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Balbuciando o Nome de Deus, uma reflexão para o tempo pentecostal.


Pentecostes sempre foi um dos maiores acontecimentos da História da Salvação. Antes de ontem, na Igreja Primitiva, a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos foi um acontecimento auspicioso e o que está escrito nos Atos dos Apóstolos é, talvez, uma interpretação poética e profética de algo bimilenar. Tudo revelava a presença do Espírito Santo na Igreja de Jesus Cristo.

Pentecostes é a própria vida da Igreja.

O quinto evangelho descreve a vivência da Igreja dos primeiros tempos. Os cristãos começavam a se espalhar pelos diversos cantos do mundo e realizar prodígios sem conta, sinal da presença santificadora de Deus, que são ações inerentes a Ele e que hoje são realizados pelos homens.

Pentecostes continua hoje o que sempre foi. Deus continua o mesmo e o Espírito Santo também. A ação divina é imensa e intensa no mundo, na Igreja e em cada um de nós.

Os sinais mudam. Atualmente não é um sinal de Deus falar em diversas línguas ou praticar procedimentos de antigamente. A nossa consciência é crítica em relação a esses sinais realizados no coração da história.

O Espírito Santo está no homem e em todos os homens. Não estamos preparados para entender a ação de Deus no favelado, no indigente, no Presidente da República. Ele se faz presente nas experiências exaltantes como nas dolorosas. Está em cada pessoa, tanto do Ocidente como do Oriente, no inteligente como no cretino e, em cada pessoa é capaz de fazer um ser de luz e de amor, e dá a cada um a capacidade de amar a Deus e ao próximo.

O Espírito Santo está na Igreja para que dê testemunho do Evangelho. Somente os cristãos têm condições de anunciar quem é Deus, pois, só a fé pode comunicar esse acontecimento. Uma pessoa sem fé pode viver o Evangelho e sem saber estar em comunhão com Deus. Os cristãos têm uma missão específica junto aos que não tem fé: anunciar o plano de Deus, realizada por Cristo e continuada pelo Espírito Santo, o que nos dá imensa responsabilidade. Balbuciam o nome de Deus mas ninguém pode dizer “Senhor Jesus”, se não estiver sob a moção do Espírito Santo.

Naqueles tempos quem estivesse cheio do Espírito de Deus era considerado santo e, por que hoje não os são ? Por que são insensíveis à sua ação ou por que não estão disponíveis?

Se estão a serviço permitem que Ele invada o ser, como invadiu o universo inteiro . “O Espírito Santo encheu a terra” (Livro da Sabedoria, 1,7)

O Espírito Santo está no mundo, na Igreja e em cada um de nós. Há um Pentecostes atualizado. Deus com o seu Espírito continua invadindo a terra, apesar dos obstáculos e das resistências, das insensibilidades às ações. Deus é fecundo, faz com que todos cresçam no amor e na libertação e, ainda mais, que acolham o seu dom. Vive-se Pentecostes em dois ritmos: o da ação e o da contemplação.

Viver Pentecostes no ritmo da ação é doar-se a ponto de ajudar na construção deste mundo. No ritmo da contemplação é conseguir fazer silêncio. É aprofundar cada vez mais, a ponto de concentrar-se no Deus vivo , abrindo as portas da vida para os dons que Ele nos oferece.

Não se consegue fazer tudo ao mesmo tempo, pois, há um para cada ritmo.

Os grandes momentos do amor a Deus só podem ser vividos com maior intensidade a partir da concentração, a partir do silêncio, em profundidade, sem tensões, sem divisões e sem ansiedades. É o próprio Espírito de Deus que exige esse recolhimento. “Quando quiseres orar fecha a porta dos teus aposentos”. (Mt.6,6).

Pentecostes é um vasto movimento de oração, da ação em que se faz da vida um gesto de amor aberto aos desígnios de Deus; da contemplação , que é o recolhimento de nossas forças para balbuciar o nome de Deus , adorando-O, que é um ato de amor radical e assim abrir-se ao amor infinito para que nos transforme com toda a liberdade. Pentecostes é a vida da Igreja, é o coração da comunidade cristã.

Diácono Adilson José Cunha
23/04/2013

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