O ribeirão do Carmo em Carmo da Cachoeira.

O Ribeirão do Carmo, antigamente chamado de o Ribeirão da Capetinga (Capitinga), desagua no ribeirão do Couro do Cervo. Junto ao ribeirão do Carmo fica a Cachoeira dos Rates, bem próximo do ponto onde desagua. O poeta Fernando Pessoa falou sobre o rio de sua aldeia. Falou de forma muito especial que nos induziu, hoje, ousar fazer uma homenagem ao nosso ribeirão através de suas palavras. O nosso, fica no Sul das Minas Gerais, e recebe as águas vindas do Ribeirão do Carmo. O Ribeirão do Carmo com sua Cachoeira - "a dos Rates" (Rattes).

Por Fernando Pessoa:

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce da Espanha
E o Tejo entra no mar de Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.

E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se ao Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontraram.

Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Projeto Partilha - Leonor Rizzi

Próxima matéria: 1782, o batismo de Joaquina em Aiuruoca-MG.
Artigo Anterior: A família Moraes Raposo entre os povoadores.

Comentários

projeto partilha disse…
O RIBEIRÃO DO CARMO. Inicio de nossa história. Aí a casa de MANOEL ANTONIO RATES. No fundo da casa o referido Ribeirão.

ONDE ESTARÃO OS RESTOS MORTAIS DE MANOEL ANTONIO RATES (Rattes)/ "de Rates")?

Incansavelmente gerações tem implementado buscas. Temos convicção que se os documentos não contarem a história que buscamos a terra a contará. Ela guardam, neste livro SAGRADO, a verdadeira história.
projeto partilha disse…
"Pés de moleque", ninguém segura, olhos de observador, também não. Um, está na natureza da criança, o outro, no tom embutido dentro de cada homem. Aqui em Cachoeira, caminharam juntos na mesma criança, o menino jogador de bolas e o obervador, das formas, da terra, do ambiente. Jorge Fernando Vilela, não é simples engenheiro. É ARQUITETO. Vê a forma no ambiente. É também pesquisador. Foi este menino que um dia, um pouco intimidado ousou perguntar ao Pe. Manoel: "porque, aqui onde jogamos bola, alguns lugares estão rebaixados?".
Projeto Partilha disse…
O Projeto Partilha recebeu uma contribuição muito importante e gostaria de registrar seu mais profundo agradecimento pela comunicação.

FRANCISCO DA COSTA.

o internauta nos orienta para buscar informações disponibilizadas. Dona ISABEL ROSA DE JESUS foi casada com Francisco da Costa, inventariado no ano de 1746. Seu inventário está arquivado no Museu Regional de São João del Rei, e está disponibilizado pelo PROJETO COMPARTILHAR.

"Na Paragem do RIO GRANDE ACIMA e o Sítio chamado SARDINHA que é de propriedade de FRANCISCO DA COSTA.
projeto partilha disse…
MANOEL ANTÔNIO RATES está enterrado no cemitério existente em seu próprio Sítio, ou, o que é menos provável, em São Bento do Campo Belo. É com esta convicção que Jorge Fernando, autor de O SERTÃO DO CAMPO VELHO, se refere ao comentar sobre a questão do antigo cemitério na CACHOEIRA. Quando o Projeto Partilha visitou a biblioteca particular do Prof. Wanderley Ferreira de Rezende, entre os pouquíssimos documentos um, e de suma importância. Em comunicação com o genealogista Ary Florenzano ele mantinha a pergunta, na qual refletia sua dúvida, "você sabe onde ficava o primeiro cemitério de Cachoeira?". Gostaria ele de deixar registrada, e comprovada a presença que a linguagem oral vinha transmitindo.
O Projeto Partilha enquanto buscava os depoimentos ouviu muitos relatos nesse sentido e registrou algumas falas. Assim, não há dificuldade nenhuma em fechar posição com Jorge Fernando Vilela. Havia um cemitério em Cachoeira, 50 anos antes da morte de Manoel dos Reis Silva, no ano de 1844. Este antigo cemitério ficava no Sítio Cachoeira, de Manoel Antonio Rates. Era cercado com bambus inicialmente, e depois com adobe e pedras. TIDA (in memoriam) se lembra dos fins de tarde nos domingos de sua juventude. Dizia ela: "era sentadas no muro de pedras que víamos o belíssimo "Pôr do Sol" em CACHOEIRA".
Seu GERALDO (in memoriam), irmão do preservacionista JOSÉ DA COSTA AVELAR (in memoriam), afirma categoricamente no depoimento que nos deu: "Fica ao lado do pasto do Eusébio. Lembra, José, quanta madeira tinha jogadas lá? O pessoal carregava os corpos nos ombros apoiados nessas tábuas. Enterrava o corpo no lugar cercado e jogava a tábua no pasto".
O local, do qual TIDA e GERALDO se referiam, pertence hoje a FAMÍLIA ALVES COSTA. Seu proprietário tem poucas condições, pela idade, de lembrar-de de pormenores, mas diz com firmeza e muita convicção: "lá tem tesouro enterrado". O tesouro a que se refere, certamente existe, e é de cunho cultural. Nossa maior riqueza - RESÍDUOS DE NOSSO PASSADO. Aí, em suas terras mora o passado. Aí estão nossas raízes, e ele é seu guardião. Em suas mãos este passado aguarda intacto, o momento de se revelar. Aí está, portanto, o nosso tesouro.
MARIA PEREIRA (in memoriam), durante anos a fio, e desde menina, sempre esteve como zeladora a Igreja Matriz. Seu pai lhe contava histórias sobre seu passado. Dizia ele que vinha do sítio onde moravam fazer compras no povoado. Quando terminava tarde aquilo que vinha resolver, pernoita na "Casa Nova dos Rates", quando ela funcionava como Casa Paroquial. Ela, onde morou "Ti Beja", na Rua Domingos Ribeiro de Rezende, distante do Cemitério do Sítio Cachoeira, aproximadamente 500 metros. Nessas ocasiões, sentado com amigos nos "tocos" colocados enfrente a casa, ficavam olhando a fumacinha subir do cercado de pedras e adobe. O padre dizia a eles: "não precisam ter medo, quando os corpos se deterioram soltam gases. E é isto que vocês estão vendo, só gases na atmosfera".
Dona Mariana Vilela do Espírito Santo, em 1844, possivelmente optou por enterrar seu marido onde gostaria também de ver seu corpo enterrado, como foi, na Capela de Nossa Senhora do Carmo. Certamente, a capela foi construída por ela, pequena capelinha sobre o túmulo marido. O professor Wanderley diz das dificuldades encontradas de se transportar os restos mortais do capitão Manoel, ocorrido novembro, época das águas.

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