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Imigrantes Italianos na Província de Minas Gerais

Professor de História relata a presença do imigrante italiano

Em Alto-Mar foi publicado no século XIX, mais precisamente em 1889. É a história real da travessia do Oceano Atlântico no vapor Nord America que partiu de Gênova com 1.700 passageiros no ano de 1884. A lotação era composta em sua maioria de trabalhadores rurais italianos pobres que buscavam encontrar nos países da América do Sul uma perspectiva de vida melhor.

O Prof. Jaime Corrêa da Veiga ao escrever O POÇO DA COBRA PRETA enriquece seu conto apontando a presença de imigrantes italianos na vida da fazenda da família Andrade Junqueira em Minas Gerais.

O livro em questão detém-se em uma travessia específica, aquela em que, além de ser constituída de pessoas analfabetas e pobres, trazia também, um dos mais notáveis escritores italianos, Edmondo de Amicis. O navio transformou-se em um pequeno mundo formado por italianos cheios de esperança, de “dar duro” e com o propósito de, como eles mesmos diziam “de fazer a América”.

Foi nesse período histórico que Sunta Angelo veio para o Brasil e encontrou emprego na histórica fazenda dos Andrade Junqueira. No entanto, antes do emprego passou pela prova do fogo — a travessia do oceano tendo como parceiros outros imigrantes com roupas puídas, vindos das mais diversas regiões da Itália e que estampavam a fisionomia cansada pela longa viagem que fizeram para chegar a Gênova. Grávidas, mulheres com bebês de colo, crianças irrequietas, homens barbudos, jovens cheios de esperança são os seus companheiros de viagem.

Sem sombra de dúvidas ela fazia parte dos passageiros humildes da terceira classe. Sunta Angelo naquele navio, um microcosmo formado por pessoas em busca de uma vida melhor, só tinha a si mesma e o recurso das suas vivências numa pequena comuna. Certamente viveu a insegurança e o medo de não atingir o seu destino e, por outro, se houvesse uma epidemia a bordo e se viesse a morrer e ter o corpo atirado ao mar. Oriunda de uma vida campesina, portanto, ligada à terra, o que lhe resta é enfrentar as adversidades através de sua religiosidade.

O mar deveria assustar aquele povo cuja vivência diária era a de ter os pés no chão em sua tarefa de cultivo da terra. E mais, lembrar que tempestades também acontecem no mar. Seriam vinte e dois dias em um espaço limitado e em condições precárias. Enfim, toda ansiedade passou e Sunta Angelo no Brasil, entre tantas experiências positivas, conseguiu comprar junto com seu marido Hilário Pereira um pequeno sítio — o IPÊ. Construíram sua família que logo foi ampliada com o nascimento de uma filha, Jandira. Os laços de afinidade foram ampliados. Os patrões foram padrinhos de Jandira. Com o passar do tempo Jandira casou-se com Belmiro da Família Andrade Junqueira e com isso houve a união de duas famílias, que segundo o Prof. Jaime caracterizava-se como uma “família mestiça” dada às diversidades: sociocultural e econômica.

Ficou para trás e pertence ao passado a lembrança de uma Itália unificada que expulsou de seu país, num êxodo maciço, milhares de camponeses, trabalhadores rurais, artesãos e desempregados. Foi no seio da família que se dissipou a maior dor sofrida por deixar a terra natal. A fase mais dura e dramática da separação da própria terra para enfrentar um futuro incerto e cheio de incógnitas se diluiu no convívio harmonioso da vida em família.

Nossa mais profunda e eterna gratidão ao Prof. Jaime Corrêa da Veiga, professor de História e Geografia em Três Pontas e Carmo da Cachoeira, Minas Gerais.

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