Antiga igreja barroca de Nossa Senhora do Carmo.


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Comentários

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Luiz José Álvares Rubião, em sua obra "Álbum da Varginha", editado pela Casa Maltese, registrou esta imagem histórica, com isso preservando parte de nossa história, de nosso passado de lutas e glórias. Foi nesta singela Igreja Barroca que Pe. Godinho, recebeu o Sacramento do Batismo.
A seguir, o artigo de Rubião em sua edição acima referida, cujas páginas não estão numeradas:

DISTRICTO DO CARMO DA CACHOEIRA

Em 3 de julho de 1857, pelo artigo primeiro da lei provincial, n.805, foi creada a freguezia do Carmo da Cachoeira. É padroeira da freguezia Nossa Senhora do Carmo.
A povoação que contém 300 prédios, está em magnífica situação, pois a sua casaria se desdobra em uma encosta de lance disfarçado. É banhada de farta luz solar e farto oxigenio, pois o descampado que cerca a garrida povoação, só é quebrado por pequenos outeiros e collinas vestidos de pitorescos campestres cercados de pequenos bosques e renques de árvores que margeam os ribeirõs e córregos. O aggrupamento de suas casas obedece a estructura tradicional das povoações do interior do nosso Paiz,em que as casas, como satélites, cercam a Igreja da Matriz, com timidas irradiações para as estradas que entram no povoado.
Carmo da Cachoeira tem uma Igreja Matriz e duas pequenas capellas de S. Antonio e do Pretório. Tendo sido a capella de S. Antonio construída há muitos annos(a publicação da obra deve ter sido, por volta de 1918) pelo fazendeiro Antonio dos Reis Silva. A freguesia do Carmo da Cachoeira, no ecclesiastico, pertence ao bispado da Campanha. Sua superfície, avaliada em 500 quilômetros quadrados, tem uma extensão de 6 léguas de Norte a Sul e 3 léguas e meia de Leste a Oeste. O districto delimita-se com o Município de Três Corações, de Lavras, de São João Nepomuceno, Três Pontas e com o districto de Varginha.
Distando a sua sede, rumo S.E., 27 kilometros da cidade de Três Corações; 30 kilômetros, rumos S.O. da cidade de Varginha; 42 kilômetros, rumo S.E. da freguezia de São Thomé das Letras; 36 kilômetros, rumo N.E., da cidade de Três Pontas, e 27 kilômetros, rumo N.E. de São João Nepomuceno. Há três léguas e meia, rumo S.E., existe uma antiquissima capella filial à parochia do Carmo da Cachoeira, consagrada a São Bento. A capella, que durante muitos annos esteve isolada no perdido da campina que a cerca, é hoje núcleo de um pequeno povoado que aumenta, dia-a-dia, com novas construcções. A uma légua além e ma mesma direcção, está situado o bairro denominado Tira-Couro, lugar célebre nas façanhas do famoso Januário Garcia Leal.
A freguesia da Cachoeira, pertence ao quarto districto eleitoral, cujo alistamento alcança a 150 eleitores.
Possue a freguezia água potável, abundância de lenha, madeira e materiaes para construcção. Tem 2 escolas, 2 pharmacias, 1 médico, 2 hotéis, casas de negócios, padarias, etc.
A cultura das terras do Carmo da Cachoeira, se faz intensamente, dominando em alta escala a cultura do café. Existe em pleno desenvolvimento ...1.500.000 de pés de café, sendo na maior parte de 2 a 3 annos de idade. Actualmente, o districto exporta 60.000 arrobas de café que, em breve, attento as recentes plantações, attingirão a 100.000 arrobas.
A lavoura de cereaes é muito adiantada e grandemente desenvolvida. Apezar do districto ser em parte dominado por extensas fachas de campos naturaes, sua producção de cereaes excede muito ao seu consumo.
A flora do districto da Cachoeira é riquíssima. Nas suas mattas encontram-se muitas madeiras de lei, dominando com especial abundância o "óleo vermelho". Nos seus campos, encontram-se profusas variedades de hervas medicinaes, finíssimas painas e excellentes fructas próprias de campo, como o cajú, o marolo, etc.
A creação de gado, devido as suas extensas glebas de campos naturaes, é muito desenvolvida e apresenta de anno a anno constante progressão.
Possue nas suas pingues campinas 12.000 rezes de crear e 6.000 bois nas suas ricas invernadas para a exportação, que se faz por intermédio da feira de Três Corações. A raça dominante nos rebanhos é a zebú, havendo, entretanto muito s exemplares de gado caracú seleccionado, de aspecto bellísssimo e de magníficas qualidades.
A indústria de lacticinios se faz sentir pujante em todo o districto, que exporta annualmente, 30.000 kilogrammas de optima manteiga e 50.000 queijos de excellente qualidade.
Existem no districto muitas machinas de beneficiar café cujos proprietários são os seguintes: Cel. Domingos Ribeiro de Rezende; Cel. José Balbino dos Reis; Major André Fernandes dos Reis; Cel. Francisco Assis Reis; Major Astolpho de Rezende; Cap. Antonio de Rezende Villela; Dr. João Octaviano de Veiga Limae dona Innocência de Figueiredo.
A cultura da canna de assucar, outr´ra muito florescente em Carmo da Cachoeira, está muito limitada; entretanto, o lavoura ainda é cultivada.
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Livro II - Fábrica. Freguesia do Carmo da Cachoeira, Minas Gerais.

