Medicina e Religião – 18 de Outubro: Dia do Médico



A fé e a ciência são opostas ou devem complementar-se?

Em tempos remotos, o homem mantinha uma aproximação entre a ciência e religião. A história dessa relação passou por várias fases intercaladas por distanciamentos e alianças.

A atividade científica é um trabalho racional, fundamentado na razão e na observação, sendo necessária a comprovação do mesmo, o que de certa forma se contrapõe com o sentido abstrato da religião. As grandes evoluções tecnológicas que hoje ocorrem na área da saúde, exemplificadas com a terapia gênica e a clonagem, têm afastado esta interação, assim como a medicina baseada em evidências, que busca através de técnicas e pesquisas científicas o melhor tratamento para determinado paciente. O conceito da medicina tradicional refere-se a práticas, abordagens e conhecimentos aplicados a indivíduos ou à coletividade de maneira a diagnosticar, tratar e prevenir doenças ou visando manter o bem-estar do ser humano.

O papel central da medicina, assim como o da religião, é cuidar do ser humano que sofre e ela o faz não somente em sua dimensão física ou biológica, mas sim em sua integralidade. E só recentemente, a dimensão espiritual foi incorporada ao conceito de saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS.

Reconhecer a dimensão do sagrado é necessário. O médico deve perceber as crenças e valores religiosos de seus pacientes e respeitá-los. O bom senso mostra que ciência e fé podem se relacionar e se completar. Esta relação é observada na vida de São Lucas, escolhido como patrono dos médicos, e na escolha do dia 18 de outubro como o Dia do Médico, por ser o dia consagrado pela Igreja a este evangelista. Não há provas documentais da sua condição de médico, porém há provas indiretas. A principal delas nos foi legada por São Paulo em Colossenses 4,14, quando se refere a “Lucas, o amado médico”. Outra prova indireta consiste na terminologia empregada por São Lucas em seus escritos. Em certas passagens, utiliza palavras que indicam sua familiaridade com a linguagem médica de seu tempo. Ele é o evangelista que mais pintou a fisionomia humana do Redentor: a sua mansidão, as suas atenções para com os pobres, para com os desprezados, para com as mulheres e para com os pecadores arrependidos.

Lucas impregnou a medicina de compaixão, solidariedade e até de cumplicidade, pois aliou aos conhecimentos adquiridos na Escola de Medicina de Pádua, a crença de que o preparo espiritual dos enfermos e o carinho dos médicos são de grande valia no êxito do tratamento. Lucas procurava estimular a confiança no médico e a fé do paciente como fatores fundamentais para a obtenção de bons resultados.

É evidente, então, que ciência e religião devem se complementar para o bem da humanidade e que o poder de Deus se manifesta em toda sua plenitude nos avanços da ciência.

Dra. Elenita Reis Veiga Lima
CRM 21310

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