quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A casa sede da mineira Fazenda Itamarati.

Ajude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço "comentários" para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região.

Próxima imagem: Fazenda Itamarati, Carmo da Cachoeira, MG.
Imagem anterior: Dona Nenê e o maquinário da Fazenda Itamarati.

6 comentários:

projeto partilha disse...

Vamos deixar a palavra com Luiz José Álvares Rubião, através de seu trabalho, Álbum da Varginha. Editado pela Casa Maltese - Varginha - Minas Gerais - Estabelecimento Graphico.

FAZENDA ITAMARATY

A uma légua da freguesia do Carmo da Cachoeira e a beira da esplendida "Serra dos Tachos", surge a fazenda "Itamaraty" com o seu bellissimo edifício de estylo novo, cheio de conforto, com seu magestoso belvedere de onde a vista abrange a magnífica Serra do Carmo da Cachoeira. É seu proprietário o Cel. Astolpho de Rezende, espírito culto, arrojado agricultor e intelligente criador de gado. Pertence à família Rezende, uma das mais importantes do Município, cujo nome está intimamente ligado ao progresso da nossa lavoura, ao passado glorioso e ao venturoso futuro. León Tolstoi, na velha Rússia do Czar entre a apathia do povo e o abandono da classe alta, clamava para que as energias e os olhares se voltassem para a mãe-terra: a mãe benigna que fartamente compensa os trabalhos, os capitaes, os sacrifícios que a ella se dedicam. Talvez, na congestionada capital da República, o livro do philosopho russo ainda hoje pode constituir uma necessidade: o culto da terra mereceria um templo em cada rua, um altar em cada coração; só pela força deste culto e deste carinho, será resolvido o problema moral economico-social da nossa pátria.
Mas, este livro é supérfluo entre nós. Os nossos fazendeiros, e particularmente os da família Rezende, são pessoa cultas, profissionaes que se dedicam à lavoura com carinho e dedicação depois de ter cursado os collegios e as academias com a visão clara das necessidades do Paiz, acompanhando bem de perto os novos phenomenos economicos, as oscillações do mercado, a procura dos novos productos, amoldando, a todo esto, a própria produção.
Quantos dos jornalistas acostumados a crear typos ridículos de fazendeiros para bordar novellas, não ficariam surprehendidos, depois de uma visita a alguns do nossos fazendeiros, depois de constatar o grau de cultura e de capacidade desta classe benemerita? ...
O Cel. Astolpho Rezende é um exemplo vivo, palpitante, desta competência; a sua fazenda, embora não seja muito grande, pois conta apenas 200 alqueires de terra, é uma propriedade, que dá grandes lucros.
A sua lavoura rende 5.000 arrobas de bom café que sahe rebeneficiado na machina da mesma fazenda e onde o proprietário, por um separador inventado por elle mesmo, obtém um typo de excellente café. E esta quantidade de 5.000 arrobas augmentará um terço mais, uma vez que as novas plantações comecem a produzir. De facto, o Cel. Astolpho Rezende espera mais da nova lavoura que das velhas plantações, pela vista estupenda dos novos cafezaes, cortados por largos caminhos que lhes emprestam a phisionomia dum vasto jardim; pelo espectaculo soberbo daquella pujança e daquella ordem, surge espontanea visão das abundantes colheitas futuras.
A indústria pastoril conta também com importantes elementos, pois mais de 300 rezes populam nas suas pastagens. E, para termos uma idéa dos importantes reproductores que existem na fazenda, no corpo destas páginas, se destaca um bonito apanhado do touro "Coração", um dos melhores exemplares do soberbo rebanho.
O gado predominante no rebanho é o nacional "Caracú" de que o Cel. Astolpho Rezende se mostra extremado defensor. Poucos são os exemplares indianos, embora alguns sejam dignos de ser mencionados; esses poucos ahi estão para experiências, para comparação, para ter pelo exemplo prático a certeza matemática das suas qualidades e provar a não conveniencia da criação do gado indiano.

projeto partilha disse...

