Muro de pedra do moinho da fazenda Caxambu.

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O muro que cerca um dos lados do moinho fica próximo ao curral. Ambos construídos junto a Casa Sede da Fazenda Cachambu, da família Gouveia (Gouvêa), município de Carmo da Cachoeira, Minas Gerais. Uma singela visão, cujo extenso muro de pedras que segue até onde funcionou a antiga senzala da centenária fazenda, separa a parte mais baixa e reservada às águas. A área úmida, coberta por vegetação nativa, enriquece a paisagem por sua beleza e simplicidade. Jaboticabeiras, plantas medicinais rasteiras, pássaros, borboletas, insetos e o mugido dos animais moradores do curral, compõem a paisagem do muro de pedras. Ambiente agradável e sensível favorece o crescimento dos arbustos que orlam, singelamente, o antigo moinho, imerso no perpétuo frescor das águas e plantas. Este tom imprime ao ambiente um ar sagrado, místico. As fotos foram feitas por Evando Pazini acompanhado, neste dia, por um membro do Projeto Partilha. Ouvimos deste acompanhante o seguinte: "com sapatos nas mãos e pés descalços, aproximei-me deste santuário". Local propício para elevação. Elevação de consciências.

Próxima imagem: Detalhe da mata na fazenda Caxambu, Minas.
Imagem anterior: João Dias de Quadros Aranha e dona Cândida.

Comentários

projeto partilha disse…
Conferir no PROJETO COMPARTILHAR, site Descendência de Manoel Alves Pedrosa - Windows Internet Explorer
br.geocities.com/

Ana Teresa de Jesus, casada em 1766:
"PARTILHAS AMIGÁVEIS DE SEUS BENS, entre os quais as FAZENDAS CHAMUSCA E RIO GRANDE, e partes das fazendas PALMITAL E CAXAMBU".

Estas fazendas faziam parte do Distrito do Carmo da Boa Vista. Lavras do Funil. Comarca do Rio das Mortes. A sede do Distrito ficava na Fazenda Boa Vista, cujo proprietário era filho de Ângela de Moraes Ribeiro (Morais/Ribeira), José Joaquim Gomes Branquinho. Por motivo que ainda buscamos explicação, a sede do DISTRITO DO CARMO DA BOA VISTA, mudou-se para a CACHOEIRA DOS "DE RATES", e passou a ser chamada do CARMO DA CACHOEIRA, pouco km de distância da primeira fazenda - a DOS BRANQUINHOS DA BOA VISTA, ou seja, dos descendentes da antiga família paulista MORAES.
projeto partilha disse…
Foi com muita surpresa que, no ano de 2005, o Projeto Partilha encontrou na Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí um precioso trabalho. Entrando em contato com a autora do mesmo recebemos, em 06 de fevereiro de 2006 uma gentil cartinha com o encaminhamento do referido material. Trata-se de um levantamento arqueológico feito no Cemitério dos Escravos. Eis o teor da comunicação, e o relatório da Arqueóloga MARIA LUIZA DE LUNA DIAS (Dovica), responsável pelo estudo.

Santa Rita do Sapucaí, 06 de fevereiro de 2006.

Prezada Leonor,

envio-lhe os xerox solicitados com muita demora, desculpe, são as contingências da vida. As fotos que tenho foram danificadas por enchente e estou recuperando via computador. Mandei edita o DVD com as reportagens sobre o CEMITÉRIO DA CHAMUSCA, mas ainda não está pronto. Envio-lhe cópia futuramente.
Estou temporariamente em Santa Rita.
Vi uma referência histórica uma vez, que a capela primitiva de Carmo da Cachoeira ficava em São Bento Abade e fôra construída pelo Pe. José Bento Ferreira que morreu em 1784. O bairro CHAMUSCA era um dos mais povoados da região.
Abraços e tudo de bom.
MARIA LUIZA DE LUNA DIAS.

Obs.: Segue em anexo o material solicitado.

FUNDAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DO VALE DO SAPUCAÍ
Av. Prefeito Tuany Toledo, 470.
Pouso Alegre - Minas Gerais.
Cep. 37.550.000
CGC 23.951.916/0001-22

O CEMITÉRIO DE ESCRAVOS

DE

CARMO DA CACHOEIRA, MG

O MUSEU DA IMAGEM E DO SOM da FUNDAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DO VALE DO SAPUCAÍ realizou uma pesquisa arqueológico-histórica no local popularmente denominado "CEMITÉRIO DE ESCRAVOS" da Fazenda Chamusca. Trata-se de local ermo, afastado da cidade e da sede da fazenda, ocupando todo o topo de morro (fotos 1 e 2).
A vista que se tem no cemitério é linda e descortina as alterosas, possibilitando enxergar, em dias claros, a cidade de São Thomé das Letras, distante mais ou menos 30 kms. Esta coincidência não deixa de ser interessante, se pensarmos que S. Thomé foi fundada pelo escravo fugido JOÃO ANTÃO, conforme suas origens lendárias. Meu pensamento poético, influenciado pela beleza do local, é levado a imaginar que, quando vinham enterrar algum companheiro, os escravos observavam ao longe terras onde seus irmãos quilombolas encontraram a liberdade (se bem que uma liberdade momentânea...).
O cemitério possui uma área de aproximadamente 355 metros quadrados, cercada por um muro de pedras bastante sólido, com uma entrada onde se encontram duas grandes cruzes de madeira. As traves verticais das cruzes aparentam ser originais, embora haja acréscimos mais modernos nas traves horizontais. No interior dos muros, o terreno é plano , sem túmulos ou lápides, nada que permita identificar imediatamente um cemitério, ou sugerir sua idade. As crendices populares dá edificaram um pequeno altar de pedra, cheio de imagens quebradas e moedas recentes, de origem diversa da construção dos muros (fotos 3 e 4).
A prospecção arqueológica realizada evidenciou seis enterramentos bastante antigos, bem próximos uns dos outros, a uma profundidade relativamente constante de 1 metro e 30 centímetro. (os famosos "sete palmos"). Um deles era de uma criança, ainda com os dentes de leite, cujo crânio jazia sobre um enterramento adulto (fotos 5, 6 e 7).
O material arqueológico associado aos enterramentos é escasso, tratando-se basicamente de alguns colchetes de ferro, bastante grosseiros, justamente o mais mal conservado, frágil e que aparenta ser o mais antigo (foto 9), forneceu vestígios de caixão, pequenas lascas de madeira onde estão pregados pregos de ferro. Este enterramento era bem marcado na superfície, por uma larga pedra polida, na base do muro, e outra pedra fincada no chão, à semelhança de uma lápide bastante rústica (foto 4), ao lado do pequeno altar de construção recente. As covas encontram-se polvilhadas de malacacheta brilhante, carvão e ocre, o que não ocorre em igual intensidade fora do cemitério, possibilitando a hipótese de antigos ritos mortuários terem sido praticados, num sincretismo religioso das culturas negra e indígena.
O tamanho do cemitério, a qualidade caprichosa de seus muros e pórtico e o enterramento mais antigo, em caixão, parecem indicar que, originalmente, o cemitério não foi construído para abrigar apenas escravos. Para edificar aqueles muros foram necessários muitos dias de trabalho organizado, para a extração de pedras nas proximidades, seu transporte até o local, a feitura de argamassa e o traçado linear e cuidadoso dos muros. O trabalho despendido não poderia ter sido realizado apenas aos domingos e dias santos, os únicos momentos de folga e descanso dos escravos, dias tradicionalmente consagrados às suas festas e ao culto de suas roças particulares.
O completo abandono do cemitério, em nosso século, destruiu os vestígios de sepulturas que, aliás, devem ter sido muito modestas, com apenas uma cruz de ferro ou madeira, pois os artesãos de pedra eram raros na região.
