O seu nome é Jesus - 5ª Parte

Ele veio não como um clarão de luz, nem como um conquistador inacessível, mas como aquele cujos primeiros choros foram ouvidos por uma moça simples e um carpinteiro sonolento.

Vamos fazer algumas interpretações a partir da nossa finita humanidade.Deus tocou o ombro coletivo da humanidade: “com licença”, disse Ele, e a eternidade interrompeu o tempo, a divindade penetrou a carnalidade e o céu precipitou-sesobre a terra na forma de um bebê. O cristianismo nasceu de uma enorme irrupção celestial.

Poderíamos fazer algumas perguntas sobre os pastores de Belém. Afinal sabemos pouco sobre esses homens. Como se chamavam? Qual sua idade? Quantos trabalhavam naquela noite? Não sabemos. Porém podemos imaginar que pastores não são pessoas agitadas. São homens que, mansamente, cuidam de ovelhas. “Naquela região havia pastores que estavam passando a noite nos campos, tomando conta dos rebanhos de ovelhas” (Lc 2,8). Ovelhas devem dormir. Era o turno da noite. Pastores olhando ovelhas dormirem? O maior desafio deles naquele momento era não dormirem. Aqueles homens nem sequer aventavam a hipótese de qualquer alvoroço. E, claro, não desejavam nada disso. Qualquer tipo de agitação era sinônimo de coisa ruim: lobos, pumas, ladrões. Ansiavam sempre por calma e tranquilidade. Seu único objetivo era chegarem a casa e dizerem às suas esposas: “Nada aconteceu esta noite”. Porém,embora desejassem, nem sempre teriam uma noite tranquila. “E aconteceu que um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor resplandeceu ao redor deles; e ficaram aterrorizados” (Lc 2,9). Quando é necessário, Deus nos surpreende com uma sacudida, com algo que nunca vimos; e nós, quase sempre, a exemplo dos pastores, em vez de louvá-Lo, entramos em pânico. Interpretamos a ocorrência de um problema como ausência de Deus e “fugimos”. Certamente alguma coisa boa os pastores viram e sentiram, senão teriam perdido a mensagemdo versículo seguinte: “Hoje na cidade de David, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2,11).

Os Pastores e os Magos não se contentaram em ver aquela estrela de luz fulgurante, jamais vista, e em ouvir o coro dos anjos − “Glória a Deus nas alturas!” − embora tudo isso fosse muito espetacular; foi um grande privilégio ver aquele astro deslizando pelo céu noturno. Para eles, porém, isso não foi suficiente, não bastou verem a luz sobre Belém; precisavam ver a Luz de Belém. E foram lá para vê-Lo!

Alessandro Veiga Lima

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