É desta fazenda - DO ITAMARATY, que, segundo relato dos antigos moradores, apanhadores de café, enfim, da população do antigo arraialzinho ali formado, avistavam, mais a suleste, a FAZENDA VELHA ou seja a das TRÊS BARRAS (aquela já citada e próxima a Chácara Flora do Rio Verde). Ela poderia se vista, também, pelos que passavam pela rodovia Fernão Dias. Ainda hoje, no mês de março quando as paineiras estão floridas, aquela que fica defronte ao antigo casarão demolido, destaca-se na paisagem e a engrandece. Muitos param no acostamento da Fernão Dias para observar o espetáculo ali montado por tal presença - a da majestosa PAINEIRA MARCO DO CASARÃO SEDE DA COLONIAL E "VELHA FAZENDA DAS TRÊS BARRAS". O Projeto Partilha teve a oportunidade de visitá-lo, antes da demolição.

projeto partilha disse...

Foto da FAZENDA ITAMARATY feita por Evando Pazzini.

projeto partilha disse...

Transcrição de documento Edriana Aparecida Nolasco a pedido do Projeto Partilha.

Tipo de Documento - Inventário
Ano - 1833 caixa -377
Inventariados - José Francisco Junqueira e Antônia Maria de Jesus
Inventariante - Gabriel José Junqueira
Local - São João del Rei.

Fl.01
Inventário dos bens do casal dos falecidos José Francisco Junqueira e sua mulher dona Antônia Maria de Jesus, de quem é Inventariante seu filho Gabriel José Junqueira.
Data - 02 de julho de 1833
Local - Fazenda denominada da Bela Cruz da Aplicação de São Thomé das Letras, da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Carrancas do Termo da Vila de São João del Rei, Minas e Comarca do Rio das Mortes.

Fl.01v
DECLARAÇÃO
(...) e logo declarou o Inventariante que os Inventariados seus pais haviam falecido sem Testamento no dia treze do mês de maio do corrente ano de mil oitocentos e trinta e três ...

Fl.02
FILHOS
01 - José Francisco Junqueira, casado com Maria Silvéria Villela

02 - dona Antônia Francisca Junqueira, casado que foi com Thomás José de Andrade, deixou filhos.

03 - dona Elena Francisca Junqueira, falecida, casada que foi com Manoel Joaquim Villela, deixou filhos.

04 - dona Francisca Maximiana Junqueira, casada com Thomás José de Andrade.

05 - dona Maria Francisca Junqueira casada com Joaquim Leonel Villela.

06 - dona Ana Francisca Junqueira, casada com Antônio Rabello de Carvalho.

07 - Gabriel José Junqueira, casado com Cândida Bernardina de Andrade.

08 - dona Ignácia Jesuína Junqueira, falecida, casada que foi com Joaquim Bernardes da Costa, deixou filhos.

09 - Antônio Francisco Junqueira, solteiro, de idade de vinte e um anos pouco mais ou menos.

Fl.02v
NETOS: FILHOS DA HERDEIRA DONA ANTÔNIA
01 - José Thomás de Andrade, já casado com Maria Claudina Villela

02 - dona Maria Claudina de Andrade casada com Antônio Francisco da Costa.

03 - João Thomás de Andrade, solteiro, de idade de dezoito anos mais ou menos.

04 Ana Ignácia de Andrade, casada com Manoel Rodrigues da Costa.

05 - Francisco, solteiro, de idade de quinze anos pouco mais ou menos.

06 - Gabriel, solteiro, de idade de treze anos pouco mais ou menos.

07 - dona Mariana, solteira, de idade de onze anos pouco mais ou menos

08 - Antônio, solteiro, de idade de nove anos pouco mais ou menos.

