A túnica Inconsútil, um poema de fé.

A tarde é morna e silente.
Na casa de Nazaré,
Reina uma paz envolvente.
Jesus ajuda José.
E, após as lides da casa
E servir a refeição,
Maria, em seu aposento,
Recolhe-se em oração,
Enleva seu pensamento,
Medita em seu coração.
Imperceptivelmente ela passa
Da prece a um novo mister
Que ela faz, com o mesmo brilho,
Com sua graça de mulher:
Tecer com muita ternura,
Uma túnica para seu Filho,
Uma túnica sem costura.
Enquanto suas mãos tão puras
Vão tecendo aquela veste,
Seu pensamento procura
Que o seu Deus se manifeste.

Seu Filho o Reino inaugura,
Inaugurando sua veste.

Vai às vilas, povoados,
Levando o amor e a cura.
Vai ao mar, vai à montanha,
Vai ao norte, vai à leste,
A todos, ele procura.
E, no alto do Calvário,
Para ser cravado à cruz,
Aquela túnica inconsútil,
Arrancaram a seu Jesus!
Repartiram suas vestes.
Sua Mãe, Ele nos deu.
Mas a túnica que tecera,
Esta não se rompeu.
Não a puderam dividir,
Outra sina mereceu:
Lançaram sorte sobre ela.
Quem iria possuir?
Essa túnica singular,
Tecida com tanto amor
É a imagem da Igreja,
Que é o Corpo do Senhor.
Assim a teceu Maria,
Para que unida ela seja.

Trecho da obra:
Encontros e desencontros
de Maria Antonietta de Rezende

Projeto Partilha - Leonor Rizzi

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