A vida ao redor dos chafarizes de Carmo da Cachoeira.


Procurando passara para o papel os principais acontecimentos que marcaram a evolução de nossa terra nos últimos 60 ou 70 anos, eu a revejo tal como era há mais de cinqüenta anos1:

As ruas escuras e esburacadas, a praça coberta de mato, com aqueles chafarizes de ferro, um na frente e outro atrás da igreja e aonde, pela manhã e à tarde, filas de mulheres das ruas adjacentes vinham, lata na cabeça, buscar água.

Nas poças de lama formadas junto aos chafarizes, porcos de vários tamanhos refocilavam gostosamente, espanando barro para todos os lados. E havia aquelas árvores, amigas que ensombravam a grama e onde, nas horas de sol quente, nós nos assentávamos para contar estórias ou fumar um cigarrinho às escondidas:em frente à farmácia do Sr. Luis Galvão, as duas amoreiras; pouco para cima, a velha figueira brava; ainda mais para cima e cá do outro lado, em frente à casa que pertenceu a meu avô, onde fui criado, e hoje, pertence ao Sr. Amynthas de Oliviera Vilela, os dois muchocos que anualmente se enfeitavam de flores vermelhas, atraindo bando de barulhentas maitacas, que vinham gulosamente em busca do mel das flores.

Prof Wanderley Ferreira de Rezende

trecho do Livro: Carmo da Cachoeira: Origem e Desenvolvimento.

Próxima matéria: As "festas dos pretos" na antiga Carmo da Cachoeira.
Matéria Anterior: A vida simples do povo cachoeirense do passado.

1. Texto editado em 1980.

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