Marcio Salviano um cofre de ensinança!

de: Ademario Ribeiro - Bahia

Márcio Salviano Vilela, parabéns!
Belo talento, belos recortes! Quem te um Márcio em seu Estado ou Cidade - tem um cofre de sabença e ensinança!
Gostaria de saber sobre as antigas tribos de MG e em particular sobre aquelas que se localizavam ao norte de Minas. Vc tem alguma referência?
Saúde, paz e êxito!

Comentários

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Errata. Tipo de erro - Digitação.
Leia-se Márcio Salviano, ao invés de como constou, Salvianom.
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O Conflito com os Cataguases na Colina do Funil.
Autor - Márcio Salviano Vilela.
Obra - A Formação Histórica Campos de Sant´Ana das Lavras do Funil. Editora Indi, 2007. tel: (35)3821-0621 / 3821-0462
www.indigrafica.com.br
contato@indigrafica.com.br

p. 24/25 "Além dos obstáculos que a terra mineira apresentava aos que a viram desbravar, pelo relevo acentuado, pelos rios invadíveis, pelos sertões ínvios, pelas febres mortíferas e pelos animais ferozes, outros se encontraram, devido à presença de tribos selvagens, algumas das quais ofereceram resistência ao invasor. Entre as mais antigas tribos que se estabeleceram em Minas, o historiador José Lúcio dos Santos assinala os Tupis, os Goiás, os Goianás, os Tupinakis, os Carijós, os Tupinambanás, os Aymorés, os Tapajós, os Tamoios, os Goitacás e os Cataguás ou Cataguases, não que dominou o Sul de Minas, estendendo-se depois pelos sertões do Araxá e São Francisco.
O predomínio desta tribo foi que, primitivamente o território de Minas era conhecido como "País dos Cataguás" e "Campos Gerais dos Cataguases" denominação esta que só desapareceu de todo depois de criada a Capitania de Minas, separada de São Paulo em 1720. Ocupavam desde o Sul de Minas, até o triangulo Mineiro, São Francisco, Oeste do Campo das Vertentes sendo suas trilhas aproveitadas pelos bandeirantes.
Habitavam seus povos em aldeias formadas de pequenas choças e alimentavam-se de caça, pesca, frutos e raízes, assentando-se à beira d´agua (rios e lagos), nos sítios mais favoráveis à obtenção do necessário alimento, emigrando dali quando escasseavam os recursos. Serviam do arco e flecha e do tacape com grande destreza e eram profundamente supersticiosos, acreditando em espíritos subalternos, protetores alguns e malfazejos outros.
Em regra, devoravam os prisioneiros de guerra e não tinham propriamente um ritual, mas, cultuavam danças guerreiras e festivas. Os seus pajés não eram sacerdotes, mas feiticeiros e curandeiros. O seu governo era de caráter patriarcal e o chefe da tribo era o mais poderoso.
JACY DE SOUZA LIMA (1968), em Lavras do Ouro e das Escolas com base em Batista Caetano de Almeida (1827), um dos principais folcloristas de seu tempo e cultor da língua tupi-guarani, relata-nos que o escriba real Bento Pereira de Souza Coutinho escrevendo ao rei de Portugal em 1694, sobre a descrição dos caminhos percorridos expedição de Fernão Dias, mencionando sobre a colina dos ferozes Cataguazes alcançada pela força de Fernão Dias, mencionando sobre a colina dos ferozes Cataguases alcançada pela força das armas quando concluía a primeira etapa da destemida bandeira antes de fundar o arraial de Ibituruna próximo à Cachoeira Afunilada do Rio Grande, ressaltando a grande valentia na resistência dos bandeirantes na luta travada com uma horda de índios nesta encosta, quando então os Cataguases chegaram atacando de surpresa com flechas, burdunas e tacapes sobre os caçadores de esmeraldas que revidaram o repentino ataque utilizando de suas armas de fogo e seus bacamartes, causando terrores e pânicos aos belicosos íncolas que se viram obrigados a abandonar suas ocas nas redondezas da visada colina, evadindo-se para outras plagas, onde posteriormente, foram vencidos definitivamente por Lourenço Castanho em 1675, no lugar que recebeu o nome de Conquista (Itaguara) indo embrenhar-se na bacia do São Francisco (Jacy de Souza Lima. Lavras do Ouro e das Escolas. Lavras. 1968)
A relação dessa luta com a história de Lavras, está ligada a denominação do ribeirão Vermelho, entre a serra da Bocaina e as florestas do Rio Grande, que entretanto, serviu de palco para a violenta batalha entre os bandeirantes, desbravadores e caçadores de esmeraldas, e os índios Cataguases, habitantes naturais da região, quando, então, o sangue derramado, pelos corpos lançados nesse ribeirão, tingiram, simbolicamente, suas águas de vermelho. O município de Ribeirão Vermelho com seus 40,3Km2 de extensão territorial, possui dois sítios arqueológicos pré-coloniais: Monte Alegre e Cacho de Ouro, testemunhos de antigos aldeamentos de grupo ceramistas".
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Vamos ouvir o que o professor e historiador Márcio Salviano Vilela tem a nos dizer sobre o Espaço Cultural "COSTA PINTO" - Teatro João Pereira de Carvalho. Lavras, Minas Gerais.

