Pular para o conteúdo principal

Inventário de Margarida Francisca do Evangelho.

Documento encomendado pelo Projeto Projeto Partilha.

Transcrição: Edriana Aparecida Nolasco.
Tipo de documento - Inventário
Ano - 1801 Caixa -372
Inventariada - Margarida Francisca do Evangelho
Inventariante - João Gonçalves Valim (II)
Local - São João del Rei

Fl. 01

Inventário dos bens que ficaram por falecimento de dona Margarida Francisca do Evangelho de que é Inventariante seu marido João Gonçalves Valim.
Data - 19 de setembro de 1801.
Local - Sítio chamado Parapetinga. Aplicação da Capela de São Bento do Campo Belo. Freguesia de Santa Ana das Lavras do Funil do Termo da Vila de São João del Rei. Comarca do Rio das Mortes em casa de morada de João Gonçalves Valim.

Fl.01v.

Declaração
(...)
logo pelo mesmo Inventariante
foi declarado que a Inventariada sua mulher faleceu no dia treze do mês de junho do corrente ano de mil oitocentos e um, sem testamento (...) .

Fl.02

Filhos:
01 - Ignácia, casada com Diogo Garcia Lopes;
02 - Francisca, casada com João Carlos da Silva Lopes;
03 - Teresa, casada com Jerônimo Pereira do Lago;
04 - Maria, casada com Matheus Ferreira Martins;
05 - João, solteiro, de idade de trinta anos pouco mais ou menos;
06 - Manoel Gonçalves Valim1, de idade de vinte e oito anos, pouco mais ou menos, solteiro;
07 - Mariana, casada com João Antônio da Fonseca;
08 - Antônia, solteira, de idade de vinte e seis anos pouco mais ou menos;
09 - Joaquim Gonçalves Valim, de idade de vinte e quatro anos e alguns meses;
10 - Ana, que é falecida, e que foi casada com José Antonio da Fonseca;

Netos:
filhos da herdeira falecida, Ana:
01 - João, de idade de dez anos;
02 - Joaquim, de idade de nove anos;
03 - Mariana, de idade de doze anos;
04 - Emerenciana, de idade de seis anos;
05 - José, de idade de oito anos;
06 - Teresa, de idade de quatro anos.

Fl.02v

Bens:
- 01 Alambique novo que se acha assentado no Engenho; uma taicha grande; uma escumadeira; 01 taicha pequena; 01 tacho grande; 12 foices; 10 foicinhas; 07 machados; 02 cavadeiras; 14 enxadas; 21 formas de açucar; 01 gamela grande.

Animais:
01 cavalo; 01 potro; 01 Égua; 23 bois de carro; 08 bois de carro; 207 vacas; 09 bestas que compõe uma tropa.

Escravos: 13

Fl.04v

Bens de Raiz:
-Esta fazenda chamada Parapetinga que se compõe de campos de criar, matos virgens, capoeiras e que parte de uma banda com o alferes Manoel Francisco Terra, João da Costa Silva e da outra com Francisco José de Mello; e por outra com Manoel Martins, e por outra com dona Mariana, viúva de Antonio Rabello 2:800$000
- As casas de vivenda desta mesma fazenda, cobertas de telha, assoalhada, paiol, também coberto de telha, cozinha e seu monjolo coberto de capim com seu quintal e mais ranchos senzalas e todos os mais pertences 400$000
- Uma parte que tem ele Inventariante em uma casa de engenho de cana sita nesta mesma fazenda com os seus pertences em que é sócio com (parte danificada) da Silva 43$550

Produção:
Um quartel de cana plantada com parte dele em tempo de corte.

Fl.05

Dívida Ativa:
João Carlos da Silva 176$702
MONTE MOR - 6:367$202
Líquido - 4:370$448
Meação - 2:185$224
para cada herdeiro 273$852 e dois quintos.

