O capitão-de-campo Inácio Correia de Pamplona.

O português Ignácio Correia de Pamplona nasceu em 1731 na Ilha Terceira, no Bispado de Angra. Era filho legítimo de Manoel Correia de Melo e Francisca Xavier de Pamplona. Casou-se com Eugênia Luisa da Silva, mulata e filha de uma negra forra da nação Mina e de pai desconhecido. Com ela teve seis filhos: Simplícia, Rosa, Teodora, Inácia, Bernardina e Inácio Correia de Pamplona Corte Real, que se tornou padre.¹

Antes de completar trinta anos já era comerciante no Rio de Janeiro e abastecia Vila Rica e São João del Rei com diversas mercadorias. São João del Rei foi o local escolhido para fixar residência e trabalhar como cobrador do Contrato das Entradas do Tejuco ao lado de José Alvares Maciel durante os anos de 1759 a 1761.

Sua vida foi pautada pelas grandes expedições no combate aos índios, pelas batidas aos quilombos que se localizavam no Oeste de Minas Gerais e pelo controle quase que absoluto que detinha na região em função de possuir muitas terras e poderes conferidos pelos próprios Governadores. Além é claro, de sua participação ainda pouco compreendida na Inconfidência Mineira e na sua posterior delação do movimento.

Em 1764, quando o Governador Luis Diogo Lobo da Silva, precisando aumentar o número dos contribuintes e das riquezas empreendeu uma expedição por várias partes de Minas Gerais com o objetivo de conhecê-la para melhor fiscalizá-la, Pamplona foi convidado para auxiliá-lo no sentido de povoar e transformar os sertões de Minas em áreas produtivas.

O Governador Lobo tentava novamente civilizar a região e para isso encarregou Pamplona “... de formar uma companhia de pessoas idôneas, gente de valor, a fim de penetrarem com ânimo de se estabelecerem na Zona do Campo Grande e além da Serra da Marcela, obrigando-se o governo a lhes conceder por sesmarias as terras que escolhessem...”²

O objetivo desta expedição também era esvaziar as vilas das pessoas consideradas como vadias e sem trabalho.

“...As vilas e arraiais regurgitavam então de gente sem trabalho, ansiosas, aliás, por se colocar em novos distritos, onde melhorasse de sorte, e neste caso o primeiro passo a dar-se era criar lugares garantidos pela ordem e fortalecidos pela autoridade pública, livres de perturbações, tanto internas entre os moradores, como externas provenientes de malfeitores..." ³

O que Vasconcelos não percebeu foi que tais “vadios” eram provavelmente pessoas sem trabalho e sem perspectiva de obtê-lo em função do declínio da mineração e de todas as suas conseqüências.

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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Texto Anterior: A intermediação do trabalho dos índios.

1. Testamento de ICP Test. 1821 Cx.100 São João del Rei
2. VASCONCELOS, Diogo de . História Média de Minas Gerais..Belo Horizonte: Ed. Itatiaia, 1974 p. 196
3. Idem p. 215

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