Em 10/FEV/1914, dona Cândida Francisca da Costa doa "duas palmas de malacacheta prateada" (fls.86).
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Livro II - Fábrica. Freguesia do Carmo da Cachoeira, Minas Gerais. Fls. 98.

Aqui, uma forma muito especial de se referir a localização da Matriz de Carmo da Cachoeira. Um registro de 17/04/1916.

"Termo de tomada de contas em Campanha, 10 de abril de 1916. Assina Mons. Paulo, e é a seguinte:

CONCLUSÕES: "vistas examinadas as contas acima da Fábrica da Matriz de Nossa Senhora do Carmo da CACHOEIRA 'DE RATES', deste Bispado, apresentadas por seu Fabriqueiro, Rvmo. Vigário João Pina do Amaral no período de 1917, demonstrando um saldo de 5$900 a favor da Fábrica. Campanha, 10 de abril de 1916. Monsenhor Paulo Emílio Moinhos de Vilhena".
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José Alves do Nascimento, no ano de 1904 era morador no povoado de São Bento Abade. "Recebi do senhor Cônego Estanislao, Fabriqueiro da Matriz do Carmo da Cachoeira a quantia de dez mil réis pelo serviço prestado na Capella de São Bento e por ser verdade passo o recibo e que assino. Carmo da Cachoeira, 20 de março de 1904". Aparece também o nome de Flávio Ferreira de Aguiar.
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Padre Isidoro Guilmin, um servo de Deus muito especial.

Livro II. Fábrica da Freguesia do Carmo da Cachoeira.

DECLARAÇÃO, FL.89:
Balanço, ano de 1915.
Despezas 672$100
Receita 566$800
Em meu favor 105$300
"Este dinheiro em meu favor, fica offerecido à Nossa Senhora do Carmo da Cachoeira. Como também offereço à Nossa Senhora do Carmo todos os dinheiros (um conto trezentos e setenta mil réis) que eu gastei na Casa Parochial e nos terrenos adjacentes. PADRE Isidoro Guilmin, Vigário. Carmo da Cachoeira, 25 de setembro de 1915".
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Livro II. Fábrica da Freguesia do Carmo da Cachoeira. Aforamentos no ano de 1917. Foram poucos os registros de propriedades neste ano. São elas para:
Jorge Thomaz da Silva
duas para o cel. Domingos Ribeiro de Rezende
Bertolino Joaquim do Nascimento
Antonio Augusto Leite
Luiz Vallada
João Baptista de Oliveira
Joaquim Victoriano
João Pedro Tiburcio.
O valor de cada posse, para terreno de 15 metros por 30 metros era de 15$000.

