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“Baba Yetu”: o Pai Nosso em Swahili

Centenário de Nascimento do Cônego Manoel Francisco Maciel.

ESPÍRITO MISSIONÁRIO NA VIDA E NAS OBRAS

O século XXI tem se mostrado um século desafiador. A V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe apontou a responsabilidade da Igreja do Brasil e mostrou a missão como grande tarefa a ser realizada no presente e no futuro. O Documento de Aparecida, incorporando a energia do século, colocou a Igreja da América Latina em um grande e empolgante desafio: fazer dos católicos batizados deste Continente um povo de discípulos missionários de Jesus Cristo. Começou assim, em 2008, a Missão Continental. O seguimento de Jesus aglutinava-se em torno do “para que nele todos os povos tenham vida”. O referido documento revela a urgência de revisão dos novos caminhos, quando critérios e valores do passado são duramente questionados, negados ou mesmo ignorados.

Grandes e verdadeiros anseios foram plantados por muitos no coração da humanidade. Alguns sacerdotes que passaram por Carmo da Cachoeira deixaram seus legados de fé, de redescoberta da beleza, da grandeza e da força libertadora do seguimento de Jesus. Ao finalizar seu relatório de despedida, Padre Manoel Francisco Maciel deixa evidenciados os valores e crenças que, como princípios básicos, nortearam seus trabalhos como Pastor aqui. Sua missão evangelizadora em terras cachoeirenses baseava-se na crença de que a vida é graça de Deus e que Ele se revela, preferencialmente, aos pobres. Suas ações concretas na comunidade evidenciaram seu ideal e mostraram onde estavam enraizadas suas crenças: em valores espirituais e imutáveis. Lutou para que as consciências se elevassem, pois almejava ver as comunidades realizando suas próprias transformações. Desabafa, ao encerrar seu relatório: “Entretanto, não foi enxergada minha intenção e não foi reconhecido meu esforço.” Firme na fé e convicto de sua missão, ele declara “cumpro a vontade de Deus, indo para Baependi”, deixando aqui a existência de espaços para a convivência em grupos que permitiam às crianças se desenvolverem com segurança e liberdade, onde, brincando juntas, pudessem aprender a respeitar-se e a sentir a consequência de suas escolhas e atitudes.

Quando Padre Manoel faz seu desabafo – “não foi enxergada minha intenção” - estava querendo dizer: quero ver o desenvolvimento do cristão cachoeirense voltado para os valores humanos baseados nos ensinamentos de Jesus Cristo, para que haja respeito mútuo, se ajudem e cultivem o amor ao próximo, passando para o primeiro lugar o “Amar a Deus sobre todas as coisas”.

Grande foi seu empenho para organizar grupos religiosos de atuação na Paróquia. “Deixo a Paróquia enriquecida com o Apostolado; boa Pia União; boa Congregação Mariana; boas catequistas; Conferência Vicentina e uma Cruzada Eucarística formada com as melhores crianças e zelosos coroinhas. Sinto deixar a Paróquia, mas cumpro a vontade de Deus, indo para Baependi. Sobretudo as criancinhas de Carmo da Cachoeira, jamais me esquecerei na minha vida”. (Padre Manoel Francisco Maciel, Livro Tombo III)

Dom Innocêncio, Bispo Diocesano, em Visita Pastoral no dia 15 de março de 1946, registrou: “... Muito louvamos o zelo do revmo. Pároco Padre Manoel Francisco Maciel em reformar e levantar não somente as Irmandades, como também o próprio espírito do povo”.

No ano de 1960, Dom Othon, também em Visita Pastoral anota: “Levamos do povo muito boa impressão e do vigário, pelo seu espírito de sacrifício e dedicação. Que Deus assim o conserve. Ficamos também contentes em perceber que goza da confiança dos seus fiéis”.

Neste ano em que celebramos o Centenário de nascimento de nosso querido Padre Manoel ressoam em nossos ouvidos as palavras que revelam seu maior foco de interesse: as crianças e a juventude. Registrou ele: “Quando tomei posse desta Paróquia, em 1944, preocupou-me, em primeiro lugar, a fundação de um Ginásio e fiz funcionar ano e meio a título de experiência. Desapareceu porque fiquei sozinho no trabalho”.

Mundo da Juventude

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