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“Baba Yetu”: o Pai Nosso em Swahili

Frota fala e a música Festa no Céu / Era um Sonho

Essa noite tive um sonho

que durou mais de uma hora.

Sonhei com velhos amigos

que do mundo foram embora.

Quando eu fiz essa música, dessa turma toda que eu falei os nomes, todos já tinham morrido, mas ainda tem três pessoas vivas nessa música: o Caçamba, que eu vi a mãe dele lá; tem o Frota, que sou eu o cantador; e tem o Capunga que era o pai do Rodrigo, que era o menino que uma caminhonete matou ele aqui na cidade. Então o Capunga, o Caçamba e o Frota, estes estão vivos, já o Zico que cantava comigo, morreu também.

O Nem Roberto era casado com a prima da minha esposa e morreu novo e lá atrás eu falo do João de Barro, Aduzio era um fazendeiro que tinha por aqui, e o Antonio Quita (Antoiquita).

Sabe porque essa música tem esse título, Festa no Céu? É por que não tem como uma pessoa viva conversar com uma pessoa morta, por isso que ela passou a se chamar Um Sonho, por que no sonho vale tudo e a gente passa a fazer coisas impossíveis, então essa música é uma coisa impossível, essa é uma letra impossível. Porque como que eu ia lá no céu e ia encontrar esse povo todo eles lá? Por isso que ela chama Um Sonho:

É um sonho demorado onde sonhei com todas essas pessoas que marcaram aqui na minha cidade. Tem pessoas pobres, tem pessoas ricas, tem Rodrigo, a criança filho do Capunga que o caminhonete matou quando tinha seis anos. São coisas que aconteceram mesmo na cidade, aí não tem nada inventado, todos os nomes existiram, todos eles foram pais, foram filhos, tiveram mães, é uma coisa impressionante.

Quando me cumprimentavam

nesta hora eu acordei

meus olhos estavam molhados

foi por eles que eu chorei.

Quando eu acordei meus olhos estavam molhados, por quê? Porque aquilo foi um sonho e na hora que eu acordei meus olhos estavam molhados, pois eu chorei.

A música fala do povo da nossa cidade, Carmo da Cachoeira, aí não tem ninguém de fora. Para falar a verdade, daí de fora só eu que sou de Três Pontas e que casei com uma moça daqui e moro aqui há quarenta e seis anos.

São pessoas que eu conheci, aí não tem uma “cunha”, “meu pai foi fulano, meu pai foi sicrano”, não tem nada disso, essas pessoas aí, que estão nessa música, todas elas eu conheci. Quando eu estudei para fazer essa música as pessoas já haviam morrido e eu procurei as famílias para fazer essa música.

Até tem um vizinho do meu lado aqui que ele é filho do Tião Jacinto, mora do meu lado e ele não gosta que eu cante essa música, porque quando pego o violão eu canto essa música que parece uma história e daí vou cantando, vou cantando, e chega naquele trecho que fala do pai dele.

Tem gente que morreu que está no começo da música mas morreu depois do último por causa do estrofe da música, da trova, dos versos, e daí fica: a mãe do Caçamba está primeiro que o Rodrigo, mas o Rodrigo morreu bem depois.

Naquela mistura para fazer a montagem dos versos é que entram o nome das pessoas com os nomes que tem que trovar.

Quando acabou as pessoas que eu sabia tudo eu fui fazendo, e quando chegou o começo eu não tinha como entrar com o Rodrigo, daí eu fiz uma pauzinha. Eu estava no meio daquela multidão e não sabia o nome daquelas pessoas, quem eram elas, então:

 Curioso como eu sou,

eu fui logo perguntando,

mas quem que são vocês

que não tô me lembrando.

Quer dizer, eu esta perdido, foi quando o menino entrou na música:

Um menino respondeu,

a verdade eu lhe digo,

sou o filho do Capunga,

o meu nome era Rodrigo.

Aí é o menino que passa falar:

Este aqui é o Zé Geraldo,

o Luquinha e o Zezé,

Esses três morreram em um dia só aqui na Fernão Dias: pai, filho e sobrinho...

o Seu Lola e o Zé Rezende,

Tião Jacinto e Sô Mané.

