar e preces musicadas, foi paroquiar em Carmo da Cachoeira, berço de outro sacerdote eminente, Pe. Antônio de Oliveira Godinho. Este o autor do célebre discurso-necrológico sobre Kennedy. O tribuno de montealvérnia e aquilina eloquência. Certamente, apostaria voos com a arte divina, cultuada e cultivada pelo filho ilustre da Bélgica.

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Este texto tráz em seu bojo partes da obra Terra dos Coqueiros de Otávio J. Alvarenga,

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