Foram festeiro neste ano o senhor Francisco Ximenes e José Godinho Chagas.
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Livro II - Fábrica do Carmo da Cachoeira.
Ano 1914/15. Aforamentos de terrenos em nome de:
Veríssimo José da Silva
Ethelvina Mafalda de Jesus
Manoel Francisco Galvão
Felisbina Maria da Silva
Fêliz da Costa, solteiro, na rua das Boiadas, em frente ao senhor José Feliz
João Quintino Rosa
José Mariano de Oliveira
João Galvão
José Godinho Chagas
André Feliciano da Cruz
do mocinho João Baptista Nogueira Manoel Antonio Vicente
Antonio Januário da Silva
Antenor Sebastião Cândido da Silva
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Livro II - Fábrica da Freguesia do Carmo da Cachoeira. Fl.43
Francelino de Souza Reis e sua mulher Norberta Ignácia de Jesus, em 26/J06/1904, faz doação à Parochia de uma casa no Arraial. Nomes que aparecem no documento: Francisco de Paulo Rezende; Vigário José Silveira da Rocha; Álvaro Dias Pereira de Oliveira; Américo Dias de Oliveira; José Pedro Ferreira; Gabriel José Caldeira. Aparece outra data, a de 05/07/1914.
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Últimos registros de aforamentos de terrenos, neste Livro II. São eles, e nos anos de 1918/19/20:
João Galvão
José Baptista Nogueira
Olady Oliveira Nogueira
José Geraldo Nogueira
Luiz Oliveira Vallada
João Custódio
Arthur Maroni
José Benevenuto
José Joaquim Fernandes
Levy da Veiga Lima
Antonio Ribeiro da Silva.
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Dados registrados no Livro II Fábrica. Freguesia do Carmo da Cachoeira. l0/ABR/1893, dinheiro pertencente à Igreja em poder do Pároco, Pe. Antonio Joaquim da Fonseca 996$500;
10/ABR/1893, dinheiro de sobra das festividades de São Sebastião, segundo contas apresentadas pelos festeiros, Joaquim Garcia da Fonseca e Álvaro Dias Pereira de Oliveira, 1:551$900. Constam outros itens, totalizando 2:617$900.
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Em 10 de abril do ano de 1893, o Livro II Fábrica, registrada a seguinte DECLARAÇÃO:

"Até esta data esta Fábrica nada deve por todas as despezas feitas pela Matriz. Faço esta declaração para os effeitos necessários. O Fabriqueiro, Jerônymo Ferreira Pinto Vieira".
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A Igreja que vemos na foto tinha CARRILHÃO, em em 30 de dezembro do ano de 1893, a Fabrica fez um pagamento e o registra:

"pago a Pedro Rodrigues da Silva por concerto do CARRILHÃO,
3$000".
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Alguns gastos que a Fábrica teve para regularização do Patrimônio do Campo Bello, e registrados no Livro II Fábrica, no ano de 1895:
14/08 dinheiro para o Dr. Andrade Figueira para custas no processo do patrimônio do Campo Bello, 500$000;
22/10 dinheiro que o Dr. Andrade Figueira pediu a Oliveira Graça para as mesmas despezas e que foi pago a este por Eduardo Alves de Gouvêa (Gouveia), conforme o recibo de 30 de novembro de 1895,
500$000;
01/03 pago a José Ribeiro da Luz, "para dar hospedagem" ao Juiz de Direito na ocasião da demarcação do patrimônio de Campo Bello e recebe 310$000;
01/03 capina do cemitério que foi pago a José Mesquita 20$000;
01/03 pagamento feito aos camaradas e positivo que foi buscar os apetrechos do Agrimensor para demarcar a divisa do patrimônio 50$000.
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Livro II Fábrica. Ano de 1893, registra os PARAMENTOS pertencentes a Matriz do Carmo, em Cachoeira. A época do registro, a arquitetura da IGREJA era no estilo barroco, conforme se vê na foto.
l Terno completo de paramentos, ricos, de duas cores para missa comum;
l Casula com os pertences de damasco novo;
l Casula com os pertences mais usada
l Casula com pertences, duas cores;
l Casula com pertences, bem usada;
l Casula com pertences, toda vermelha;
l Casula com pertences, toda verde;
l Casula com pertences, toda roxa;
l Casula com pertences, duas cores;
l Terno de batina preta para missa solene de requial;
8 Front(?) 4 brancos e 4 roxos;
l Túnica de Nossa Senhora dos Passos, de Damasco Lisboa, bordada e outra com as horlas de (?);
l Estola já usada, branca, roca para pregador
2 Palios de Damasco sendo um branco e outro roxo;
l Umbela de Damasco vermelho;
l (Pind?) para procissão de Passos;
l (?) de opas Capela S. Sacramento;
1 idem acima;
4 Palmas para o Altar do Santíssimo Sacramento.