Fl.22

Procuração
Procuradores nomeados:
- Francisco de Borja da Costa Libório;
- alferes Bento José de Faria e Souza e
- Bento Leite de Faria.
Data - 25 de maio de 1802.
Local - Parapetinga
Que faz os herdeiros da Inventariada:
- Matheus Ferreira Martins
- José Antônio da Fonseca
- Diogo Garcia Lopes
- Manoel Gonçalves Valim
- João Antônio da Fonseca
- Joaquim Gonçalves Valim
- João Carlos da Silva Lopes
- Joaquim Carlos da Silva
- Jerônimo Pereira do Lago.

Projeto Partilha - Leonor Rizzi

Próxima matéria: O Reverendo Joaquim Leonel de Paiva e Silva
Artigo Anterior: O testamento de Maria da Silva Pereira - 2ª parte

1. João Gonçalves Vallim Filho, casou com Margarida Francisca do Evangelho, e quando ficou viúvo dela, casou-se, em segundas núpcias com uma ex-escrava.
2. Entre os herdeiros de Margarida Francisca do Evangelho, Manoel Gonçalves Valim, aparece como morador em Três Corações, segundo o Censo realizado em 1831. Seu nome aparece também no Inventário de dona Ana Teresa de Jesus, casada com Miguel José de Andrade. O inventário ocorreu no ano de 1841 e o inventariante foi seu filho Joaquim José de Andrade. O testamento foi escrito pelo Pe. Ernesto Antonio de Souza e foram os seguintes, seus testamenteiros: João Batista da Fonseca; Felisberto de Souza Furtado; e Rafael José de Andrade.

Comentários

projeto partilha disse…
(...) parte de uma banda (...) João da Costa Silva. Cf: 1 - Rap Go_2. Título Dias: "João da Costa Silva e de Maria Nunes de Siqueira";
2 -Tol Pizas_3, "de João da Costa Silva, de Portugal e Maria Nunes da Siqueira";

3 - Capitão João da Costa Silva - Pesquisa Google - Windows Internet Explorer, em
http://www.google.com.br/ ... 1823

4 - Isabel Pedrosa e José Rodrigues Goulart e João da Costa Guimarães em,
http://br.geocities.com/projetocompartilhar3/ ...
projeto partilha disse…
Conheçam nossos ancestrais em seu local de origem:

Os Valins de Piedade, Pico, Açores - Windows Internet Explorer em,

http://archiver.rootsweb.ancestry.com/ ...
projeto partilha disse…
"Certifico que para nomearem e aprovarem louvados citei a viúva inventariante dona Paula Maria do Espírito Santo = e os herdeiros Fernando Antonio de Villas Boas para cabeça de sua mulher Marianna Cândida = Joaquim Gonçalves da Fonseca = Jozé Custódio da Fonseca (José) = Antonio Joaquim da Fonseca = Francisco Paulino da Fonseca = Domingos Antonio da Fonseca = Joaquim Antonio de Villas Boas = AMARO LEITE DE MORAES por cabeça de sua mulher THEREZA MARIA DE JESUS = Domingos Jozé Barreiros (José) por cabeça de sua mulher Francisca de Paula = Silvestre Antonio da Fonseca = Cândida Maria do Espírito Santo, todos em suas próprias pessoas. Fazenda do Pagamam vinte e dois de setembro de 1843".

Cf. Inventário de JOZÉ ANTONIO DA FONSECA.
Inventariante - Paula Maria do Espírito Santo.

José Antonio da Fonseca - Windows Internet Explorer em,
http://br.geocities.com/projetocompartilhar6/ ... 1843.
projeto partilha disse…
Entre os herdeiros de Margarida Francisca do Evangelho, Manoel Gonçalves Valim, aparece como morador em Três Corações, segundo o Censo realizado em 1831.
Seu nome aparece também no Inventário de dona Ana Teresa de Jesus, casada com Miguel José de Andrade. O inventário ocorreu no ano de 1841 e o inventariante foi seu filho Joaquim José de Andrade. O testamento foi escrito pelo Pe. Ernesto Antonio de Souza e foram os seguintes, seus testamenteiros:
João Batista da Fonseca
Felisberto de Souza Furtado
Rafael José de Andrade.

