Manoel Antônio Teixeira da Fazenda Campestre.

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Anônimo disse…
... ...
projeto partilha disse…
A presença da forte imagem do dia de hoje em nossas páginas nos levou a buscar os ALBUNS que contam parte da história de nosso passado mais recente (quando a Freguesia do Carmo da Cachoeira) era distrito de Varginha). Assim, folheamos as obras de Sylvestre Fonseca e João Liberal e de Luiz José Álvares Rubião, ambos editados no início do século XX.
Em Fonseca e Liberal, fls. 26 lemos:

O NOSSO PROGRESSO
O progresso do município e, como decorrencia, da cidade, data da immigração italiana e da inauguração da estrada de ferro; aquella trazida na quadra da immigração official, da Estação de Pinheiros, ancoradouro official dos emigrados italianos, na E. F. Central, e depois transportada da Estação de Três Corações, da antiga via-férrea Minas e Rio, para este município, por estradas de rodagens; esta, inaugurada em 1892, no traçado da antiga Muzambinho, actualmente fundida na Rede Sul-Mineira, e que ia morrer na Estação de Tuyuty, onde encontra a Mogyana. A immigração italiana dedicou-se com (...) e fazendo, pelo braço forte, com que ella se distendesse sempre de modo a construir.

(...) Substituiu o colono italiano, com vantagem enorme, o braço do escravo que, attonito e surpreso ante a libertação, cahiu em êxtase do tão bom como tão bom, abandonando a enxada, que o cabloco, na sua indolência, não quiz pegar, espiando-a, cuspindo de lado e em esguincho para se acocorar de novo, segundo narra ironica e pittoresca o espírito fino e observador de Monteiro Lobato, em Urupês.
O que o cabloco não quiz fazer, fe-lo o italiano, que, fazendo a prosperidade da lavoura cafeeira, de modo a tornar-se Varginha o empório do café sul-mineiro, fez também a prosperidade própria, pois contam-se no município diversos ricos cafelistas italianos abastados comerciantes, cujos proventos primeiros fora extrahidos do cultivo da terra, como colonos e jornaleiros.

Citamos em páginas anteriores deste blog, o nome de ANTONIO NICOLAU (Nicolesi/Nicolese), assinando a rogo. Este vigoroso imigrante italiano é ancestral de nosso colaborador, o historiador cachoeirense, arquiteto e pesquisador, JORGE FERNANDO VILELA, autor de o "Sertão do Campo Velho" onde questiona o papel do Quilombo Gondu/Gundu, a figura de Pai Paulo e quem eram os homens que o compunham. O Projeto Partilha tende a aprofundar estudos sobre a questão "quilombagem" a partir do perfil idealizado pela presença no local, nos idos anos do século XVIII, da FAMÍLIA RATES. A presença do imigrante italiano no distrito através das famílias, entre outras, dos "NICOLASI/NICOLASE", dos "PRIMAVESI", dos "MANTOVANI", dos VALENTIM", dos "RUSSI", dos "BANI", levam-nos a perguntar: quem eram os seus afins? Com quem buscavam se casar? Como ocorreu a dinâmica interativa no local? Qual era a relação do novo imigrante oriundo da Itália e mais politizado, portanto, conhecedor de seus direitos e deveres civis, religiosos e sociais? Ao referir-se ao "Commercio", Fonseca Liberal, fls.30/31/32 nos informa o seguinte:
"Entre os habitantes PRIMÉVOS da antiga Catandubas, citam-se, como troncos de numerosas famílias domiciliadas no município, desde afastadas éras, o tronco da família Teixeira e Rezende, representado por Antonio José Teixeira e Domingos de Carvalho, portuguezes vindos d´além mar a chamado de um tio José de Jesus Teixeira, donatário das minas de ouro em Campanha, onde, muito esmolér e caridoso, construiu, à expensas próprias, a egreja, ainda existente, das Dôres.
(...) Antonio José Teixeira casou-se na família Reis e Rezende oriunda de S. João D´El-Rey; Domingos Teixeira de Carvalho (o velho), casou-se na família Gonzaga Branquinho; José Braga, também portuguez, lavrador como os patrícios e primos antecessores e residente em fazenda própria, nas visinhanças das terras dos Tachos - foi a origem da família Braga; Gaspar José de Paiva, provindo de Campanha e casando-se com uma filha de José Braga, formou a família Paiva; Alferes Joaquim Antonio de Oliveira, lavrador nas
projeto partilha disse…
(continuação do comentário anterior):