ROUPAS BRANCAS:
43 tralhas de linho para altar;
14 tralhas de linho de mãos;
09 Alvas;
05 sobre Pálio
10 (ilegível);
08 Manustergios.
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Vamos ouvir Marta Amato, em "Família Junqueira, p.706. ao tratar do décimo filho do alferes Antônio Glauceste Junqueira e Ignácia Justina Alves (filha de Anna Luiza Gonçalves e Antônio Joaquim Alves). Lembrando que Antônio Glauceste é filho do Pe. Francisco Antonio Junqueira.
Francisco Alves Junqueira, nasceu em 1837, viúvo, casou-se com sua parente Maphalda Carolina Branquinho, filha de João Damasceno Branquinho e Anna Cândida de Jesus (FAZENDA BOA VISTA,do Distrito da Boa Vista, Município de Lavras do Funil). O casamento teve como testemunhas: José Porfírio Branquinho e o tio da noiva, José Joaquim Gomes Branquinho, da Fazenda Boa Vista, sede do Distrito da Boa Vista.
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"Francisca Cândida Oliveira, nascida em Carrancas, casou-se com Joaquim José de Oliveira, batizado em Mogi da Cruzes em 8 de junho de 1795, segundo Marta Amato (p.707 - Fam. Junq.). Era filha do Padre Francisco Antônio com Antônia Maria da Paixão. O primeiro filho de Francisca Cândida e Joaquim José foi Joaquim José de Oliveira Filho, casou-se em primeiras núpcias com sua prima, Helena Cândida Costa, filha de João Cândido da Costa e Maria Marfisa da Costa (a mãe de Joaquim José era irmã da mãe de Helena Cândida).
Helena nasceu na Fazenda do Jardim, no Distrito de São Thomé, Termo da Vila de Baependi, Minas Gerais e faleceu 9 de julho de 1865, em São Thomé das Letras, Minas Gerais. Segundo AMATO (p.709 - Fam. Junq.), existem alguns itens curiosos neste inventário tais como: 3 volumes de Dicionário Popular; 2 volumes de DICIONÁRIO DE MORAES; i obra de Direito Administrativo; 1 obra de Assessor Forense; 1 formulário de Processo Criminal; 1 Regimento das Câmaras Municipais; 1 Manual Eleitoral; 1 Conselheiro Fiel do Povo; 1 mapa de geografia; 1 Roteiro dos Delegados; 1 As Primeiras Linhas Crimininais; e 1 Digesto Brasileiro (Cart. Segundo Ofício - Baependi).
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Francisca Cândida de Oliveira, nasceu em São Thomé das Letras e foi batizada em 30 de maio de 1836, na Matriz de Carrancas. Francisca casou-se com o tenente Luís Antonio de Oliveira, nascido em Caldas em 1831, irmão de Joaquim José de Oliveira Filho.
Segundo AMATO, "Não dispomos do inventário de Francisca Cândida de Oliveira. Sabemos, porém, que do seu inventário, LUÍS ANTOÔNIO DE OLIVEIRA usou 8:000$000, para comprar terras na FAZENDA DO CAMPO FORMOSO (Vizinha da Fazenda do Campo Bello). Luís Antônio faleceu em 1910. Foram arrolados os seguintes bens: a Fazenda do Jardim, no Distrito de Luminárias, Termo de Lavras, com terras de culturas, matas virgens, capoeiras, pastos, campos (alguns destes em grande parte imprestáveis por serem pedregosas), perfazendo um total de 7.347 hectares de terras, no valor de 155:587$000; as benfeitorias da Faz. Jardim (...), no valor de 12:000$000. O monte-mor perfazia um total de 318:391$810.

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