A Estação "COSTA PINTO", construída na região do Bicame(é uma alusão ao termo "be coming", do inglês, que assim se adaptou na região. Corresponde na linguagem popular a dique elevado de água), foi inaugurada pela Rede Sul Mineira - RSM, em 1 de setembro de 1926, com o propósito de ligar Lavras ao sul do Estado no ramal de Três Corações. A RSM foi criada em 1922 com sede administrativa na cidade de Cruzeiro, e dando prosseguimento ao plano de viação do Estado, na ocasião, o Governador de Minas Dr. Melo Viana acelerou os trabalhos da construção do ramal de Lavras a Três Corações.
A inauguração desse ramal provocou verdadeiro entusiasmo e justas manifestações de alegria, tanto em Lavras como em Três Corações, em razão da facilidade da exportação do café do sul e oeste do Estado para os dois principais centros de mercados do país: Rio de Janeiro e Santos.
Correndo o primeiro trem de passageiros entre essas duas cidades, a viagem inaugural iniciou-se às 7 horas da manhã do dia 1 de setembro de 1926, partindo da estação de Lavras naquela solenidade, que chegaram em Três Corações às 11 horas e 35 minutos, sob o estrugir de centenas de fogos e de vivas, aclamações aos Drs. Melo Viana, Antônio Carlos e Abrahão Leita, Diretor da Sul Mineira.
A antiga Estação da Rede Sul Mineira, construída em 1926 nos altos da região central da cidade, inicialmente denominada " ESTAÇÃO DO BICAME", em julho de 1936, passou a chamar-se "ESTAÇÃO COSTA PINTO" em homenagem à memória do inesquecível médico e político municipal, Dr. Antônio da Costa Pinta, vindo o ato da diretoria da Rede Mineira Viação ao encontro do mais sincero sentir dos lavrenses que, desde muito, almejavam figurar o nome inolvidável do DR. COSTA PINTO, falecido no mês de junho de 1927, a quem os lavrenses rememoram com bastante distinção.
A Estação "COSTA PINTO", quando em operação, recebia bastante movimento de cargas e descargas, com bastante número de usuários, embarcando ou aguardando trens de passageiros na plataforma. Porém, em meados da década de 60, com a reforma administrativa da Rede Ferroviária Federal S/A e a instalação da Viação Férrea Centro Oeste - VFCO, unidade de operação regional criada em 5 de fevereiro de 1965, a Estação "COSTA PINTO" foi desativada, não mais efetuando seus serviços ferroviários. A VFCO operava, com exclusividade, o Porto de Angra dos Reis, e as mercadorias mais transportadas nesse período foram cimento, ferro gusa, calcário e carvão de pedra. As cargas nessa ocasião, passaram a ser aceitas somente em vagões fretados e transportadas de ponta a ponta, sendo que o transporte agro-pecuário e as mercadorias de pequeno valor, foram suprimidos, trazendo grandes prejuízos entre as estações próximas.
O Espaço Cultural "COSTA PINTO", denominado "Teatro João Pereira de Carvalho" localiza-se entre as esquinas das ruas Paulo Oliveira Lima e Gustavo Penna, na região centro-sul de Lavras, e foi inaugurado em setembro de 2004, na gestão do Governo Municipal de Carlos Alberto Pereira, sendo o projeto elaborado pelo arquiteto Samuel Alvarenga Filho.
João Pereira de Carvalho, era natural do Distrito de Ribeirão Vermelho, onde nasceu em 1 de novembro de 1896, tendo-se radicado em Lavras há muitos anos como funcionário do Departamento de Correios e Telégrafos, impondo-s sempre pelas suas conhecidas qualidades de lisura e honestidade. Entusiasta da cidade, identificou-se como um bom lavrense sempre se interessando pelos problemas de Lavras e por tudo que relacionasse com o seu progresso. Dotado de elevado espírito de arte, foi um grande amador do palco, em cuja ribalta desempenhava papéis de relevo ao lado de outros amadores que ele mesmo dirigia, estimulava e ensinava. Faleceu aos 64 anos de idade, em 1 de maio de 1960.
Atualmente o espaço tem servido à comunidade para a promoção de palestras relacionadas à educação, saúde, ação social, ensaios de grupos teatrais, pequenos shows de rock, música popular brasileira e hip hop, além de concertos e recitais destacando as apresentações do Clariventos, Trombonia, Quartelavras e Coral Municipal, entre outros".
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O Prédio onde funciona a Casa da Cultura - Sílvio do Amaral Moreira, segundo Márcio Salviano Vilela, p.431/32.