Postagens mais visitadas deste blog

A organização do quilombo.

O quilombo funcionava de maneira organizada, suas leis eram severas e os atos mais sérios eram julgados na Aldeia de Sant’Anna pelos religiosos. O trabalho era repartido com igualdade entre os membros do quilombo, e de acordo com as qualidades de que eram dotados, “... os habitantes eram divididos e subdivididos em classes... assim havia os excursionistas ou exploradores; os negociantes, exportadores e importadores; os caçadores e magarefes; os campeiros ou criadores; os que cuidavam dos engenhos, o fabrico do açúcar, aguardente, azeite, farinha; e os agricultores ou trabalhadores de roça propriamente ditos...” Todos deviam obediência irrestrita a Ambrósio. O casamento era geral e obrigatório na idade apropriada. A religião era a católica e os quilombolas, “...Todas as manhãs, ao romper o dia, os quilombolas iam rezar, na igreja da frente, a de perto do portão, por que a outra, como sendo a matriz, era destinada ás grandes festas, e ninguém podia sair para o trabalho antes de cumprir …

A família do Pe. Manoel Francisco Maciel em Minas.

Ajude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço "comentários" para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região.


Próxima imagem: Sete de Setembro em Carmo da Cachoeira em 1977.
Imagem anterior: Uma antiga família de Carmo da Cachoeira.

Aparições de Nossa Senhora em Carmo da Cachoeira.

A PADROEIRA
Senhora do Carmo
Informativo da Paróquia Nossa Senhora do CarmoEdição ExtraordináriaFEVEREIRO de2012
Carmo da Cachoeira/MG - Diocese da Campanha

NOTA DE ESCLARECIMENTO AOS PAROQUIANOS Pe. André da Cruz


Ultimamente, o fenômeno de supostas “aparições” de Nossa Senhora têm se multiplicado no, Brasil e em outros países, deixando muita gente confusa, tanto na vivência da Fé cristã, como no discernimento da veracidade dos fatos.
Como pastor dos católicos cachoeirenses ou demais participantes da Paróquia Nossa Senhora do Carmo não posso me furtar a trazer algumas reflexões e esclarecimentos de forma refletida, prudente e baseada nos subsídios doutrinais da Igreja Católica e à luz do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Dessa forma, transmito aos prezados paroquianos algumas orientações feitas pela Conferência Nacional dos Bispos no Brasil, que em seu documento “Aparições e Revelações Particulares”, afirma:
Nos últimos anos, o número de “aparições” e “revelações” particulares, princi…

Antiga foto da cidade de Carmo da Cachoeira.

Ajude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço "comentários" para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região.Foto: Paulo Naves dos ReisPróxima imagem: Imagem da mata da fazenda Caxambu em Minas.
Imagem anterior: Um pouco sobre a região do distrito de Palmital.

Palanques e trincheiras na defesa dos quilombos.

Observando os mapas do Quilombo de São Gonçalo, o da Samambaia e o do Ambrózio, todos com uma duração temporal grande permitindo, em última instância, uma certa estabilidade populacional e social capaz de gerar uma sociedade mais complexa, propiciadora de elementos materiais mais duráveis, percebe-se que eles possuíam muitas semelhanças e dentre elas, a delimitação de seus territórios por fossos, estrepes e trincheiras. Neste território se dava a vida social do grupo, ou seja, as relações econômicas, sociais e provavelmente políticas. As casas dos quilombos estavam divididas entre moradias e casas para atividades específicas, como por exemplo, ferraria, casa do curtume e a casa dos pilões. No Quilombo do Campo Grande, em 1746, foi localizado mais de 600 negros vivendo com “... fortaleza, cautelas e petrechos tais que se entende pretendem se defender-se...”1Uma outra referência sobre o mesmo quilombo, afirma que os quilombolas se defenderam por mais de 24 horas, protegidos por um palan…

A Família Campos no Sul de Minas Gerais.