Analisando a história bastante recente da cidade de Carmo da Cachoeira, com suas origens ainda obscuras, verificamos que a região já era bastante povoada lá por meados de 1700, existindo nesta época mais ou menos onze fazendas espalhadas pelas redondezas. Algumas destas antigas fazendas sobrevivem até hoje, guardando a memória da escravidão, em seus muros de adobe, cupim e pedra (foto 10), seus alicerces de antigas senzalas, abandonados nos pastos, ou servindo de base de modernos paióis e currais.
Os donos destas fazendas e as pessoas importantes da região eram enterradas no chão das capelas, todas elas destruídas pela mania de "modernidade" e o horror à memória que o brasileiro sente. De qualquer forma, nem todas as pessoas eram enterradas nas capelas, sendo necessário um "Campo Santo" para abrigar os mortos. Creio que o cemitério da atual fazenda Chamusca poderia ter sido construído originalmente para abrigar os mortos das fazendas da região, e não apenas escravos. Com o passar dos tempos e o assentamento de núcleos urbanos próximos, como Varginha, Lavras, São Thomé das Letras e Três Pontas, o cemitério ficou relegado apenas aos escravos. Desta época em diante, ocorreu um surto de bexigas (a epidemia de varíola que assolou o Brasil em meados do século XIX), que grassou com violência na região de Carmo da Cachoeira, e que foi responsável pela superlotação do cemitério da Chamusca, inclusive com enterramentos superpostos, os mais recentes sobre mais antigos.
Este trabalho preliminar de arqueologia-histórica está longe de esgotar as grandes possibilidades de melhorar o conhecimento do passado regional. O Museu da Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí continuará pesquisando artefatos, documentos históricos, mapas e outros indícios do passado, inclusive buscando o testemunho de pessoas que guardam lembranças da época (história oral). Outro aspecto essencial é a divulgação das pesquisas através da mídia, para que as comunidades locais tomem consciência da importância da preservação histórica e ambiental. O trabalho desenvolvido pelo MIS/FUVS atrai a atenção da Rede Globo de Televisão, que sempre reserva horário sobre o Cemitério de Escravos da Fazenda Chamusca foi ao ar no último (antes de 1992) segmento do EP TV, às 20 horas do dia 7 de setembro.
Pesquisando, recuperando, preservando e divulgando, o MIS/FUVS tenta salvar o que resta ainda do passado do Sul de Minas, nosso rico e desprezado passado, ignorado completamente pela maioria de nossos conterrâneos.
MARIA LUIZA DE LUNA DIAS.
Yasmin disse…
"existe um tempo para fazer -
e um tempo para nada fazer.
Não subestime o valor de
refestelar-se à varanda e de
uma cadeira de balanço.
São simples presentes
que você pode dar a sim - e
aos outros".
projeto partilha disse…
Hoje encontrei-me, ocasionalmente, com o octogenário senhor SANTOS CHAGAS, antigo morador da Fazenda Chamusca. Disse a ele: lembrei-me muito do senhor, enquanto postava um trabalho sobre o CEMITÉRIO CHAMUSCA dos velhos tempos, à época dos idos anos do século XVIII.
Disse-me ele: se o autor do trabalho não falou que o Palmital e a Chamusca fervilhavam de gente, não falou a verdade. Meu pai contava que o "quente" não era São Bento Abade. Onde tinha muita gente era, primeiro na Fazenda Chamusca, depois no Palmital. Outras fazendas tinham menos gente.

Perguntou-me, também, se o autor do trabalho falou sobre o ADRO que ficava defronte a Capela do Palmital do Cervo. Lembrou os adereços nele colocados - a escada, o galo, os pregos, as ferramentas, a toalha. Citou cidades que ainda mantém o ADRO "igualzinho", ao do PALMITAL DO CERVO. Falou em Pirenópolis, Goiás, em frente a Igreja de Nossa Senhora do Bonfim, e em Santa Luzia, Minas Gerais, arriscando um palpite. O pessoal povoador desses arraiais deveriam pertencer ao mesmo grupo, pois deixaram marcas comuns!!!

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