sábado, 5 de outubro de 2013

São Francisco de Assis



Ao celebrar vinte e sete anos de ordenação diaconal no dia quatro de outubro , nada mais justo que escrever a biografia do patrono,pois, foi nesse magnífico dia, que as mãos foram impostas em nossas cabeças ou seja , na minha, bem como nas de Otto Luiz Nunes, Petrus Eugênio Lencione e João José Monteiro , de saudosa memória.

Francisco nasceu a 26/11/1182 no seio de uma família rica. Seus pais, Pietro e Sra. Boulemont, eram comerciantes bem sucedidos na cidade de Assis. Pela mãe dispensava um grande amor.

Sua juventude configurou-se na alegria, na musica e nas festanças. Com muito dinheiro para gastar, era um rapaz extravagante e indisciplinado.

Gostava de banquetes, noitadas de diversão e participava de serenatas. Conquistar fortuna, fama e título de nobreza era seu intento, mas para isso precisava participar de batalhas e, em uma delas caiu prisioneiro permanecendo na cela, longos e gelados meses, só se livrando dela graças ao dinheiro do pai. Usou de sua alegria, do seu temperamento extrovertido e do gosto pela música para amenizar aquele infortúnio e dizia aos amigos da prisão: ”Como querem que eu fique triste, sabendo que grandes coisas me esperam? O mundo inteiro ainda falará de mim”.

Retornou para Assis ao se ver livre da prisão, tornando-se a se encontrar com os amigos das noitadas e das festas.

Da prisão enregelada herdou uma grave enfermidade. Assim que se recuperou, não era mais o mesmo, mas ainda não era a vontade de Deus a seu respeito. Profundas mudanças foram acontecendo a partir do sofrimento, da humilhação e do enfraquecimento. Estava sendo lapidado. Já não sentia mais o mesmo prazer de antes. Os bens mundanos não mais os atraiam, embora sonhasse com a glória das armas e dos campos de batalha, por isso alistou-se em um exército que defenderia os interesses da Igreja, nos tempos do papa Inocêncio III.

A um amigo deu os seus trajes ricos e a armadura caríssima que havia preparado para si, e, a caminho de Espoleto, escutou a voz divina: ----Francisco, quer servir ao Senhor ou ao servo? O que ele respondeu:- -----Ao Senhor é claro! E a voz lhe falou novamente:- ---- E por que insiste servir ao Servo? Retorna para Assis e lá lhe será dito o que terá que fazer! E assim o fez enquanto perguntava a si mesmo:- ------O que Ele quer que eu faça? O que ele quer de mim? Questionamentos que se tornaram uma constante em sua vida.

O menino inquieto passou a dedicar-se a oração e à meditação, percorrendo campos e florestas, em busca de respostas para suas dúvidas e inquietações, enxergando as coisas com outros olhos e com outro coração.

Nesse ínterim fez uma viagem a Roma onde visitou o túmulo de São Pedro, onde viu muitos pobres e deu muitas moedas de ouro. Trocou os ricos trajes por outros a igualar-se com os mendigos, uma primeira experiência em viver na pobreza, o que deixou a todos preocupados pensando estar ele fora de juízo, com as faculdades mentais abaladas.

O jovem de Assis havia adquirido um coração humano para não dizer divino, conseguindo beijar um leproso após lhe cobrir com o seu manto e disse:- -----“o que antes para mim era amargo agora é uma doçura” e daquele momento em diante entregou-se a Deus e afastou-se do mundo.

Nessa ocasião, no momento em que rezava em uma igreja , escutou a voz de Deus:---- Francisco, reconstrói a minha igreja”. Não entendeu muito o que aquilo queria dizer, por isso recorreu à fortuna da família e se dispôs a reformar capelas e igrejas, o que levou o pai a encolerizar-se e o colocar no porão da casa acorrentado, só se livrando dela pelas mãos maternas, buscando proteção junto ao bispo.

Ele não nasceu santo, mas se fez santo através das lutas que empreendeu consigo mesmo.

Como o Espírito Santo está sempre delineando a vida das pessoas, chamou o Jovem Francisco, que aos vinte anos abandonou a vida luxuosa e foi determinante em se doar aos pobres e doentes.

Definitivamente, aos vinte e cinco anos, deu um basta aos bens iniciando a vida religiosa.

O jovem de Assis juntamente com alguns amigos resolveram fundar uma ordem religiosa, a principio só de irmãos leigos, mas com o passar do tempo , a ordem contou com sacerdotes, pois, Santo Antonio , presbítero , adentrou à ordem e lecionava teologia aos irmãos. Muitos deles ficaram padres. Com isso a ordem passou a ser de sacerdotes e de irmãos.

No decorrer da história, juntamente com Clara, sua predileta amiga, fundaram a Ordem das Clarissas, a Ordem das Damas Pobres. Sob sua inspiração nasceu a Ordem Terceira para os leigos consagrados.

Foi uma criatura de paz, do bem, terno e amoroso. Amava a natureza, tratava com amor as plantas e os animais. Cantava o sol, a lua e as estrelas além de ser um poeta. É um dos santos mais populares dos tempos de hoje.

