Padre José Procópio Júnior em Carmo da Cachoeira

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Paróquia Nossa Senhora do Carmo sob nova guiança Editorial Sai Pe. Daniel Menezes, e assume como administrador paroquial da acolhedora cidade de Carmo da Cachoeira, em fevereiro de 2019, o Pe. José  Procópio Júnior.
"Não cabe à pedra escolher o lugar que deve ocupar no edifício. Assim também não cabe à nós criaturas ditar ao Criador o que deve acontecer em nossa vida, pois Deus é quem sabe e dispõe com sabedoria própria." − Dom Servílio Conti, IMC Como página que observa os acontecimentos neste pedaço de chão mineiro, limitado por montanhas e que, segundo o cachoeirense Padre Godinho, “todas são azuis”, registramos o remanejamento ocorrido entre padres ligados a Diocese da Campanha no ano de 2019. Entre as mudanças encontra-se a Paróquia Nossa Senhora do Carmo/Carmo da Cachoeira – MG.

Sai nosso querido Padre Daniel Menezes. Por ele continuamos a rezar e o devolvemos, entre lágrimas e a esperança de um dia tê-lo entre nós. Somos eternamente gratos e devedores. Entra, aureola…

As táticas de terrorismo utilizadas pelos quilombolas.

Os quilombolas usaram o sequestro de mulheres brancas também como uma forma de vingança. Em 1740 em Vila Rica, esquartejaram um negro junto com algumas outras pessoas. Infelizmente o documento não diz a causa desta pena. Como conseqüência, 50 negros armados, provavelmente quilombolas, foram para a cidade em busca de vingança.

No meio do caminho resolveram mudar a tática e decidiram que para cada negro morto pelos brancos, haveriam de matar duas pessoas e começaram a cumprir seus intentos ali mesmo. De acordo com o documento “...por modo mais bárbaro...”. Raptaram duas mulheres, uma branca que estava grávida e uma mulata, levaram-nas para o mato, as degolaram e despedaçaram a uma delas.1 Os corpos foram encontrados no quilombo, mas os quilombolas, avisados por escravos da região, já tinham mudado de lugar.

Em 1760, os moradores de vários arraiais estavam indignados com os danos causados pelos quilombolas “... que atrevidos e temerariamente os estavam acometendo e as mulheres brancas, casadas e donzelas carregando-as violentamente para o mato, prendendo e metendo freios nas bocas dos maridos, pais e irmãos...”2

Neste mesmo ano, há novamente um caso de uma mulher branca sendo sequestrada. Nesta vez, a moça tinha 13 anos e ao atacarem o quilombo conseguiram resgatá-la com vida.3

Entretanto, estes grupos não sequestravam apenas mulheres. Há muitos casos de aliciamento de grupos inteiros de escravos, algumas vezes, à força. Novamente pode-se pensar que a vida nos quilombos não era um sonho a que todos os escravos aspiravam, já que fugir era uma atitude muito radical e de difícil resolução. Todavia, há um outro ponto que precisa ser analisado: O rapto de escravos poderia ser uma tática utilizada pelos quilombolas para desestruturar o trabalho e consequentemente, a vida financeira dos fazendeiros nas regiões. Uma vez sem escravos, ou na iminência de perdê-los para os quilombolas, muitos fugiam deixando suas terras livres para eles. Era preferível abandonar as terras do que perder seus bens representados pelos escravos. Estes ataques provocaram a ruína de muitos colonos e não foram poucos os documentos que relataram isto às autoridades.

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

Próximo Texto: Os ataques aos brancos e os quilombos fortificados.
Texto Anterior: Mulheres negras e brancas raptadas em Minas.

1. APM SC COD 65 p. 100-101
2. APM SC Cod 50 fls. 80-82
3. APM SC 130 P COD p. 5v –7

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