A Capela de Nossa Senhora d'Ajuda.


Exterminados os quilombos¹ existentes nas paragens das Três Pontas, intensificou-se o povoamento desta vasta região de terras férteis. A grande maioria dos povoadores era de portugueses, devotos de Nossa Senhora da Ajuda, que se ressentiam da falta de assistência religiosa, a capela mais próxima era a de Carrancas.

Os moradores do povoado nascente decidiram fazer uma petição ao Bispo da Diocese de Mariana para erigirem uma capela, sendo a provisão dada em 5 de outubro de 1768, "a favor dos Povoadores do Certão, entre as pontes do Rio Sapucahy da freguesia de Nossa Senhora da Conceiçam das carrancas para eregirem huma Capella com a Invocação de Nossa Senhora da Ajuda da Fazenda Taquaral"².

A construção da capela foi rápida, mas tornou-se insuficiente para a população, que continuava a crescer, tanto que, em 11 de abril de 1770, nova provisão foi concedida, a fim de que fosse erigida uma Ermida dentro da nova Capela já existente, com permissão para ter "Pedra d'Ara³ Sagrada de suficiente grandeza, todos os paramentos das 4 cores ...". A provisão foi registrada em 19 de abril de 1770, todavia, nessa época, a Capela, já estava sob a jurisdição da freguesia de Santana das Lavras das Carrancas (Lavras).4

Artigo de Paulo Costa Campos

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1. Quilombo é um aldeamento formado por negros fugidos. Havia, entre a população dos quilombos, muitos brancos facinorosos e negros alforriados. A estrutura governamental era incipiente, com um rei ou chefe, auxiliares equivalentes a ministros e uma organização militar elementar, além de encarregados do plantio e de outras tarefas. O sentimento comunitário entre os seus membros era muito forte. Tudo que era produzido na aldeia destinava-se à comunidade e era armazenado em paióis construídos pelos quilombolas.
2. Livro Provisão fls. 43v e 44 AEAM.
3. No centro do altar há uma pequena cavidade, onde se coloca uma pedra, comumente de mármore, denominada Pedra d'ara, que encerra dentro de si relíquias de santos mártires, recordando o costume primitivo cristão de celebrar o Santo Sacrifício sobre o túmulo dos mártires e suas preciosas relíquias (fonte).
4. Livro Provisões, 1770/71, fl.30 e 30v. AEAM.

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