Ao perceber que sua morte era iminente voltou para Porciúncula, sua amante preferida, e no dia três de outubro de 1226, no período vespertino, cantando o salmo 141 deu adeus ao Vale de Lágrimas, para se encontrar definitivamente com aquele que o chamou na mais tenra idade, para exercer uma missão nada fácil de entendimento nos tempos de hoje. Diz o seu biógrafo que, assim que faleceu, houve uma revoada de pássaros que com suas cantorias louvavam a Deus.

Foi enterrado no dia seguinte na Igreja de São Jorge e em 1230 deu-se a inauguração da Nova Basílica de Assis,onde estão suas relíquias e abriga o túmulo definitivo.

Missionário de seu tempo, dono de muitas citações, entre elas: “Pregue o Evangelho em todo o tempo. Se for preciso use palavras” e, em outro momento disse: “O homem deveria vibrar, o mundo deveria tremer, o céu inteiro deveria comover-se profundamente quando o Filho de Deus aparecer sobre o altar nas mãos do sacerdote”.

Homem de oração e de penitência, recebeu os estigmas e por isso pode ser chamado de São Francisco das Chagas, o que embasa ser patrono da Diocese de Taubaté-SP.

Foi canonizado por Gregório IX, no dia 06/07/1228, fato que aconteceu em Assis pelo próprio papa, dois anos após sua morte. Pio X o consagrou como patrono maior da Itália, embora seja conhecido como protetor dos animais.

São Francisco de Assis, rogai por nós.

Diácono Adilson

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

São Benedito, o Santo Preto.

Nasceu no ano de 1524 e era filho de Cristovão Manasseri e Diana Larcan. Seus ancestrais eram da Etiópia, portanto, de origem africana. Sua mãe era “doce e pacífica, de maneiras graciosas e amáveis, modesta, devota fervorosa do Santíssimo Sacramento e, sobretudo, extremamente caridosa para com os pobres” e o pai levava uma vida fervorosa, vivendo para Deus, para a família e para o trabalho, bem como rezava diariamente o rosário e ensinava quem trabalhasse com ele.

Benedito teve outros irmãos: Marcos, Baldassara e Fradella. Na família de Fradella houve uma religiosa da Ordem Terceira Regular de São Francisco, que morreu em Palermo com fama de santidade: sóror Benedita.

O primeiro filho de Diana, Benedito, tinha os traços do rosto delicados e finos e dele diziam: “Negro, mas formoso”. Foi educado no caminho da santidade, pois, sua mãe era rica das graças de Deus. Aprendeu os rudimentos da fé sempre se mostrando recolhido, educado e humilde. Tinha grande amor à Eucaristia e a Nossa Senhora.

O desejo de se consagrar a Deus pela vida religiosa veio aos dezoito anos, mas foi aos vinte que tudo aconteceu definitivamente, quando largou o arado e os dois bois que comprou para ajudar a família e aos pobres.

O chamado aconteceu por meio do Frei Jerônimo, que lhe deu a oportunidade de professar na Ordem Franciscana dos Padres da Observância. Sentiu a maior felicidade de sua vida e teve então a oportunidade de entregar-se à oração e à penitência. Deixou tudo para servir a Deus e a mais ninguém.

Os Irmãos Eremitas Franciscanos viviam uma vida austera, unindo solidão e pobreza. O jovem negro observava a regra perfeitamente e Jerônimo via-o como um anjo em carne humana.

Após a profissão perpétua sentiu o desejo de cada vez mais se assemelhar a Jesus Cristo Crucificado. Servia-se do estritamente necessário para viver; dormia no chão, usava cilício, não usava agasalho no inverno e jejuava constantemente. Foi um perfeito imitador de São Francisco de Assis.

A fama de santidade do Frei Benedito era tanta que o deixava desconfortado, pois, muita gente corria ao seu encontro e não tinha mais tempo para a oração. Todos que iam a ele eram curados, por isso frei Jerônimo levou os seus confrades para Mancusa, a quinze quilômetros de Palermo.

O povo o descobriu nas montanhas e quanto mais aumentava a fama de santidade maior era a procura por ele.

Houve outra mudança de lugar dos franciscanos e lá, com apenas um sinal da cruz curou uma mulher de um cancro no peito.

O eremita Benedito estava com 38 anos dos quais 17 anos no deserto. O demônio não suportava o eremitério do Frei Jerônimo, por ser um ninho de santidade, mas por ordem do Santo Padre Pio IV, unificaram-se os Franciscanos e os eremitas foram destacados para conventos diversos e se separaram. Benedito foi para a Ordem dos Frades Menores Reformados. Foi acolhido com honra, alegria e de maneira carinhosa, não havendo necessidade de reformar os votos . Foi o santo frei viver no Convento de Santa Maria de Jesus, onde ficou até a morte. Lá trabalhou como cozinheiro e fez da cozinha um lugar de oração e fervor. Sempre tinha uma boa palavra e um bom conselho aos empregados e auxiliares. O cansaço era transformado em penitência. Alegre e amável para com todos, fazia prodígios. Por ocasião do capítulo provincial pediu que enchessem as vasilhas de água, pois os víveres eram escassos. Sempre em oração. De manhãzinha ao abrirem as vasilhas com água, viram peixes graúdos que dava para alimentar a todos.

