Padre José Procópio Júnior em Carmo da Cachoeira

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Paróquia Nossa Senhora do Carmo sob nova guiança Editorial Sai Pe. Daniel Menezes, e assume como administrador paroquial da acolhedora cidade de Carmo da Cachoeira, em fevereiro de 2019, o Pe. José  Procópio Júnior.
"Não cabe à pedra escolher o lugar que deve ocupar no edifício. Assim também não cabe à nós criaturas ditar ao Criador o que deve acontecer em nossa vida, pois Deus é quem sabe e dispõe com sabedoria própria." − Dom Servílio Conti, IMC Como página que observa os acontecimentos neste pedaço de chão mineiro, limitado por montanhas e que, segundo o cachoeirense Padre Godinho, “todas são azuis”, registramos o remanejamento ocorrido entre padres ligados a Diocese da Campanha no ano de 2019. Entre as mudanças encontra-se a Paróquia Nossa Senhora do Carmo/Carmo da Cachoeira – MG.

Sai nosso querido Padre Daniel Menezes. Por ele continuamos a rezar e o devolvemos, entre lágrimas e a esperança de um dia tê-lo entre nós. Somos eternamente gratos e devedores. Entra, aureola…

A idéia da conquista européia e os índios.

A idéia de Conquista e todos os valores que estão ligados à ela conseguiram, de uma forma ou de outra, permanecer no tempo e em situações bastante diferentes entre si. Parte do que foi realizado nas conquistas em Minas Gerais durante o século XVIII, também já havia sido executado por diferentes grupos sociais há muito tempo e muitas destas práticas continuaram sendo utilizadas no século seguinte. Pode-se perceber que houve uma certa continuidade no ideário referente às Conquistas de novas áreas. Isto leva a inferência de que alguns valores permaneceram impregnados na maneira das pessoas viverem e perceberem o mundo, ainda que em contextos sócio-econômicos diversos.

Conforme já visto, os europeus dos séculos XV e XVI tinham uma visão dos índios que passava pela inferioridade absoluta. Além disso, eram bárbaros, tabulas rasas sem cultura, sem identidades individuais, não sabiam falar, não eram homens e, em função de tudo isto poderiam ser escravizados¹.

No século XVIII estes mesmos conceitos sobre os índios foram reelaborados e resgatados de épocas anteriores. Todavia, estas imagens também foram utilizadas para caracterizar o negro, permitindo a dedução que não importava muito se o Outro era um índio ou um negro. O que marcava o espaço entre estes e a sociedade européia, ou mesmo a colonial, era a construção pelos dois últimos grupos de imagens negativas acerca do primeiro, pois portadores de sistemas tão diferentes não eram percebidos como possuidores de cultura. E com bases nestas imagens negativas justificava-se a dominação e o aniquilamento.

As razões para se consideraremos Outros” como bárbaros são quase as mesmas, quer se trate dos Incas, dos espanhóis, dos portugueses ou dos mineiros do século XVIII. Para eles, os povos que estão fora do controle exercido pela civilização vivem de maneira errada, e em função disto, precisam ser conquistados. Para as autoridades mineiras, os Botocudos e os Puri eram nações bravias porque comiam outros homens e viviam em constantes guerras com os demais índios e com a sociedade branca. Logo, precisavam ser controlados através do aldeamento ou exterminados em nome do desenvolvimento da sociedade. Os quilombolas eram bárbaros porque não aceitavam sua condição de cativos e, ainda por cima, atacavam a sociedade senhorial branca. Para controlá-los, aldeá-los ou exterminá-los, foram preparadas inúmeras expedições enviadas aos sertões.

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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1. Todorov, Tzvetan . A conquista da América: A questão do outro. São Paulo: Martins Fontes, 1999, 36

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