Padre José Procópio Júnior em Carmo da Cachoeira

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Paróquia Nossa Senhora do Carmo sob nova guiança Editorial Sai Pe. Daniel Menezes, e assume como administrador paroquial da acolhedora cidade de Carmo da Cachoeira, em fevereiro de 2019, o Pe. José  Procópio Júnior.
"Não cabe à pedra escolher o lugar que deve ocupar no edifício. Assim também não cabe à nós criaturas ditar ao Criador o que deve acontecer em nossa vida, pois Deus é quem sabe e dispõe com sabedoria própria." − Dom Servílio Conti, IMC Como página que observa os acontecimentos neste pedaço de chão mineiro, limitado por montanhas e que, segundo o cachoeirense Padre Godinho, “todas são azuis”, registramos o remanejamento ocorrido entre padres ligados a Diocese da Campanha no ano de 2019. Entre as mudanças encontra-se a Paróquia Nossa Senhora do Carmo/Carmo da Cachoeira – MG.

Sai nosso querido Padre Daniel Menezes. Por ele continuamos a rezar e o devolvemos, entre lágrimas e a esperança de um dia tê-lo entre nós. Somos eternamente gratos e devedores. Entra, aureola…

Os beatos e a justiça de São Pedro.

(...)

Vou contar-lhes porquê e como foi que me escapuli do céu.

Nem eu mesmo sei quanto tempo havia decorrido desde o início de minhas atribuições como secretário de São Pedro, quando começaram a chegar muitas almas que eu logo reconhecia. Eram almas de conterrâneos meus, que iam passando desta para a outra vida e — coisa estranha! — grande parte dos beatos e beatas, gente que eu conhecera, que quase não saía da igreja, que vivia passando contas do rosário e recebia constantemente a comunhão, foi toda refugada por São Pedro. Estranhando esse fato, ousei interpelar o meu carrancudo patrão:

— Mas, Senhor São Pedro, essa gente é muito religiosa, ia às missas, rezava o terço, recebia os sacramentos e entretanto...

— Ora, você ainda é muito criança para me dar lições, seu Quinzinho; essas pessoas viviam lá embaixo a enganar os seus semelhantes, mas a mim é que não me passam para trás. Julgam então que sou homem para comer gatos por lebres? Pois fiquem sabendo que há quase dois séculos antes de nascerem, já eu havia cortado a orelha ao canalha do Malco e cortaria a de todos que o acompanhavam, se Jesus não me mandasse meter a espada na bainha. Não, meu caro; aqui ninguém me engana com rosários e água-benta; aqui, quem quiser entrar, tem de trazer, não uma bagagem enorme de orações hipócritas, confissões malfeitas e comunhões sacrílegas, mas simplesmente uma boa quantidade de obras que demonstrem o seu amor ao próximo. Não foi sem razão que Jesus disse: "Não basta dizer Senhor, Senhor, para entrar no reio do céu". E esses seus conhecidos, como em geral acontece com a maioria dos habitantes da terra, têm o espírito envenenado pelo orgulho, pela maldade e pela maledicência; enganam lá embaixo os seus semelhantes e depois, aqui chegando, ainda tentam engazopar-me, também a mim. Caramba! Que refinadíssimos velhacos, seu Quinzinho.

Eis aí, meus amigos, o que me desgostou na porta do Paraíso e fez com que eu, num dia em que São Pedro, por descuído, deixara de trancar a porta, me atirasse por ela e viesse rolando, rolando através do espaço até que no outro dia... eu me achasse calmamente deitado em minha cama.

— Que dizer que tudo quanto você acabou de nos contar não passou de um sonho?

— Talvez. Mas, sonho ou não, devemos estar prevenidos e certos de que não basta dizer Senhor, Senhor, para entrar no reino de Deus. De nada nos valerá, portanto, passar a vida e engrolar padres-nossos e ave-Marias, se não formos indulgentes para com as faltas de nossos semelhantes, caridosos sem ostentação, piedosos sem hipocrisia.

continua...

Prof Wanderley Ferreira de Rezende

trecho do Livro: Gaveta Velha.

Próximo trecho: O cachoeirense Quinzinho chega ao Inferno.
Trecho anterior: O cachoeirense Quinzinho chega ao Céu.

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