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Cemitério de escravos na Chamusca

A cruz branca na Colina sobressai no muro de pedras enegrecidas

No ano de 1990, a Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí realizou escavações, em Carmo da Cachoeira, Minas Gerais, no antigo cemitério conhecido como “Cemitério dos Escravos”.

Durante os trabalhos foram encontradas seis ossadas do início e meados do século XVIII, anteriores, portanto, ao surgimento dos núcleos urbanos que originaram as cidades mais importantes da região, como: Varginha, Lavras, Três Corações, São Thomé das Letras e Três Pontas.

O cemitério fica num local alto, cercado por um muro de pedras, na área da fazenda Chamusca. Durante as escavações que ocorreram sob a coordenação da arqueóloga Maria Luiza de Luna foi encontrado um caixão, objeto que não era usado para o funeral de negros, em geral enterrados em redes ou envoltos em sacos de pano. Encontrou-se também, ossadas superpostas, numa mesma cova, as mais recentes sobre as mais antigas. Segundo a equipe, a impressão que se tem é a de que esse procedimento testemunha um período de grande mortalidade, provavelmente a epidemia de varíola ocorrida entre 1850 e 1870.

O cemitério da fazenda Chamusca possui uma área de aproximadamente 355 metros quadrados. Dalí de cima, em dias claros, é possível avistar a cidade de São Thomé das Letras, localizada a trinta quilómetros de distância e fundada, conforme reza a lenda, por um escravo fugido conhecido como João Antão. Dentro destes muros o relevo é plano e não há nada que evidencie a existência de um cemitério, sequer um túmulo ou laje. Há ali, um pequeno altar de pedras repleto de imagens quebradas e moedas de épocas recentes, de origem diversa da época em que o muro foi erguido.

Marta Amato em sua obra histórica sobre A Freguesia de Nossa Senhora das Carrancas disponibilizou a seguinte informação, a folha 80: “No Livro de Provisões da Cúria do Rio de Janeiro de 1739, encontrei o cemitério do Campo Belo e o cemitério do Deserto do Dourado (hoje São Bento Abade).”

Certamente, a provisão do Campo Belo foi um dos quais, entre vários de que pertenciam a Carrancas, onde foram enterrados escravos e desconhecidos falecidos na freguesia, cuja dimensão compreende hoje um número imenso de municípios, inclusive Carmo da Cachoeira, dos idos tempos da Comarca do Rio das Mortes.

Durante as comemorações programadas para o Dia da Consciência Negra aconteceu a celebração da Santa Missa no Cemitério dos Escravos. O grupo participante reuniu-se na Comunidade São Pedro de Rates, onde foi servido o café da manhã. Após o lanche seguiu-se a caminhada. Houve ônibus e carros de apoio. Muitos seguiram a pé todo o trajeto.

Algumas fotos antigas em preto e branco aparece "Tereza do Sapé", como era conhecida Tereza do Carmo Cubateli, que dsenvolveu as atividades sociais, em São Paulo. Ela era uma ativista atuante em defesa a causa negra. Em seu depoimento ouvimos dela o seguinte:

Fui criada na casa dos Sant´Ana, e só vim a perceber que era negra na vida adulta. Não havia diferença na forma de tratamento que era dado para fim, ou aos filhos do casal onde fui criada. Todos eram tratados igualmente. Frequentei as mesmas escolas, as mesmas igrejas e tínhamos os amigos comuns. Agora, em São Paulo é que me envolvi com os da minha raça. Antes, nem me passava pela cabeça defender um movimento que me era estranho.

Acompanhe a jornada ao Cemitério dos Escravos através das fotos a seguir.

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