Padre José Procópio Júnior em Carmo da Cachoeira

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Paróquia Nossa Senhora do Carmo sob nova guiança Editorial Sai Pe. Daniel Menezes, e assume como administrador paroquial da acolhedora cidade de Carmo da Cachoeira, em fevereiro de 2019, o Pe. José  Procópio Júnior. "Não cabe à pedra escolher o lugar que deve ocupar no edifício. Assim também não cabe à nós criaturas ditar ao Criador o que deve acontecer em nossa vida, pois Deus é quem sabe e dispõe com sabedoria própria." − Dom Servílio Conti, IMC Como página que observa os acontecimentos neste pedaço de chão mineiro, limitado por montanhas e que, segundo o cachoeirense Padre Godinho, “todas são azuis”, registramos o remanejamento ocorrido entre padres ligados a Diocese da Campanha no ano de 2019. Entre as mudanças encontra-se a Paróquia Nossa Senhora do Carmo/Carmo da Cachoeira – MG. Sai nosso querido Padre Daniel Menezes. Por ele continuamos a rezar e o devolvemos, entre lágrimas e a esperança de um dia tê-lo entre nós. Somos eternamente gratos e devedores. Entr

A Fé, a Sustentabilidade e a Pastoral da Ecologia.


Os dois últimos meses proporcionaram boas oportunidades para que pudéssemos pensar e lutar pela sustentabilidade. Em setembro tivemos o Dia da Árvore e, logo a seguir, a celebração da Primavera. Em outubro tivemos o Dia de São Francisco que dedicava cuidado especial à natureza, às criaturas e a toda espécie de vida. Depois vieram as eleições municipais: a vida saudável das pessoas de uma cidade depende essencialmente de uma administração comprometida com as questões ambientais.Por isso, a Diocese da Campanha – por meio da Pastoral da Ecologia – procurou aproveitar esses momentos para convidar todos os cristãos para se dedicarem mais atentamente à construção de um município sustentável.

O que vem a ser “sustentabilidade”? Nunca antes se ouviu falar tanto nessa palavra quanto nos dias atuais: nas escolas, nos órgãos de governo, nas ONGs e até nas ruas;foi o tema central da RIO+20. Quanto mais se agravam os riscos de sobrevivência do Planeta e, portanto, do homem e de todos os seres vivos, mais se fala em sustentabilidade.

Infelizmente, apesar da consciência cada vez maior sobre a importância da sustentabilidade e da necessidade de mudanças no modo de vida da sociedade, grande parte das pessoas não consegue passar isso para a prática. Contentam-se em apoiar com palavras ou aceitar pequenas mudanças, como está ocorrendo com as sacolas plásticas. Tudo isso é importante para se enfrentar os problemas ambientais, mas é necessário ter uma visão muita mais profunda para enxergar as raízes das ameaças à sustentabilidade da Terra. Elas estão ligadas essencialmente às formas de produção e de consumo sobre as quais a sociedade está estruturada. Diante delas nos sentimos impotentes. Todo o sistema econômico funciona incentivando o cidadão a comprar. Afinal, quanto mais se consumir melhor, tanto para o indivíduo como para os negócios:maior será o desenvolvimento, o nível de emprego, etc. Mas qual a necessidade real de tanto consumo? Não se trata do acesso a itens referentes à sobrevivência. Na verdade, esses são até relegados para dar lugar aos itens supérfluos ou maquiados. O mercado é então saturado de aparelhos eletrônicos, celulares e carros de todos os tipos. A cada ano recomenda-se trocar por um novo. O crédito é facilitado e os impostos reduzidos. Precisamos estar consumindo para nos sentirmos felizes e melhorar nossa qualidade de vida. Vê-se que o conceito de sustentabilidade foi bastante deturpado e assumiu uma dimensão essencialmente econômica, de sustentar o capital.Com toda a certeza não é essa a sustentabilidade que a Terra precisa. Essa é apenas a sustentabilidade das empresas, dos negócios e do desenvolvimento capitalista. Será que a humanidade alcançará a maturidade necessária para fazer uma ruptura desse modelo?

Esta é uma reflexão e um desafio que nos remete para uma dimensão mais ampla, ou seja, a da Fé. Quem pode nos inspirar é São Francisco: seu exemplo de amor a Deus, à natureza e a todas as suas criaturas expressa para nós cristãos um clamor urgente pela proteção do Planeta Terra que vive atualmente seu momento crítico. De todos os reinos o grande responsávelpor esse processo é certamente o reino humano, pois os outros estão à mercê de sua dominação gananciosa e destruidora. O desmatamento, por exemplo, mata as nascentes, seca os rios, desertifica o solo, causa a extinção dos animais e ameaça a própria agricultura.

A crise ambiental é apenas uma manifestação de outra crise muito mais grave e severa.

Falamos da crise de valores ou da crise ética que assume uma dimensão dramática:egoísmo, individualismo, comodismo, ambição e poder tornaram-se as molas propulsoras de tudo. Não é de se espantar, portanto, que a corrupção no Brasil constitua um câncer virulento que atinge a política e todos os setores de atividades. Retomar os valores da cooperação, do amor, da compaixão, da dignidade, da solidariedade, da vida comunitária é sem dúvida o caminho para construir um mundo melhor de se viver. Por isso a Igreja católica, com seus presbíteros, seu laicato e suas ações pastorais, não pode deixar de lado essa missão. Fé e sustentabilidade devem ser elos fortes na vida dos cristãos para que possam compreender o milagre da Criação e testemunhar a mensagem de amor proclamada pelo Evangelho de Cristo.

Tudo que existe merece viver, pois toda a Criação é obra de Deus! Temos que mudar o nosso modo de viver, se queremos viver!

Geraldo Moises Martins
Coordenador Diocesano da Pastoral da Ecologia

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