Padre José Procópio Júnior em Carmo da Cachoeira

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Paróquia Nossa Senhora do Carmo sob nova guiança Editorial Sai Pe. Daniel Menezes, e assume como administrador paroquial da acolhedora cidade de Carmo da Cachoeira, em fevereiro de 2019, o Pe. José  Procópio Júnior.
"Não cabe à pedra escolher o lugar que deve ocupar no edifício. Assim também não cabe à nós criaturas ditar ao Criador o que deve acontecer em nossa vida, pois Deus é quem sabe e dispõe com sabedoria própria." − Dom Servílio Conti, IMC Como página que observa os acontecimentos neste pedaço de chão mineiro, limitado por montanhas e que, segundo o cachoeirense Padre Godinho, “todas são azuis”, registramos o remanejamento ocorrido entre padres ligados a Diocese da Campanha no ano de 2019. Entre as mudanças encontra-se a Paróquia Nossa Senhora do Carmo/Carmo da Cachoeira – MG.

Sai nosso querido Padre Daniel Menezes. Por ele continuamos a rezar e o devolvemos, entre lágrimas e a esperança de um dia tê-lo entre nós. Somos eternamente gratos e devedores. Entra, aureola…

Os quilombos “como inimigos internos”.

Em 1678, um escritor anônimo preocupado em fazer um relatório militar das guerras travadas entre as tropas e os quilombolas durante o governo de D. Pedro de Almeida, afirmou que a causa da existência de escravos rebelados era a própria existência da escravidão e que o quilombo de Palmares só havia sido possível porque os senhores passaram por um período de enfraquecimento causado pela invasão holandesa. Os quilombolas seriam os “inimigos internos” que ameaçavam a “conservação de Pernambuco”, destruíam “a vida, a honra e as fazendas”.1

Há neste autor uma contradição que pode ser encontrada em outros de sua época. Para ele o quilombola é, em última instância, conseqüência de erros senhoriais (neste caso, fraqueza). O que levaria o escravo ao quilombo seriam estas atitudes. Por outro lado, ele também percebe o quilombola como um inimigo interno em potencial – ameaçador da ordem. Ora, como ter condições de ser um inimigo e não ter mecanismos para por si só, tornar-se um quilombola?

O que parece justificar a posição deste autor e de outros é a tentativa de análise do processo de fuga e de formação de quilombos, feita de maneira a diminuir o impacto da evasão, da formação da estrutura quilombola e do que isto representava no cerne do sistema escravista: o cativo sabia se aproveitar de uma situação política desfavorável para as elites, estabelecendo uma alternativa de vida que lhe fosse mais cômoda. Ou seja, ele participava a seu modo, aproveitando-se das conjunturas do sistema pleno de diversos tipos de falhas, o que era perigoso, pois significava que a qualquer momento outros fariam a mesma coisa.

Era preciso redimensionar a questão. O quilombo passa a ser visto não como fruto de negociações e políticas no seio da escravatura, era sim, uma conseqüência das atitudes dos senhores da qual os negros apenas se aproveitavam. Desta forma, sempre que a sociedade livre resolvesse ou não permitisse a existência de problemas que os enfraquecesse, os quilombos não conseguiriam se desenvolver, posto que eram formados por seres inferiores sem condições próprias de se organizarem.

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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1 Relação das guerras feitas aos Palmares de Pernambuco no tempo do Governador D. Pedro de Almeida, de 1675-1678. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. 1859, vol 22. P. 305

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