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São Vicente de Paulo, sua histórica contada pelo Diácono Adilson



Francês de nascimento viveu em dois séculos: XVI –XVII. , pois nasceu em 24/abril/158l e faleceu em 27/set/1660.

Eram seis irmãos e na família tinha o oficio de pastorear as ovelhas e cuidar dos porcos. Todos os filhos receberam ensinamento religioso da mãe, e aí se confirma que no colo da mulher são gerados os grandes homens da humanidade. Aos domingos ia à missa com a família e frequentava o catecismo.

Era um menino inteligente. De grande religiosidade, por isso, ao levar os animais para as pastagens, fez um pequeno oratório no buraco de uma árvore, colocando uma imagem de Nossa Santíssima Senhora, onde fazia suas preces. Ali ajoelhava e rezava.

Era prodígio. Tudo estava delineado em sua vida. Nos braços da mãe aprendeu a balbuciar o nome de Deus. Diante do oratório construído por ele mesmo foi percebendo que Deus o queria pastor de outra forma. Na missa aos domingos ia se embebedando da Palavra de Deus, a tal ponto do vigário ter incentivado o seu pai a investir nele, para que encaminhasse o rapaz para os estudos. Certamente os olhos clínicos daquele pastor nele viam um padre.

Vicente aprendeu a rezar e ter uma espiritualidade: que as pedras que existiram em seu caminho, e eram muitas, não foram suficientes para afastá-lo dos desígnios divinos.

O Espírito Santo, aos poucos foi lapidando aquele ser, e grandes obras foram criadas, que atualmente estão a serviço da sociedade. E Vicente foi vivendo sob ação do Espírito Santo. Este é o critério cristão de santidade. O cristão deve ter a sua vida, num constante abrir-se, para acolher as influências do Espírito Divino e pautadas no próximo.

Vicente estava no rumo da santidade, pois, o Espírito Santo nele agia. Afinal O ganhou ao ser batizado. E nós não O temos?  E por que então não somos santos?  Por que estamos fechados à sua ação? Por que não lhe somos disponíveis? Acreditem. Se consentirmos, Ele invade a nossa vida, como invadiu o Universo (Sb. 1,7). Por que a nossa vida não é um pentecostes constante?

Devemos sê-Lo todos os dias. Pentecostes é uma resposta universal das vidas humanas acolhendo o dom de Deus.

Vicente vivia o Espírito Santo em dois ritmos fundamentais: na ação e na contemplação. Trabalhava e orava.

Às vezes trabalhamos muito e não paramos. Não nos concentramos. Não fazemos silêncio interior. Não abrimos todas as portas do nosso ser para uma comunicação mais profunda com o Deus Vivo. Não fazemos da nossa vida uma oração.

Deus age em nós de muitos modos. Quantos foram os padres que foram para o seminário só por causa de uma bola ou outros motivos fúteis, e se tornaram grandes evangelizadores. Vicente ficou padre aos vinte e um anos para ficar rico, mas se redimiu diante dos pobres para ajudá-los. Viveu por uns tempos na corte francesa, onde falava com os nobres e com os pobres.

Foi um menino pobre, sofrido e por causa de uma herança em dinheiro deixado para ele, por uma bondosa senhora, mas que estava emprestado tornou-se escravo. Por causa dessa ganância, caiu nas mãos de assaltantes e acabou sendo vendido, tendo sido passado de mão em mão. Mas era padre e sempre rezava à Nossa Senhora, que o tirasse daquela situação. Nunca perdeu a coragem e o ânimo. Ao entoar a Salve Rainha acabou sendo livre. Não só livre, mas conseguiu converter o casal que o comprara, a tal ponto, do seu dono ir residir no Mosteiro dos Irmãos da Caridade, em remissão dos seus pecados.

Os grandes momentos do amor a Deus só podem ser vividos com maior intensidade, a partir da concentração, do silêncio interior. Vicente era um homem de oração. Contentava-se em dormir apenas cinco horas por noite. Levantava-se as quatro horas da manhã e todos os dia consagrava quatro horas à oração. É o justo. É o santo de Deus. Ele sabia que as organizações que havia fundado têm antes de tudo, necessidade do apoio de Deus. Somente a graça obtida através da oração, da Eucaristia e do sacrifício sustenta o ser e a missão. Vicente era um homem de oração. Tinha uma força interior muito grande. O seu espírito era simples, prático e direto. O Cristo era o seu mestre. Sua fé era profunda. Vivia constantemente em consonância com Deus. Um místico. Sua vida enraizou-se em Mt. 25,40. “Em verdade vos digo que tudo o que fizerdes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fazeis”.

Deus exige de nós esse recolhimento. Lembremo-nos que Jesus Cristo nasceu pobre, viveu pobremente e morreu na extrema miséria (Lc.8, 19-22).  No inicio de sua pregação Ele proclama os íntimos laços de sua missão com os pobres. “Fui enviado para anunciar a Boa-Nova aos pobres” (Lc.4,18). O contraste é patente. O Filho do Homem, vindo em todo o esplendor de sua glória, se revela na face dos famintos, dos prisioneiros, dos doentes, dos sem teto. Aquele que presta serviço aos miseráveis, aos pobres, presta serviço a Cristo, pois, Ele vive de maneira misteriosa no coração dos pobres e dos miseráveis. Cristo exige amor e o amor exige o dom de nossa própria vida (Lc.14,26-27). E quando os miseráveis são milhões, a melhor forma de assumir esse amor é assumir os instrumentos e os organismos existentes no meio da sociedade. Precisamos urgentemente nos converter ao trabalho social, como fez São Vicente a partir dos seus vinte anos, quando viveu na corte francesa. A pobreza é atitude fundamental para se acolher o Evangelho. Pobre é aquele que tudo espera de Deus (Miq.5,6). Despojemo-nos de nosso ser e de nossas tendências de posse, de prepotência, de denominação. O Evangelho é um apelo à santidade. Aquele que tem coração despojado está preparado para seguir Jesus Cristo até as últimas conseqüências.   E aí sim estamos disponíveis para uma comunicação profunda com Deus, para o diálogo, para a entrega. O principal critério da autenticidade e da santidade de vida cristã é a sensibilidade e abertura ao Espírito Santo, que age no mundo, na igreja e em cada um de nós. Sejamos santos. Sigamos os conselhos de Jesus Cristo, que disse: sede santos como meu Pai, que está nos céus, é santo. Quando todos assim estivermos, numa unidade, uníssonos podem declarar que somos uma comunidade orante, abertos às necessidades das pessoas. Uma comunidade santa.

Frases de S.Vicente: “É preciso dar seu coração para obter em troca o dos outros”. “Dez vezes irão aos pobres, dez vezes encontrarão a Deus”. “Os pobres abrem-nos as portas da eternidade”.”Não sei quem é mais carente: se o pobre que pede pão ou o rico que pede amor”.
A SSVP foi fundada em 23/04/1833 por um grupo de universitários liderados por Antonio Frederico Ozanan que estudava direito na Universidade de Sorbonne.

São Vicente de Paulo foi canonizado em 16/06/1737 por Clemente VII  e em 16/05/1885 foi declarado patrono de todas as obras de caridade por Leão XIII. A Igreja celebra-o no dia 27 de Setembro.

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