O Padre Zequinha que tem, eu casei com ele, e o coroinha era realmente o Beto do João Bieto, que um rapaz, muito saudável, que morreu com dezenove anos. O Caçamba é meu amigo e eu conheci a mãe dele, então todas as pessoas dessa música são pessoas que eu conheci.

Apareceu um velhinho com uma batina branquina

foi aí eu reconheci que era o Padre Zequinha.

O neto do João Beto que era o coroinha

todos rezavam com fé para a Virgem Santa Maria.

Essa música foi muito bem aceita, tanto que todo mundo me cobra, “Por que você não colocou minha mãe? Por que você não pois meu pai?”, mas se eu fosse colocar todo mundo eu não parava de cantar.

Depois que a gente faz isso, todo mundo bate palmas. Você pode ver que quem tinha um parente aí bate mais palmas que os outros. E ficou conhecido Frota como cantor com as músicas que eu faço que são muito boas. Tem muita música que eu gostaria de gravar, mas três parceiros que cantavam comigo, todos eles já morreram e eu fiquei sozinho, é assim.

Mas de tanto me cobrarem eu estou pensando em fazer outra música. Em “Era um sonho” eu fui lá, e essa outra é como se fosse na volta de lá, pois se eu estou aqui é que eu voltei para a Terra, e na volta eu ia encontrando essas outras pessoas que estavam indo para lá, que morreram depois, mas é muito difícil, eu acho que vou fazer do mesmo jeito dessa música, tô pensando aqui.

Se vê que eu falo de todo mundo aí, mas eu não falo do Frota, tem uma hora que eu faço uma declamação:

Para viola sentida, não torture meu coração,

trazendo em meus pensamentos

saudosas recordações.

Então é isso, tchau, muito obrigado.



Uma Festa no Céu (ou Um Sonho)

composição: Frota (Luiz Antonio Naves)

interpretação: Frota e Zico (Lázaro Mantovani)

instrumental: Jobinho e Zico (Jobson Garcia Pereira)

captação e edição de áudio: João Paulo Alves Costa - Studio DjeCia

arte: Maurício José Nascimento e Johann Moritz Rugendas

edição de vídeo: Rícard Wagner Rizzi


Letra — Uma Festa no Céu (ou Um Sonho)



Essa noite tive um sonho

que durou mais de uma hora.

Sonhei com velhos amigos

que do mundo foram embora.

São os artistas famosos

que no céu estão agora,

só de lembrar os seus nomes

muita gente ainda chora.


Lá no Reino de Jesus

onde há paz e amor

sonhei que eu também estava

ao lado do Criador,

tinha uma festa animada

de alegria e esplendor.

Todos os artistas rezavam

e mostravam seu valor.


Abracei o Caboclinho, era Tadeu do João Rita,

do outro lado João de Barro, o Aduzio e o Antoiquita

o velhinho ajoelhado, pois era o Seu Tunico

também tinha Nei Roberto o que rezava muito triste.


Também tinha uma senhora fazendo uma reunião

era a mãe do Caçamba no grupo de oração.

A Nabirra e a Djanira para fazer uma procissão

pois só faltava o padre para dar uma permissão.


Apareceu um velhinho com uma batina branquina

foi aí eu reconheci que era o Padre Zequinha.

O neto do João Beto que era o coroinha

todos rezavam com fé para a Virgem Santa Maria.


Para viola sentida, não torture meu coração,

trazendo em meus pensamentos

saudosas recordações.


Curioso como eu sou,

eu fui logo perguntando,

mas quem que são vocês

que não tô me lembrando.

Um menino respondeu,

a verdade eu lhe digo,

sou o filho do Capunga,

o meu nome era Rodrigo.


Este aqui é o Zé Geraldo,

o Luquinha e o Zezé,

o Seu Lola e o Zé Rezende,

Tião Jacinto e Sô Mané.


Quando me cumprimentavam

nesta hora eu acordei

meus olhos estavam molhados

foi por eles que eu chorei.

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