NETOS: FILHOS DA HERDEIRA DONA ELENA
01 - José Villela Junqueira, solteiro, de idade de vinte e um anos mais ou menos.

02 - Joaquim Estêvão Villela, solteiro, de idade de quatorze anos mais ou menos

03 - dona Maria, solteira de idade de doze anos ou menos

04 - Gabriel, solteiro, de idade de dez anos pouco mais ou menos

05 - Francisco, solteiro, de idade de oito anos pouco mais ou menos.

06 - dona Ignácia, solteira, de idade de sete anos pouco mais ou menos

07 - João (Fl.03) solteiro, de idade de cinco anos pouco mais ou menos

08 - Antônia, solteira, falecida depois de sua mãe, da qual é herdeiro seu Pai.

(continua)

projeto partilha disse...

(continuação) Documento transcrito por Edriana Aparecida Nolasco a pedido do Projeto Partilha. Ano - 1833. Inventário de dona Antônia Maria de Jesus e José Francisco Junqueira.
Fl. 03 - Netos: Filhos da Herdeira dona Ignácia Jesuína Junqueira

1- José Bernardes da Costa, solteiro, de idade de dez anos pouco mais ou menos.

02 - Joaquim Bernardes da Costa, solteiro, de idade de nove anos mais ou menos.

03 - Ignácia, solteira, de idade de oito anos pouco mais ou menos.

04 - Mariana, solteira, de idade de sete anos pouco mais ou menos.

Fl.03
BENS
Em dinheiro: moeda de ouro, de prata, de cobre, notas do banco..................6:563$280

FERRAMENTAS
29 enxadas; 29 foices; 16 machados; 02 enxós(?); 18 tesouras; 02 picões; 01 ferro de marcar gado; 01 truquês; 01 peso de uma arroba; 03 balanças grandes; 02 serras braçal; 06 rodas de fiar.

PRODUÇÃO
100 carros de milho novo no paiol; 25 carros de milho velho no paiol; 64 bruacas de sal; 70 alqueires de feijão.

ANIMAIS - 22 bois de carro; 35 vacas; 18 novilhas; 16 garrotes; 12 éguas;03 potrinhos; 05 cavalos; 14 bestas; 01 burro; 70 ovelhas; 87 porcos; 02 jumentas.

talheres de prata; esporas de prata; tachos de cobre; bancos, teares, rodas de fiar; tamborete; armários; canastras; talheres de ferro; aparelhos de café; pratos de louça branca; pratos com beirada azul e muitos outros pertences.

MAIS PRODUÇÃO
57 arrobas de algodão em caroço; 443 queijos.

ESCRAVOS - 30

Fls. 9v
BENS DE RAIZ
- Uma fazenda denominada da Bella Cruz que se compõem de terras de cultura e campos de criar, sita nesta Aplicação de São Thomé das Letras da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Carrancas a qual se acha toda dividida e cercada por valos e muros de pedra bem conhecidos...........12:000$000

- Uma morada de casas de vivenda na dita fazenda com cozinha, paiol, moinho senzalas, tudo coberto de telha monjolo, chiqueiro, e rancho de carros, tudo coberto de capim, com currais e quintal cercados de muros de pedra, com árvores de espinhos e outros, e rego de água......600$000

BENS EXISTENTES NO TERMO DA VILA DE POUSO ALEGRE

- uma fazenda denominada o Chapadão que se compõem de matos e campos com todos os seus pertences.................8:000$000