(...)Alferes Joaquim Antonio de Oliveira, lavrador nas cercanias da antiga freguesia, foi o berço da família Pinto de Oliveira; João Gonzaga Branquinho, lavrador entre Varginha e Três Corações, deu origem à família Gonzaga Branquinho. No districto do Carmo da Cachoeira, Manoel dos Reis, oriundo de S. João D´El-Rey, da família Reis e Rezende, formou com treze descendentes, a numerosa família Reis; do mesmo modo se constituiram as famílias Villela e Naves, das mais numerosas do logar.".
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Fonseca e Liberal, transcreve às fls.10 de sua obra, "Álbum de Varginha" um interessante documento:

"... o que se deprehende de velho e precioso documento endereçado ao Bispo da antiga diocese e archivado entre os papéis de Marianna:
Exmo. e Revmo. Sr.
Diz o Alferes Commandante , como procurador dos applicados da Capella do Divino Espírito Santo do lugar chamado as Catandubas, filial desta matriz Sant´Anna das Lavras do Funil, que elle e applicados querem patrimoniar e intitular a dita Capella, por distar da Matriz quinze legoas e sete e oito das Capellas circumvizinhas, com Capelão actual que cura perto de mil almas e chegarão brevemente a maior número por haver um vasto sertão de mattas e Catandubas, e têem bens suficientes para o patrimonio, como se vê da escripta junto.
Datada de 12 de novembro de 1806, a referida escriptura de doação annexada á petição supra, traçando os limites do perímetro doado, adquirido do Cel. Francisco Alves da Silva, de cincoenta annos de idade, e da sua mulher dona Thereza Clara Rosa da Silva, com dezoito anos, narra a venda:'de hoje para todo e sempre, ao Alferes Manoel Francisco de Oliveira (a que foi incumbido de adquirir o patrimônio necessário para a installação de uma Capella, no logar chamado as Catandúbas e que servisse aos póvos applicados), como procurador dos Póvos Applicados, pelo preço e quantia de quatro centos mil réis, em que foram avaliados por dous avaliadores, o Alferes Francisco Alves Ferreira e o Alferes Joaquim Alves Ferreira, nomeados um pelo vendedor e outro pelo procurador dos Póvos, confessando-se os vendedores "pagos e satisfeitos" e obrigando-se a fazer bôa, mansa e de paz, firme e valiosa, por si e pelos sucessores.
Como não soubesse escrever a vendedora, assignou por ella, a escriptura, Joaquim Ignácio da Silva, sob o testemunho dos avaliadores, tendo sido redigido o instrumento de venda, a rogo, por João D´Avila Freire.
Despachada esta petição em 3 de dezembro de1806, na cidade de Mariana, pelo Douto Quintiliano Alves Teixeira Jardim, provisor, Vigário Geral e Juiz as Habitações e Dispensas, cioso dos seus deveres procuratoriaes para com os Applicados das Catandubas,- Alferes Commandante dirigiu-se ao Juiz de Vintena - Queiroz,solicitando-lhe, em petição, que lhe fosse dada a posse judicial das referidas terras, por qualquer de Justiça, ou da vintena, obtendo immediato deferimento. Em 12 do mesmo mez cumpria o escrivão o Juiz de Vintena - Antonio João Fernandes, na paragem denominada CÓRREGO DOS PINHEIROS, o despacho do Juiz, dando posse judicial das terras que contavam algumas casas, cobertas de telhas', ao procurador os 'Applicados', segundo o costume da época,isto é - cavando terra e lançando ao ar por três vezes, cortando ramos, abrindo portas e fechando-as, tirando terra das casas e lançando ao ar por três vezes, e gritando : - ha aqui alguém que se oponha a esta posse e entrega ao comprador?'
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Fonseca Liberal, na mesma obra citada no comentário anterior, às fls. 13 diz:

