Eis aí a razão do meu pranto.

Vai começar o espetáculo!
O rei, apoiado em seu báculo,

Entra em cena e, em seu trono toma assento.
Descerra-se a cortina, em tempo lento.

Um outro personagem entra em cena
E chora, chora tanto, que dá pena!

- Por que choras tanto assim, Fantoche?!
- Porque não aguento mais tanto deboche!

Não suporto mais ver esta nação
Tão mergulhada na corrupção!
Não suporto mais tanto cinismo
Eu, que já tive tanto idealismo!

Eu sempre sonhei ver este país
Soberano e sua gente mais feliz.

Mas vejo que sou este visionário,
Um Quixote infeliz e solidário.

Eu sempre fui um cidadão honesto,
Por isso, estou lançando o meu protesto!

- Vejamos então, a que é que tens direito?
- Naturalmente ao respeito!

E principalmente à liberdade
E, ainda, à honestidade!

- Como vives tu, Fantoche?
- Naturalmente, manipulado!
Acintosamente, usado!
Sistematicamente, controlado!
Compulsoriamente, pressionado!
Conscientemente, enganado!

- Por que clamas tu, Fantoche?
- Eu clamo por justiça,
E também contra a preguiça!

- O que reclamas, Fantoche?
- Reclamo contra a violência!
- Reclamo por transparência!
Ah! Não gasto mais a minha dialética,
Onde existe absoluta falta de ética!

Eis aí a razão do meu pranto.
Cai o pano. Desencanto.


Trecho da obra:
Encontros e desencontros
de Maria Antonietta de Rezende

Projeto Partilha - Leonor Rizzi

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