Grande construção edificada no ano de 1849, localizada na rua Sant´Ana, região central de Lavras, sendo o casarão de grandes dimensões adquirido pela municipalidade em 1907, por compra feita aos herdeiros do Alferes Francisco Alves de Azevedo, filho do Cap. Silvestre Alves de Azevedo e neto do Sargento-mor João de Deus Alves de Azevedo, para ali serem instalados os serviços públicos da cidade de Lavras.
O Sargento-mor João de Deus Alves de Azevedo era natural de São João Del Rei e faleceu em Lavras, aos 28 de fevereiro de 1823, aos 71 anos de idade. Era um homem de fortunas, casado com a lavrense Antônia Maria do Nascimento, tendo desse consórcio nove filhos, entre os quais João de Deus Alves do Nascimento, o Cel Thomaz Aquino Alves de Azevedo e o Cap. Silvestre Alves de Azevedo, políticos e figuras de destaques na vida pública de Lavras, no século XIX.
Figura entre um dos moradores ilustres desse casarão, na segunda metade do século XIX, o Dr. José Jorge da Silva, nascido em 23 de abril de 1810, filho de Miguel José da Silva e dona Anna Felipa. Era Juiz de Direito e Promotor Público, foi Agente Executivo de Lavras, um dos principais líderes do movimento revolucionário de 1942, e Deputado Provincial. Foi sócio do Instituto Geográfico Brasileiro, condecorado com o Grau Oficial da Ordem da Rosa e o principal idealizador da navegação do rio Grande, entre Ribeirão Vermelho e Capetinga, inaugurada em 18 de dezembro de 1880. Era pai do Dr. Augusto Silva, e além de reais serviços que prestou à Pátria, dedicou a Lavras, por mais de quarenta anos, a atividade de seu cultíssimo espírito e de seu empenhado amor ao progresso. Faleceu em 5 de fevereiro de 1880, aos 70 anos de idade incompletos.
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O Historiador e professor FIRMINO COSTA, por Márcio Salviano Vilela.

Firmino Costa era natural de Niterói, Estado do Rio, onde nasceu em 28 de outubro de 1869, sendo seus pais Antônio da Costa Pereira e Custódia Maria da Costa. Estudou humanidades em São Paulo e iniciou sua brilhante carreira de professor lecionando português e literatura no Ginásio de Lavras, sendo também professor no Colégio de Nossa Senhora de Lourdes. Empenhando-se vivamente pela educação primária, bateu-se, desde 1906, pela criação do Grupo Escolar de Lavras, vendo coroados os seus esforços em 13 de maio de 1907, quando da instalação desse educandário. Investido na função de primeiro diretor, foi Firmino Costa a alma desse estabelecimento de ensino, o qual, durante a sua gestão, passou a ocupar lugar de destaque no Estado, sendo um dos primeiros estabelecimentos primários de Minas. Lançando as bases do ensino profissional e da lavoura racional, conseguiu do Governo Estadual a instalação de diversas oficinas no edifício do grupo, bem como um pequeno campo para ensinamentos agrícolas, iniciativas que prestaram assinalados serviços aos meninos pobres que frequentaram o seu estabelecimento.
Fundou o "Vida Escolar", boletim que se instituiu, desde logo, em propugnador da escola moderna, e tornou-se o principal historiador do município no inicio do século XX ao resgatar a história de Lavras, através dos "apontamentos históricos" publicados no "Vida Escolar" e "Cronologia de Lavras" publicado no jornal "O Município, deixando um legado de referências e analogias literárias para a evolução da história de Lavras.
Plenamente identificado com a causa que, para a coletividade de Minas, se afigurasse inovadora e dinâmica, o Professor Firmino Costa permitiu que os métodos modernos do ensino, mais tarde difundido pelo Estado, fossem primeiramente aplicados no Grupo Escolar de Lavras. A sua vida pública foi um grande exemplo de trabalho, tendo publicado os seguintes trabalhos, todos de grande valor literário e linguístico: O Ensino Popular, O Ensino Primário, Gramática Portuguesa, Léxico Gramatical, Vocabulário Analógico, Calendário Escolar, Pela Escola Ativa, Como Ensinar Linguagem, Pestalozzi e Aprender a Estudar, todas obras de valor, buscadas avidamente por professores e alunos.
Transferiu residência em 1926 para a cidade de Barbacena, onde, a convite do Governador do Estado de Minas, Dr. Fernando de Mello Vianna, dirigiu o Ginásio Mineiro e, em seguida foi para Belo Horizonte, onde foi diretor da Escola Normal, Membro do Conselho Superior da Instrução Pública e Inspetor do Colégio Isabela Hendrix.
O Professor Firmino Costa casou-se em Lavras aos 12 de outubro de 1898, com Alice Bueno, filha de tradicional família lavrense, vindo sua esposa a falecer em 23 de maio de 1931.
O Professor Firmino Costa faleceu em Belo Horizonte aos 2 de julho de 1939.

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