DIVÍDAS ATIVAS
- o herdeiro José Francisco Junqueira..................817$760
- o herdeiro Antônio Rabello de Carvalho....................641$646
- o herdeiro Joaquim Bernardes da Costa.......................158$000
- o herdeiro Thomás José de Andrade.....................693$710
- o herdeiro Joaquim Leonel Villela.....................271$520
- o herdeiro José Thomás de Andrade.....................526$920
- o herdeiro Ant^nio Francisco da Costa........................51$000
- Antônio Moreira e Silva....82$960- (fl.11) Antônio Sanxo Dinis Junqueira...................240$000
- capitão Manoel Joaquim Alvares...................1:000$000
- João Rodrigues Cruz.......200$000
- José Antônio de Almeida..100$000
- José Antônio de Almeida...100$000
- dona Mariana Ignácia de Andrade.....................127$040
- Domingos Villela..........150$000
- Joaquim José dos Santos...429$310
- Carlos José da Costa.......70$000
- Rafael Antônio de Brito....43$630
- Francisco do Carmo Froes...275$000
- Joaquim Lopes Guimarães...150$000
- Francisco Antônio de Godói150$000
- Antônio da Cunha..........48$6000

Fl.12v
ADIÇÃO DE BENS
DINHEIRO - Em notas do banco e moeda de cobre........... 1:964$700
ANIMAIS - 12 vacas; 01 garrote; 11 novilhas; 02 bezerros; 04 éguas; 02 cavalos; 01 potro; 02 burros; 03 bestas arreadas; 08 garrotes.

Escravos - 07
Fls.25
PROCURAÇÃO
Procuradores nomeados - Gabriel Francisco Junqueira; Gabriel José Junqueira; João Cândido da Costa.
Data - 26 de julho de 1833
Local - Arraial da Paróquia de Nossa Senhora das Dores da Boa Esperança, Termo da Vila de Lavras, Minas e Comarca do Rio das Mortes.
Que faz - Alferes Manoel Joaquim Villela, morador nesta dita Paróquia.

Fl.27
PROCURAÇÃO
Procuradores nomeados - capitão Thomás José de Andrade; Gabriel José Junqueira e a João Cândido da Costa Junqueira.
Data - 12 de julho de 1833
Local - Paróquia da Senhora do Patrocínio das Caldas. Termo da Vila de Pouso Alegre Minas e Comarca do Rio das Mortes.
Que fazem - Antônio Rabello de Carvalho e sua mulher Ana Francisca Junqueira; Antônio Francisco da Costa e sua mulher Maria Flauzina de Andrade; José Thomás de Andrade e sua mulher Maria Claudina Villela; alferes José Francisco Junqueira e sua mulher Lúcia Bernardina de São José; Manoel Rodrigues da Costa e sua mulher Ana Ignácia de Andrade, moradores nesta Paróquia da Snhora do Patrocínio das Caldas.

MONTE MOR - 51:865$994
Líquido - 51$687$471
p/ cada herdeiro - 6:693$052

Fl.61
Diz Gabriel José Junqueira Inventariante do casal dos falecidos seus pais José Francisco Junqueira e sua mulher que tendo sido absolvidos alguns dos escravos que se achavam pronunciados na Devassa por morte dos mesmos seus pais e outros e estando os referidos escravos no Termo da Vila de Pouso Alegre (...) o suplicante e os mais herdeiros não querem servir com os mesmos, pelo horror e recordação que lhe fazem a vista de tais indivíduos, (...)

*os escravos foram para arrematação em Praça Pública. O inventário terminou em 8 de julho de 1836.

projeto partilha disse...

José Geraldo Begname, localizou no Livro de Provisão 1841-1843, fl.37, uma Provisão para Oratório na Freguesia de Serranos, em nome de José Villela dos Reis.

José Villela dos Reis foi casado com dona Francisca de Paula de Andrade (d´Andrade), filha de Francisco José de Mello e de dona Ana Roza Ludovina de Paiva (Rosa).
No oratório de Francisco José de Mello (morador na Fazenda denominada "Joaquim de Araújo") casou-se, em 28-09-1831, Francisco Gonçalves Penha, filho de José Gonçalves Penha e Maria Rita de Andrade, com Mariana Benedita do Nascimento, filha de Francisco José e Ana Roza Ludovina de Paiva. Foram testemunhas: Manoel Joaquim de Santana e Antonio Joaquim de Andrade.

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