"Um anno depois, em 18 de janeiro de 1807, o então vigário de Lavras do Funil, padre José da Costa participava ao Vigário Geral o cumprimento do mandato, ficando, por esta forma, creado o Curato do Espírito Santo, embryão da futurosa e rica cidade, que deveria, mais tarde, chamar-se Varginha."
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Luiz Álvares Rubião, ao dissertar sobre o Município de Varginha diz:
-" em 1820, o nascente povoado da Varginha, até então conhecido por Espírito Santo das Catandubas (...).
A cidade de Campanha e da Formiga, como centros e empórios commerciaes de então, regorgitavam de vida e riqueza.
Nessa época, veio de São José d´El Rei para esta terra, o Major Venâncio José Franco de Carvalho (...). De São José veio, também, o cap. Antonio José Teixeira, tronco de importante família desta terra.

- Em 1831, foram concluídas as obras da primitiva Matriz, construída no local da antiga capella da Catanduba, sob a direção do mestre de obras José Simões Pereira.
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Um nome descendente de imigrantes italianos com atuação em Varginha, Minas Gerais, José Dalia (Zezé).

Descendente de Francesco D´Elia, da Província de Salermo -Itália e de Maria Moreno, os "Dalia", conforme passam a assinar no Brasil estabeleceram-se em Aiuruoca, Minas Gerais. O sexto filho deste casal, José Dalia casou-se com Ordália Carvalho Dalia, neta paterna de Venâncio José Franco de Carvalho e de dona Maria Custódia Nogueira. José Dalia foi oficial do registro civil de Varginha, Minas Gerais.
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Parecer de Luiz José Álvares Rubião sobre o imigrante italiano operante na região de Varginha:

"O braço do escravo, já de si escasso no município, como que tomado pela embriaguez duma repentina e inesperada liberdade, jamais com elle se podia contar na trabalhosa formação dos nascentes cafezaes.
A immigração italiana salvou, então, a lavoura periclitante. Os cafelistas dessa época, o coronel João Urbano de Figueiredo, o cap. Valério Máximo dos Reis, o coronel Eduardo Alves de Gouveia, o major Matheus Tavares da Silva e tantos outros, contrataram para as suas fazendas as primeiras famílias de emmigrantes italianos. E essa immigração, por felicidade de nossa terra, ao envez de ser uma escoria social das velhas cidades do velho muno, foi, antes uma lasca da rocha viva da nacionalidade italiana. Homens, quasi todos dos campos e aldeias - lobardos, toscanos, venetos, etc. - trabalhadores, robustos, enérgicos, activos e economicos, supriram cabalmente o vácuo aberto na lavoura o café pela falta de braço. E dessa léva e immigrantes ainda se encontra, actualmente (1918), numerosa próle mourejando na nossa florescente lavoura, embora os primitivos troncos tenham sido desveados da lavoura pelas negaças do commercio e da industria. E desses primitivos immigrantes, é de justiça notar, que bôa parte occupa lugar destincto na vida economica da nossa cidade, como capitalistas, negociantes fortes,proprietários abastados, industriaes activos, etc.
E desse modo, grande injustiça commeteriamos e ousasemos contestar, a influência deciziva da Colonia Italiana, na grandeza e prosperidade da cidade de Varginha. Que a bandeira gloriosa, que tremula nas margens do Piave, seja, sempre, nesta terra, considerada como um outro symbolo de ordem e progresso."

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