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O Deserto Dourado, o Deserto Desnudo, e Carmo da Cachoeira, em Minas Gerais.


Sabemos que as terras localizadas mais ou menos a noroeste do Deserto Dourado e onde se encontra situado o município de Carmo da Cachoeira, eram conhecidas pelo nome de Deserto Desnudo.

Ignoramos a razão deste topônimo, todavia, como temos conhecimento de que, na região, ao lado de algumas florestas virgens estendiam-se também, vastas campinas, cremo que tenha vindo daí a denominação, porque realmente a zona era, até certo ponto, desnuda de matas, como também era paupérrima em caça e pesca. Tanto isto é verdade, que nunca se encontraram sinais de que tivesse existido alguma tribo de índios por aqui, e sabemos que os silvícolas somente armavam duas tabas onde houvesse fartura de: caça, pesca e frutas.

Mas, quem habitava o Deserto Desnudo, na segunda metade do século XVIII?

Três fazendas, que deveriam ser as mais antigas, sabemos que já existiam:

- Fazenda da Boa Vista, que pertencia à família Branquinho;

- fazenda do Rancho, há muito desaparecida, de Martinho Dias de Gouvêa; e
-fazenda Retiro, da família Reis e Silva.

Quanto ao local onde se encontra a cidade, apenas sabemos que tinha o nome de sítio da Cachoeira e pertencia, pelo menos em parte, aos Rattes cuja casa de residência ficava logo acima do atual matadouro Municipal e nela residiu mais tarde, até a sua morte, o senhor Adelino Eustáchio de Carvalho. Escrivão de Paz que antecedeu ao senhor José Godinho Chagas.

A respeito dos Rattes vamos transcrever abaixo os dados que nos foram fornecidos pelo senhor Ari Florenzano, no qual, mais uma vez, nos presta relevante auxílio , no afan de determinarmos, com a maior exatidão possível, os princípios de Carmo da Cachoeira.

Os dados são os seguintes:

"Em 27 de janeiro de 1770, no Altar-Portátil do Padre Bento Ferreira, no Deserto Dourado, batizou-se Caetana, filha de Cipriana Antônia Rattes, solteira, filha de Manoel Antonio Rattes e Maria da Costa Morais".

"Aos vinte dias do mês de junho do ano de mil setecentos e setenta e hum, na Hermida de Campo Belo, com licença do Reverendo Padre Bento Ferreira, Manoel Afonso batizou e pôs os Santos Óleos a Manoel, inocente, filho natural de Joaquina, solteira, filha de Manoel Antônio Rattes de de Maria da Costa, moradores do sítio da Cachoeira, desta freguesia, e de pai incógnito. Foram padrinhos Manoel Pereira de Carvalho e Maria da Silva, mulher de Francisco Oliveira Galante, de que fiz este assento, que assinei.O Coadjutor, Manoel Afonso Custódio Pereira".

Estes dois assentos foram extraídos do Livro de batizados n. 3, de Carrancas.

No Livro n.2, de casamentos, pág. 77, encontra-se com a data de 17 de novembro de 1772, o registro do casamento de Joaquina Maria da Costa, filha de Manoel Antônio Rattes e Maria da Costa Morais, com Manoel Batista Carneiro, filho de Luiz Pimenta e Maria Batista Pereira.

Como se vê, esta Joaquina, que em 27-01-70 era solteira mas batizava um filho, casou-se em 1772.

Ainda no Livro n. 1, de Lavras, com a data de 5 de dezembro de 1773, encontra-se o registro do batizado de João da Costa de Morais, filho de Manoel Antônio Rattes.

Eis aí, portanto, quem eram os Rattes, moradores do sítio da Cachoeira, do Deserto Desnudo, primeiros habitantes do futuro povoado de Cachoeira do Carmo, hoje cidade de Carmo da Cachoeira.

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