Pedro Romeiro de Campos é o ancestral da família Campos do Sul de Minas, especialmente de Três Pontas. Não consegui estabelecer ligação com os Campos de Pitangui, descendentes de Joaquina do Pompéu.Pedro Romeiro de Campos foi Sesmeiro nas Cabeceiras do Córrego Quebra - Canoas¹. Residia em Barra Longa e casou-se com Luiza de Souza Castro² que era bisneta de Salvador Fernandes Furtado de Mendonça.Filhos do casal:- Ana Pulqueria da Siqueira casado com José Dias de Souza;
- Cônego Francisco da Silva Campos, ordenado em São Paulo , a 18.12.1778, foi um catequizador dos índios da Zona da Mata;
- Pe. José da Silva Campos, batatizado em Barra Longa a 04.09.1759;
- João Romeiro Furtado de Mendonça;
- Joaquim da Silva Campos, Cirurgião-Mor casado com Rosa Maria de Jesus, filha de Francisco Gonçalves Landim e Paula dos AnjosFilhos, segundo informações de familiares:-Ana Rosa Silveria de Jesus e Campos, primeira esposa de Antônio José Rabelo Silva Pereira, este nascido em Lagoa Dourada³;
- Joaquim da …

Deus Pai, o Divino Espírito e a Sagrada Família.

Ajude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço "comentários" para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região.Foto: Evando Pazini - Arte: TS BovarisPróxima imagem: Manoel Antônio Teixeira da Fazenda Campestre.
Imagem anterior: Antigo telefone da fazenda da Serra.

Foto de família: os Vilela de Carmo da Cachoeira-MG.

Ajude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço "comentários" para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região.
Esta foto foi nos enviada por Rogério Vilela. Da esquerda para a direita: Custódio Vilela Palmeira, Ercília Dias de Oliveira, Fernando de Oliviera Vilela, Adozina Costa (Dozica), Jafoino de Azevedo e José de Oliveira Vilela (Zé Custódio).
Imagem anterior: Sinopse Estatística de Carmo da Cachoeira - 1948

Barleus e a imagem do Quilombo dos Palmares.

..., só se conhece uma imagem feita sobre Palmares durante sua existência. Trata-se da feita por Barleus1 em 1647 e reproduzida em Reis2. Infelizmente, esta imagem não possui riquezas de detalhes ou de informações. Aparentemente, trata-se de um posto de observação à beira de um rio que serve de local de pescaria coletiva.
Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

Próximo Texto: O negro aquilombado e a população colonial.
Texto Anterior: Padre Vieira e a legítima sua organização dos quilombos.
Figura: Imagem de Palmares - Barleus
1 Barleus, Gaspar. História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1974.
2 REIS, João José e GOMES, Flavio dos S. Liberdade por um fio: história dos quilombos no Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1996. p. 33

A importância e o trabalho dos ferreiros.

Pode-se perceber nos mapasfeitos sobre os quilombos que o espaço interno da estrutura era usado de maneira a indicar uma provável especialização das diferentes construções. Esta espacialidade poderia indicar uma certa hierarquia social dentro da comunidade. O fato de que a casa de ferreiro (São Gonçalo), a Casa do Conselho e do Tear (Perdição), a Casa de audiência (Samambaia) e a Casa do Rei (Braço da Perdição), estarem sempre em local destacado é sugestivo. O que isto pode indicar? É possível a partir destes dados, pressupor que houvesse no interior das comunidades quilombolas uma hierarquização política e social, já que elementos que desempenhavam um papel de destaque para a manutenção dos grupos claramente tinham seu espaço físico igualmente destacado.
O caso das Casas de ferreiro que aparecem no quilombo da Samambaia e no de São Gonçalo é curioso porque pode nos remete à uma prática antiga na África, ou seja, o uso do metal. É provável que os quilombolas utilizaram-se desse conhec…