domingo, 16 de junho de 2013

Redes Sociais: Portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização.



Um dos últimos escritos do Papa Bento XVI, antes de deixar a Cátedra de São Pedro, foi a mensagem para o 47º dia mundial das Comunicações Sociais, datada de 24 de janeiro de 2013. E brindou-nos, mais uma vez, com uma reflexão lúcida e clara a respeito das redes sociais e sua importância para a evangelização.

As chamadas “redes sociais” fazem parte da vida de grande parte das pessoas no mundo inteiro. Jovens e adultos, mas também crianças e idosos se servem das redes sociais para interagirem entre si, trocarem informações, se divertirem etc. Alguns especialistas dizem que já não é mais a televisão que dita a moda ou o comportamento, como no passado, mas as “redes”, tais como o facebook, o twitter etc., dada a influência que exercem sobre as pessoas.

O Papa emérito chama a atenção para o fato de que as redes sociais não são apenas instrumentos tecnológicos e já não podem mais ser consideradas “meios” de comunicação, mas que se constituem em verdadeiro “ambiente” para as pessoas que delas participam, “tornam-se cada vez mais parte do próprio tecido da sociedade” e “o ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade cotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens”, afirma Bento XVI.

A atenção da Igreja se volta, então, para esta nova ágora (praça pública), “onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões e podem ganhar vida novas relações e formas de comunidade” (Bento XVI, DMC 2013), para também nas redes sociais anunciar e testemunhar Jesus Cristo e a verdade do Evangelho.

O dia mundial das Comunicações Sociais, celebrado a 12 de maio deste ano, teve como tema “Redes sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização” e quis ser um convite a que a Igreja que somos todos nós, pastores e fiéis, sejamos capazes de compreender este ambiente digital e sermos uma presença significativa nele.

Bento XVI nos convida a testemunharmos Jesus Cristo coerentemente nas redes sociais, mesmo quando não falamos explicitamente da nossa fé, ou seja, a maneira de dialogar, interagir, trocar experiências e conteúdos já mostra quem somos e é capaz de comunicar valores mesmo quando “se conversa e leva a sério aqueles que têm ideias diferentes das nossas” (Bento XVI, DMC 2013).

Por isso, a autenticidade e a verdade são as virtudes maiores daqueles que desejam comunicar a verdade de Jesus Cristo nas redes sociais, pois “as pessoas que nelas participam devem esforçar-se por ser autênticas, porque nesses espaços não se partilham apenas ideias e informações, mas em última instância a pessoa comunica a si mesma” (Bento XVI, DMC 2013).

É natural e muito saudável que quem possui a fé deseje compartilhá-la com aqueles que encontra na vida e, também, no ambiente digital que pode ser um espaço muito eficaz de evangelização, se equilibradamente valorizado. Mas, para isto, alerta o Papa emérito, é preciso não se deixar levar pelo sensacionalismo e pela popularidade – o que não raramente determinam a eficácia da comunicação – mas sim pela importância real e a validade do se quer comunicar.

Deixo o meu carinhoso abraço a todos os queridos paroquianos da Sagrada Família, bem como o desejo de que usem das redes sociais para anunciarem a Cristo e seu Evangelho.

Pe. Daniel Menezes Fernandes,
Pároco da Paróquia N. Sra. do Carmo, em Carmo da Cachoeira/MG.

sábado, 15 de junho de 2013

Crônica de um jovem ancião de 75 anos.



Desabrochando qual um botão róseo, vem o jovem ancião ostentando seus 75 anos de existência, contando-nos sua longa história e fazendo-nos pensar, quantas vezes dentro período ele viu raiar dos dias que fielmente vêm contribuindo para esta contagem.

─ Não estou cansado!

Jamais me passou pela mente, a mais vulgar ideia de morte. Sou otimista. Meu desejo, é expandir-me como toda fidelidade e confiança no mundo cristão e vocacional. A velhice, não se apodera de mim, pois estou sempre atualizado.

Dificuldades, sei que não se ausentarão de mim, pois são elas que garantem minha estabilidade, além da base formada por espiritualidade. Serei sempre o mesmo, mas com fisionomia diferente em determinadas épocas, pois seguirei a evolução dos tempos. Odeio a bitolação e o comodismo. Aprecio o dinamismo e a criatividade. Sou tremendamente defeituoso, porém, serão vocês, os meus corretores, se bem que meus erros provêm de vocês.

Voltemos um pouco atrás. Lembro-me com saudades de minha fundação, feita pelo Revmo. Padre Valentin Von Riedel, a 3 de outubro de 1898, o qual “regou com lágrimas de sangue esta semente que por isso cresceu e frutificou cem por um”.

Recordo dos cinco dos meus cinco juvenistas primordiais num chalé da Rua Oliveira Braga,depois o Hotel Arlindo, onde é hoje o Hotel Recreio. Lembro-me da Pedrinha, ao pé da Serra da Mantiqueira, onde envolvidos na imensidão do silêncio, gorjeio dos pássaros e respirando ar puro das colinas, meus juvenistas se desenvolviam espiritual e intelectualmente.

Depois, o Colegião, onde fiquei até 1952, quando mudei definitivamente para este prédio onde estou, construído especialmente para o meu funcionamento.

Como vocês sabem, conto hoje com 75 anos de idade e com mais vigor do que nunca. Com minhas transações, quero dizer-vos, que o homem não é estático enquanto vive sobre a terra. Os 160 rapazes que aqui estudam, neste ano do meu jubileu de diamante, estão aprendendo tudo sobre a minha vida. Eles estão adorando!

Sabem o que eles fazem? Eles pesquisam nos arquivos, nos livros de crônicas, entrevistam os padres mais antigos e com esta inspiração, fazem festas, peças teatrais, murais, escrevem poesias, poemas e compõem músicas. Estão também, realizando um torneio entre si, cujas modalidades esportivas, são: futebol, salão, bola ao cesto, Volei-bal, tênis de mesa, bilhar, xadrez e atletismo. O meu diretor, para estas competições, dividiu os seminaristas em equipes de 19 a 20 elementos. Eles estão entusiasmados. A data máxima será dia 3 de outubro próximo, ocasião em que os vencedores receberão seus prêmios e também, por ser aniversário de minha fundação.

Se for da vontade de Deus e tudo der certo, pretendo ainda formar milhões de Sacerdotes Redentoristas.

Baltazar Custódio Alves
Outubro /1973
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