As cavalgaduras de carga.

Uma ligeira inspeção ao volume de impostos e taxas cobrados nos postos fiscais do Paraibuna, nos mostram a importância do comércio de tropas do litoral com as Minas, pois mais de 90% do consumo de necessidades dos mineiros a Capitania opulenta não produzia. Não achavam razoável deslocar um escravo para a agricultura, quando esse mesmo escravo, empunhando a bateia, dava lucro cem vezes maior ao seu senhor. Dai a importância das tropas na movimentação da produção desde os primeiros dias da conquista.
Depois do declínio da mineração do ouro, cuja extração e transporte exigiam um número considerável de muares, a cultura extensiva de café iria aumentar mais ainda a procura desses animais, quando se ampliou o campo de ação das tropas no sul do Brasil.
O homem de hoje talvez não tenha idéia real do que seja uma "tropas", no sentido econômico assumido no Brasil. Grandes lotes de muares, esfalfando-se por centenas de léguas, estirando-se por todos os quadrantes para conduzir drogas do litoral e refluir à orla marítima com os produtos da terra - tal era a "tropa", o primeiro meio de transportes e comércio que o Brasil possuiu, e o seu maior elemento econômico e social de colonização e fixação do homem. Ao tempo do Descobrimento e das primeiras povoações, o índio de carga" era o único meio que dispunha o colonizador.
Fenômeno tipicamente americano, é natural que o verbete "tropa", com a significação de que aqui tratamos, só nos seja oferecido pelo velho e brasileiríssimo Morais, que consigna no seu dicionário: "Termo do Brasil. Bestas de carga que fazem o transporte de mercadorias onde não há vias férreas ou fluviais, e seguem com os seus condutores como que em caravanas". E quanto ao tropeiro: "Condutor de tropa; homem que viaja com cavalgaduras de carga, em cáfila, onde não há vias férreas e fluviais".

Comentários

Projeto Partilha@ disse…
Falando em Topas e Tropeiros, não há como deixar de se lembrar de ANDRÉ, o TROPEIRO DE CARMO DA CACHOEIRA, antiga CACHOEIRA DOS RATES. Lembrando-se de André, somos automaticamente direcionados a lembrar a de ANTONIO CARLOS REIS DA ROCHA, a CARLOS CALDEIRA, pelos dados que hoje temos sobre nossas publicações. No entanto, havia guardada em nossa algibeira uma surpresa para a FAMILIA DE ANTONIO CARLOS, mas que, por "cobrança" e "pressão" da turma de apoio, somos levados a contar e trocar o termo "surpresa" pelo "expectativa". Trata-se do acompanhamento da poesia. Ela foi feita com viola e berrantes. Na viola, nosso querido ZOLA, filho de Maria do Omar, da tradicional familía Vilela, Rezende, Oliveira. Zola, somos gratos a sua participação e jamais nos esqueceríamos de seu desempenho e participação nas comemorações dos 150 anos da instação da FREGUESIA DE NOSSSA SENHORA DO CARMO. O berrante aparece no arranjo dada o trabalho artistico de nosso "arteiro", descendentes da família Rates em Carmo da Cachoeira, o rapaz de valor e talento JOÃO PAULO ALVES COSTA. Foi graças a seu trabalho que conseguimos resgatar 19 faixas, já gravadas e que contam a história de CACHOEIRA. Faixas que enquanto rodam, encantam a todos que a ouvem. Àqueles que estão distantes fisicamente de CACHOEIRA verão através da música e poesia a, como história que está marcada pela tradição cachoeirense.

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