No outro dia o problema era a carne, não havia tempo hábil para prepará-la e não demorou muito: ao destamparem as panelas estavam temperadas e cozidas. Todos as saborearam.

Um dia, faltando lenha, o santo preto embrenhou-se na mata onde avistou uma árvore caída, que dez homens não eram suficientes para movê-la, Benedito colocou-a nos ombros e levou-a para a cozinha e sua fama de santidade se espalhava.

Em 1578, os Franciscanos reunidos em capítulo provincial elegeram Benedito superior do Mosteiro Santa Maria de Jesus, qual só aceitou em nome da Santa Obediência, e quis governar mais pelo exemplo e pela oração que quaisquer virtudes. Era o primeiro a chegar para as orações e não se considerava dispensado de exercício algum. Era a regra viva. O seu fervor edificava a todos e mesmo sendo superior, lavava pratos, varria a casa, trabalhava na horta e no jardim, com humildade e simplicidade. Pelos sacerdotes tinha grande respeito.

Quando as pessoas iam a ele, não precisavam dizer nada. A um teólogo deu explicações bíblicas, a uma mulher que estava procurando um filho disse-lha que teria noticias em breve do rapaz. Aos pecadores pedia para se confessar e quanta gente se convertia e mudava de vida. Curou o marido que maltratava a esposa e filhos, tornando-o bom, delicado, honesto, trabalhador e ótimo esposo e pai.

Ele profetizava dizendo:

----diga ao doente que tenha paciência e se conforme com a vontade de Deus. Vai sarar. Deus ajudará.

A uma gestante disse:

----Seu filho será um ótimo sacerdote.

A outra disse:

----Seu marido ficará bom, e quanto ao menino, haverá coisa melhor que dar um filho a Deus? O marido sarou e o garoto morreu. Era visitado por gente simples e gente graúda: condes, vice reis, bispos, cardeais, monsenhores. Todos eram assíduos frequentadores do convento Santa Maria.

Ele afirmava que as curas eram intervenção de Nossa Senhora. Até o cavalo do senhor que transportava lenha para o convento foi ressuscitado.

Quanto mais ele se humilhava, mais o povo o perseguia. A santidade do Filho de São Francisco conquistava o povo.

Assim como o justo vive da fé, frei Benedito afirmava:

----“A fé nos guia , ilumina, purifica, salva e cura. Enfim , onde ela falta , falta tudo, absolutamente tudo.”

Aqueles que não têm fé ele aconselhava:

----“ Façam o sinal da cruz , uma oração, um olhar para o céu, uma Ave Maria ou o rosário da Virgem. Operava maravilhas. Que fé ardente, viva, era sua !

O santo abençoou muitas gestantes e dizia o futuro de cada criança.

Tinha grande amor pela eucaristia; Jesus Sacramentado o deixava imóvel. Entrava em êxtase quando meditava sobre o céu. Tudo por amor a Deus era o lema dele. Sempre irradiava o amor de Deus que havia dentro de si, fazia do trabalho uma oração.

No que tange a pobreza, São Benedito foi imitador de seu pai espiritual, São Francisco, por isso usava um hábito velho, remendado e pobre. Nada de supérfluo. No seu quarto, o qual chamava de palácio, o colchão era de palha, e na parede havia uma estampa de Nossa Senhora sendo que o crucifixo era traçado com carvão.

---- “A pobreza me é querida demais”. Vivia com o necessário e jamais se queixava das coisas adversas.

São Benedito foi sempre um belo templo do Espírito Santo, durante toda a sua vida. A Eucaristia era a sua vida e dizia sempre:

----“Sei que sou pecador, mas espero me salvar pelos méritos de Jesus e pela intercessão de Maria, nossa co-redentora”.

Em 1589, o santo frei ficou doente e o médico disse:

----É uma tristeza para nós. Vamos perdê-lo em breve.

São Benedito sorria feliz. Suspirava pela morte. Fez mortificação, a bondade, a oração e a obediência foram virtudes que ele mais praticou no leito de morte. Rezava muito e pediu que o sepultassem logo, assim que morresse.

Em êxtase, banhado de sangue e pedindo perdão a todos recebeu a unção dos enfermos. E chegando a hora ,ele viu Santa Úrsula,de quem era devoto, e suas virgens. Era a visita do céu. Sorridente, faleceu. Era o dia quatro de abril de 1589, terça feira de Páscoa. Tinha 65 anos.

Os frades transladaram o corpo para a Igreja do Mosteiro, cantaram o oficio dos defuntos e logo o sepultaram. O seu corpo se encontra em Palermo numa capela lateral da Igreja de Santa Maria, bastante conservado. Na festa da Santíssima Trindade, no dia 25 de Maio de 1807 Pio VII o declarou santo.

São Benedito, Rogai por nós !
Diácono Adilson
30/09/2013
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